Novembro 5, 2009

the charque side of the moon

 Evolução de um álbum que ainda não havia sido realmente finalizado, sendo só agora (2 anos atrás) destacado seu verdadeiro espírito do Norte, o techonobrega. Se antes era um disco bom para dar sono, agora tem ao menos serventia para dançar agarradinho com a pequena.

O charque em questão é uma gíria muito popular no Pará, onde não se pode dizer a uma cozinheira que gostaria de comer a charque dela sem que isso a ofenda seriamente – conforme explicou amigo que por lá se esbaldou.

O link para download, aqui.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Novembro 2, 2009

Bú!

Constatação da última semana: parece que o halloween foi mesmo incorporado ao ciclo de fuleiragens do brasileiro. Porém, mais assustador que o dos americanos é o nosso, uma vez que confundido com Carnaval, vira pretexto para tirar a fantasia mofada do armário. Ou então para sair do armário por completo, como foi o caso do grupo de oito ou nove rapazotes que achou uma boa ideia usar de traje fraldas geriátricas – o que, refletindo assim por alto, é nada mal se você considerar a fila do banheiro (ou péssimo, se você considerar o desespero do seu avô diante do furto). Outra fantasia, essa em cima da hora, foi a do amigo que comprou o uniforme de um frentista por trinta reais direto com o fornecedor – no posto de gasolina e a caminho do evento. O frentista, na ocasião de vender as próprias roupas, fosse talvez um dos que usavam fraldas, mas aí beirando o digno: por razões de necessidade. O halloween é um carnaval pobre. Um carnaval de terceiro mundo, eu diria. Mas, com apelo interessante, tornou-se boa propaganda para bares. Um deles em específico, freqüentado por cocainômanos em momento de profundo desespero pessoal, e com um atendimento tão deplorável quanto merecem os clientes, ao que parece organiza o halloween mais movimentado de Natal – o do Gringo’s. O segredo do sucesso é ser esse o lugar mais apropriado para uma festa que tem por tema a cultura do pânico – sentimento recorrente em mim sempre que ponho os pés no estabelecimento, vide regra em momentos de profundo desespero pessoal. Pelo que eu pude precisar, havia entre uma dúzia e três mil pessoas aglomeradas em uma praça, todas sem saber absolutamente o que fazer senão reproduzir um espírito carnavalesco forjado. Exemplo: uma enfermeira forjada rebola fogosa pela rua e autêntico Don Juan, devidamente calibrado, solta gracejo de dar inveja a Camões: “enfermeira, cuida deste coração sofrido”; ou talvez, chamego mais incisivo: “estou de pau duro, ma cherie”; o que provavelmente surtiria efeito melhor com a dama. Ano que vem, se tudo der muito errado e a moda vingar, repito a minha fantasia, que é de Deus, imagem e semelhança do homem – raridade nesses tempos de fraldões à mostra. A bem da justiça, hei de fincar, portanto, minha bandeira nas firmes tradições do Nordeste (quiçá desse brasilzão todo): nada como uma seresta da boa, o halloween da vida real, onde o que dá mais medo é a banguela da mesa ao lado sorrindo para você. Isso sim, é autêntico.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Outubro 15, 2009

Retiro

A propriedade da minha família ficava perto de um açude que quase nunca estava cheio. De modo que, na maior parte do tempo, a propriedade da minha familia ficava perto de um buraco. Quando o buraco enchia de água, eu gostava de nadar nele. Eu, os meus irmãos e as minhas irmãs. O meu pai e a minha mãe gostavam de ficar sentados em uma pedra na beira do açude. O meu pai às vezes nadava com a gente. A minha mãe nunca nadou, porque ela nunca aprendeu a nadar. Então ela ficava séria, olhando. Ela sempre estava séria e sempre estava olhando. A minha mãe era muito velha para ser a minha mãe. Era magra, e séria. Tinha a pele rachada feito as rugas que tem na terra. Quando a minha mãe ficava triste, ela chorava. Eu gostava de olhar para as rugas se enchendo de água e imaginar que eram rios, era bonito. Os primeiros rios que eu vi de perto foram os rios que eu vi de longe do alto das rugas da minha mãe. Onde a gente morava, quase não tinha água. Quando chovia, tinha. Mas a água ia toda para o açude e depois o açude secava. Um dia o rio da minha mãe também secou. Ela ficou triste e não chorou, e nunca mais chorou. A minha mãe só riu uma vez na vida dela. Eu vi quando foi. Ela gostava de olhar pra gente quando a gente brincava. Eu gostava de brincar com meus irmãos, minhas irmãs, meu carrinho e com o cachorro. O cachorro gostava de brincar comigo, meus irmão e minhas irmãs; mas gostava mais de brincar com as coisas que ele achava, como: galhos secos, lagartixas, caroços, galinhas e ossos. Um dia, olhando pra gente, a minha mãe riu. Ela riu, eu vi, ninguém mais viu. Ela tem poucos dentes, eu vi. No quintal da terra da gente, embaixo de uma árvore, é o lugar para onde vai todo mundo que morre. Um dia o cachorro fez um buraco embaixo da árvore e achou um osso. Depois, o cachorro também morreu foi enterrado embaixo da árvore com o dono do osso que ele pegou. O mundo é engraçado, às vezes. O padre disse que o cachorro, meu tio e Dona Fátima estão no céu. Eu sei que não, porque eu sei que eles estão embaixo da árvore igual a todo mundo. Quando eu morrer eu não quero ir para o céu. Quero ir morar embaixo da árvore pra brincar com o cachorro e ouvir Dona Fátima falar. Dona Fátima falava o tempo todo. Ela contava histórias que eu sempre prestava atenção no começo e depois não. Ela ficava mexendo a boca e eu ficava pensando em outra coisa. Um dia pensei que Dona Fátima era muito vermelha, igual ao galo que a gente tinha. Ela tinha pelancas embaixo do pescoço, igual ao galo que a gente tinha. Dona Fátima parecia muito com o galo que a gente tinha. Mas o galo só falava de manhã cedo, e Dona Fátima falava o dia inteiro. Um dia o meu tio disse que não gostava de Dona Fátima porque ela falava muito. O meu tio não gosta dela, mas agora está com ela. Eu gosto dela mais do que gosto dele e menos do que eu gosto de Maria, a minha irmã pequena. Maria tinha a barriga grande e redonda e ficava sempre em pé do lado da minha mãe. Ela não gostava de ficar do lado do meu pai por causa do cachimbo que o meu pai fumava. Uma vez eu fumei o cachimbo do meu pai. O cachimbo tinha o mesmo gosto do cheiro, ruim. Não sei porque o meu pai gostava dele. Mas ele gostava. O cachimbo do meu pai era de madeira e tinha um nome escrito nele: Manuel. O nome do meu pai é Francisco. Manuel era o nome do antigo dono do cachimbo. Depois, virou o nome do cachimbo. O cachimbo era a coisa que o meu pai mais gostava na terra. Eu sei disso porque uma vez eu escondi o cachimbo, e ele ficou nervoso. Quando o meu pai ficava nervoso era estranho. Ele andava de um jeito estranho, dizia coisas estranhas e fazia coisas estranhas. Naquele dia, ele fez uma das coisas mais estranhas da terra: um cachimbo. O cachimbo que o meu pai fez era um cano tampado de um lado e aberto do outro. Não ficou bom, eu disse, ele concordou. Outras coisas estranhas que o meu pai fazia: jogar baralho sozinho, pintar pedras de colorido, conversar com o cachorro, caçar. Eu gostava de sair para caçar com ele, era bonito. A gente andava guardando o barulho e depois a espingarda soltava o barulho todo de uma vez. Atirávamos em avoetes, rapousas, preás, cutias, anuns, carcarás, tatus. O meu pai falava mais com o cachorro do que falava comigo. Eu falava mais com o meu pai do que falava com o cachorro. O cachorro não falava com ninguém, porque não sabia falar. Falar com o meu pai era uma coisa estranha que eu fazia, estranho como meu pai quando fala com o cachorro. Assim eram as caçadas. O cachorro, o meu pai e eu. Depois das caçadas a minha mãe servia as avoetes no jantar. Como tinha muito osso, eu não gostava. Como tinha muita avoete no osso, o cachorro não gostava. Mas comer, ele comia, embaixo da mesa, em cima dos meus pés. Fazia cócegas. Um dia o meu pai ficou nervoso quando me viu dar a avoete para o cachorro. Bateu na mesa, disse um palavrão e acendeu o cachimbo. Quando meu pai batia na mesa, eu ficava nervoso pouco. Nervoso muito, só fiquei uma vez na vida. Foi quando meu irmão bateu em Maria. Eu bati nele, o meu pai bateu na gente, e tudo se resolveu. O nome do meu irmão era Pedro. Ele tinha o rosto enferrujado, era triste, por isso. A gente achava a ferrugem engraçada. Uma vez ele quis tirar a ferrugem com sabugo de milho, que esfregou, esfregou. Não deu certo. A cara dele ficou arranhada e vermelha. Vermelha igual ao galo que a gente tinha, vermelha igual era Dona Fátima. Sarda não sai, a minha mãe disse, sarda era a ferrugem na pele. Ficou com vergonha o meu irmão, e corou. Abriu a boca vermelha, e vermelho foi o choro que ele chorou. A minha irmã gostava de rir, por isso ela riu. Foi nessa hora que o meu irmão bateu na minha irmã. Depois aconteceu o que aconteceu, e tudo se resolveu. Naquele dia a minha irmã apanhou uma vez, foi do meu irmão. Eu apanhei uma vez, foi do meu pai. Mas o meu irmão apanhou três vezes: de mim, do meu pai e do sabugo de milho. O meu pai apanhou nenhuma vez, porque nunca apanhou. Eu tinha pena do meu irmão, às vezes. Igual a tinha pena de Maria, que era pequena. Para Maria que era pequena, o mundo era grande. Mas o mundo vira pequeno, quando Maria é grande. Era por isso que o meu pai era nervoso e a minha minha mãe era séria. O mundo deles encolheu, virou o mundo mais apertado da terra.

(fazendo…)

- dilúvio, pangéia, placas tectônicas, ilhotas – alto da igreja, casebres, vacas nadando, sapos. piadas da Lagoa – sapinho.

Outubro 10, 2009

Piriguete na webcam

Ou por onde anda Chaves, o mexicano, depois da operação de mudança de sexo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Outubro 3, 2009

Cachalote

Abraço fraterno,
Márcio N.

Outubro 1, 2009

A obra do Moura

Um dos primeiros contos que escrevi, sete anos atrás.

Abraço fraterno,
Márcio N.

A obra do Moura
Márcio Nazianzeno

Até hoje, as pessoas ainda não sabem ao certo o que levou o Moura a construir seu próprio túmulo. Mas, como narrador e coadjuvante, posso lhe contar em primeira mão o ocorrido. Em meu ofício, procuro conhecer bem os clientes antes de atendê-los; um tributo pessoal, que faço, simplesmente, para o alívio da minha consciência.

Moura era um homem taciturno, que levava no rosto a marca de 66 anos que poderiam ter sido e não foram. Sem filhos, dedicava seu tempo ao Sebo da Praça, onde era proprietário e administrador. Nunca foi de estender as conversas com os clientes, mas os tratava bem, falando sempre que necessário. Geralmente apontava um there enrolado para indicar onde estava aquele LP original dos Mutantes que o gringo procurava. O Sebo da Praça, que tinha esse nome nem eu mesmo sei bem por que, ficava em uma avenida movimentada. A boa localização do ponto, aliada à diversidade de títulos raros, compusera uma boa fama ao lugar. Alguns transeuntes entravam na loja pelo simples entusiasmo de ver de perto as figuras excêntricas que freqüentavam a casa: pseudo-filósofos, universitários, cults, menininhas místicas, escritores, colecionadores, inúteis em geral… era, por assim chamar, um reduto de pessoas inseguras que encontravam na erudição a chave para compreender problemas existenciais estilo livros de auto-ajuda.

Em um dia qualquer, Moura teve interrompida a sua leitura diária do Aurélio para ouvir um marxista mencionar algo sobre uma placa publicitária que havia em frente ao sebo, e que até então era invisível. Esse outdoor é a gota d’água. Interagia o marxista, insatisfeito como sempre e dando ares de que iniciaria dali um discurso engajado, anti-consumo. Moura se levantou da cadeira e foi à porta para entender do que o homem falava. Era melhor ver o outdoor ele mesmo do que gastar os tímpanos com as divagações do cliente. Nunca foi de dedicar muita fé a publicidade, ou a um marxista, principalmente depois que se feriu gravemente com um absorvente masculino anunciado no Pasquim.

Quem é vivo um dia aparece. Aproveite agora, em 24x
Cemitério Parque Morada da Paz.

Visualmente, era ainda mais terrível. Havia, no centro, um homem caminhando entre pirâmides. Essa imagem produziu insights na mente do Moura, seguindo a seguinte seqüência: pirâmides – Oriente Médio – turbante – tantra – tela escura – múmia atraente – tela escura – cigarro – café. O que o levou à nona xícara daquela manhã. Enquanto soprava o café, um hábito antigo que tinha o intuito de preservar a integridade de sua língua, pensava no significado do anúncio que, apesar de mal diagramado, tinha uma boa sacada, levando a uma rara reflexão: A morte, assim como o descontrole intestinal que segue uma feijoada, era sua única certeza. Investir em um negócio garantido não lhe parecia má idéia, mas o aterrorizava considerar mais seriamente o inevitável fim. Cairia nas entranhas do esquecimento em pouco mais de um mês (ou uma semana, o que viesse primeiro). Getúlio, ao sair da vida, entrou para a História, mas e o Moura? Sairia com uma mão na frente e outra atrás. Não possuía filhos, nunca plantou uma árvore nem escreveu um livro, nunca realizou um grande feito, nada. E o Sebo da Praça, nesses tempos, já não passava de ponto de encontro de decadentes. Até aquele momento, a posteridade estava fora dos planos do Moura.

Pensa, arrota… Pensa. Um memorial. Era isso que ele precisava. O velho Moura teria o melhor túmulo que um defunto poderia receber. Quando as pessoas olhassem para sua lápide, pensariam: Aí está um grande sujeito. E sua alma riria baixinho (para não assustar) da peça que pregara.

Uns quinze dias se passaram para que nosso homem decidisse investir na obra. Para entrar na história, mesmo como figurante de cemitério, era preciso dedicação. Após uma vida de decepções, chegava agora o seu momento. Nem mesmo o Papa teria um túmulo tão sofisticado. Revestido em granito, com capelinha, ambientação estudada por arquiteto, estatueta na entrada, música ambiente, tudo nos conformes para a eternidade. Além de tudo, era um homem prevenido, e, ante a possibilidade de ser enterrado vivo por uma trapalhada qualquer, teria um dispositivo para sair do caixão, e, como segurança nunca é demais, havia um bolso com uma caneta e algumas edições de palavras-cruzadas que lhe ajudariam a passar o tempo caso o dispositivo não funcionasse. E assim, mergulhado em planos, Moura prosseguia com empenho. Na hora do almoço, sempre arrumava um tempinho para dar uma passada no cemitério a fim de acompanhar o trabalho dos pedreiros, incrementando novas ideias sempre que possível. Um dia, cismou que queria instalar um cuco para berrar seu nome a cada hora, mas, advertido pela administração do cemitério, acabou por desistir da idéia. Era um empreendedor.

Lembro-me bem do dia que me viu bem de longe no cemitério, toda de preto. Lá está ela, a velha, só na espreita… sai pra lá, aquieta o facho disgramada. Brincou, pensando que minha imagem se tratasse de um devaneio qualquer. Sempre que tinha tempo, entre uma atividade e outra, eu me empenhava em estudar meu próximo cliente. Moura era um homem taciturno, que levava no rosto a marca dos 66 anos que poderiam ter sido e não foram. Sem filhos, dedicava seu tempo ao… ah, eu já disse isso, e, reavaliando, vejo que posso fazer uma breve correção. O nosso homem não era mais triste. Agora seu rosto transpirava satisfação, reluzindo vida. Moura estava feliz como nunca, fiquei até triste ao constatar isso (melhor trabalhar para infelizes, assim meu serviço é mui mais útil). Ainda na décima sétima prestação do terreno, sua obra já passava pela fase de acabamento. Parecia até que adivinhava.

Em fim de tarde e como de costume saiu da loja para ir ao cemitério. Neblinava uma chuva que de tão leve e fina parecia neve, era o grande dia, e tudo estava pronto. Havia uma escada, deixada para que ele conferisse o revestimento especial aplicado na cobertura da capelinha. Ao subir na escada, Moura tremia de tanto entusiasmo. Estava tão radiante que eu quase cedi, mas quem cedeu primeiro foi a escada, deslizando sobre o mármore molhado e lançando o Moura ao solo com violência tal que o chão desabrocharia como uma flor para que ele descesse direto para o inferno. Dei meu sopro no ouvido do Moura. Nos décimos de segundo que antecederam o impacto, Moura sentia a minha presença. A danada, pensou, assistindo ao manjado flashback da vida, desde o nascimento até a despedida sem grandes curvas na trajetória. Filosofou, descobrindo o significado da da vida. Em matéria de mim mesmo... E interrompi o pensamento daquele nobre homem pela metade. Calei-o, de forma que continuasse sendo o velho Moura, que entrou para a história.

***

Depois eu soube que já existiu aqui em Natal um Moura com um sebo no centro. Coincidência.

Setembro 28, 2009

Gripe da Fruta

Fica aí minha contribuição com a medicina.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Setembro 16, 2009

Felton Pond Eshwin Shwan _mp3

→ Banda de pedreirície incólume e que já na capa do disco mostra total desapego à frescura. Cada faixa comentada, bem como link para teletransporte do emepetrês, a seguir.

Botão direito / Salvar como.

01. She is a funk genious

Faixa introdutória, não é das melhores – pode deixar essa por último.

02. The flip side of the moon

Pop não-canastrão experimentando efeitos de computador [a banda parecia bem empolgada com isso].

03. It’s wintertime

Faixa atmosférica com ecos e chiados, tem algo de “rain”.

04. Inside your body

Essa tem barulhos legais e claras influências loser.

05. Karate chop

A mais roquemrou, e de acordo com crítico musical argentino amigo meu, parece macumba.

06. Your so fucking beautiful

Faixa marginal para ouvir muito bêbado. Ou tomando um sorvete, se você preferir.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Setembro 14, 2009

Jesus Christ Pornostar

Composição com imagens do ato da criação, clique na figura para ver maior.

[culture trash]

Abraço fraterno,
Márcio N.

Setembro 13, 2009

sobre sono (e derivações)

01. Dormir é uma das experiências mais estranhas que alguém pode ter. É como se, provisoriamente, você morresse – essa, outra experiência bastante estranha, razoavelmente definitiva e perfeitamente adiável. Isso não diz muita coisa, mas ao menos ajuda a entender porque o hálito de uma pessoa que acabou de acordar tem cheiro de bicho morto.

02. Você passa 1/3 da vida dormindo quando 3/4 da Terra são cobertos por água. É porque ao dormir as pessoas mergulham nas profundezas de um abismo no fundo do mar. Se duvida, observe bem a evidência deixada no seu travesseiro depois de um sono daqueles. Você pode achar que babou, mas foi só o seu sono que não se enxugou direito.

03. Salvos sonhos particularmente estranhos, muitos sonhos são bem batidos: nudez pública, flutuar no ar, perder um dente, faltar a um exame, perseguições, queda livre etc. De vez em quando alguém tenta interpretar esses sonhos. O único sentido que eu consigo ver nesses plots que vivem se repetindo é que em algum lugar do subconsciente se esconde um roteirista sofrendo de bloqueio.

04. Naquele instante em que, adormecendo, você tem uma sensação de desequilíbrio e salta da cama com um reflexo ágil, não se assuste, criança: era só o seu corpo caindo de sono.

05. Li em algum lugar que uma noite em claro tem os mesmos efeitos no cérebro que uma dose de uísque. Ao me permitir o trabalho noites adentro, sem dormir por dois ou três dias, seria de se considerar a possibilidade de trabalhar bebericando uísque ou cerveja. Algo a se reivindicar, um dia…

06. Nada é mais inconveniente que um despertador. É como um general gritando ao seu ouvido todo dia de manhã cedo. Talvez, mais inconveniente que um despertador, só se você for mulher e se casar com um militar. Aí, vale a pena comprar um despertador dos bons, só para acordar primeiro que o capitão.

07. Quando passo muito tempo sem dormir tenho dor de cabeça, que é o mesmo efeito quando passo muito tempo sem me alimentar. Já aconteceu de comer para passar o sono e dormir para matar a fome, o que, obviamente, de nada adiantou. Isso pode ser muito perigoso, principalmente se o sujeito adormecer público comendo moela com farofa – desgraça essa que graças a deus nunca me ocorreu.

08. É curioso como na época em que eu dormia umas doze horas por dia, os dias ainda conseguiam ser mais longos do que são hoje. A rotina faz você levar o dia no modo automático, num estado muito parecido com o do sonambulismo. Hoje, apesar de quase nunca dormir, mais raro ainda é estar acordado de fato.

09. Quando dormir vira um privilégio, está na hora de você rever o seu estilo de vida. Ou, hipótese mais acessível, na hora de rever o seu colchão. (O meu, espero rever em breve. Vou dar um abraço nele e só soltar de manhã cedo.)

10. Quem quiser agitar as coisas com um pesadelozinho, sugiro NICTIN 20mg antes de dormir. Na bula desse adesivo de nicotina tem um item que desperta especial atenção: “este produto pode causar sonhos perturbadores”. De fato, acordei algumas noites apavorado com ele. Seria bastante útil se inventassem adesivos com a química certa para gerar sonhos bons. Você escolheria o gênero: aventurescos, cômicos, românticos, sensuais etc. O de horror já existe, mas só para fumantes.

11. Homens sentem sono depois do sexo, enquanto as mulheres ficam mais dispostas. A natureza é tão esperta que encosta o homem como um eletrônico em stand-by após o uso. Já a mulher ganha energia extra para preparar o desjejum do marido que dorme. Ou, não raro, para virar o desjejum do vizinho.

Essa conversa toda já desviou por demais o assunto, e o melhor a fazer é ir embora levando consigo as melhores impressões – a exemplo do sujeito na onírica imagem de Yanagi, uma fotógrafa do Japão. Que o assunto lhes tenha pesado nos olhos e rendido bons bocejos. Bons sonhos. E durmam cedo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Setembro 4, 2009

Prezado(a) idiota,

Áudio de Neil Innes & The Rutles, extraído de Monty Python Live At Hollywood Bown, imagens de Ren & Stimpy. Editado por cidadão de bom coração, e compartilhado por este, sob gentil apoio do youtube e wordpress.

Segue letra.

How sweet to be an idiot
[Neil Innes, 70's ou 60's]

How sweet to be an idiot
As harmless as a cloud
Too small to hide the sun
Almost poking fun
At the warm, but
insecure, untidy crowd

How sweet to be an idiot
And dip my brain in joy
Children laughing at my back
With no fear of attack
As much retaliation as a toy

How sweet to be an idiot
How sweet..

I tip-toe down the street
Smile at everyone I meet

But suddenly a scream
Smashes through my dream
Fee-Fi-Fo-Fom
I smell the blood
of an asylum
Fee-Fi-Fo-Fom
I smell the blood
of an asylum
Hey you
You’re such a pedant
You got as much brain
as a dead ant
As much imagination
as a caravan sign

But I still love you
Still love you
How sweet
To be an idiot
How sweet
How sweet

O Movimento Contra um Mundo Legal e Descolado apoia essa causa.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Agosto 23, 2009

perfect day _lou reed

Perfect Day em Trainspotting, na sequência da overdose.

Não lembro de outra trilha tão bem utilizada em um filme.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Agosto 14, 2009

Mozart _andante “elvira madigan”

Abraço fraterno,
Márcio N.

Agosto 12, 2009

ellen roche

Tirinha inicialmente safada e devidamente moralizada, tornando-se respeitosa.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Agosto 7, 2009

matar por dinheiro

Quase todo mundo que conheço já teve um desses porquinhos de guardar moedas. O último que eu tive, quebrei ainda ontem com um martelo. O melhor que extraí dele não foram os cento e poucos reais, mas um aprendizado para a vida toda, que é o dilema de se destruir alguma coisa da qual você está afeiçoado em nome de outra pela qual sente ainda mais afeição, que é o dinheiro. 

***

Um cofre-porco tem aspecto de mamífero para que o investidor, numa sensibilidade infantil, tenha dó de esmagar o pobre animal. Essa foi uma sacada inteligente do inventor do porquinho: poupando a integridade do animal, você finda poupando cada vez mais dinheiro. Não seria inteligente um cofrinho com a forma de algo detestável, que você sentisse vontade de quebrar o tempo inteiro. Um que tivesse o rosto de Luiz Almir impresso nele, sorrindo com seu sorriso pervertido, por exemplo. Este, não lhe servindo nem mesmo para depositar confiança, de serventia nenhuma teria para você depositar seus trocados. Entenda melhor clicando na iluminação azul do link linhas acima.

***

Homenagem a Ary Toledo

Um homem perguntou a uma nota de cinco reais:

— quanto você vale?
— cinquenta reais.
— mas você é uma nota de 5.
— droga. acho que virei troco.

Outro homem perguntou a outro dinheiro:

— quanto você vale?
— muito mais do que você precisa.
— é pouco :(

***

porcobunker02Um porquinho transmite mais confiança do que um político, em parte pelo semblante humilde e abnegado, e, de outra, por ser mais limpo. Quando algo é essencialmente puro, você destrói apenas quando existe uma premissa monetária. É a motivação do criador de gado que abate um bezerro para fazer babybeef, da prostituta que cede seu corpo, do empresário que encomenda a morte do irmão, do governante sem compromisso autêntico. Todos têm um preço é um clichê que nunca saiu de moda.

***

São por essas razões que eu gosto muito desse desenho que arthur fez.

***

Qualquer um, em algum momento, acaba por trair a si em nome do dinheiro. Pisando em alguém, cometendo um crime, trabalhando em excesso ou qualquer coisa. Preocupante saber que a grana circula por aí, e que tem muita gente correndo atrás dela feito galinhas atrás de milho. Ou como porcos atrás de milho. Em um mundo onde o dinheiro governa as pessoas, somos todos galinhas e porcos ao mesmo tempo.

***

É isso aí, pessoal. Essa foi mais uma iniciativa do Bunker contra o sistema.
Um oferecimento: |_| (-_-) |_| ← Badass-Motherfucker Smiley.

Se cuidem.

Abraço fraterno,
Márcio N.

E por falar em porco, não deixem de ler o excelente “Leitão Assado”, conto de humor traduzido por Chico. O conto foi postado aqui uma vez, só que agora está todo comentado no HungaroMania, o blog de Chico. O blog é tão rico de informações que virou uma referência da cultura magyar, até indicação no site da embaixada húngara no Brasil recebeu. Conto comentado, aqui.

Agosto 4, 2009

seção jabá

Novas músicas dos Bonnies. Vocês podem baixar aqui, e são duas: “Amanhã de manhã”, um hit tropical enérgico, e “Hora das compras”, uma música que atingiu a Escala M3 - muito massa mesmo. 

Sobre a festa de sexta: o kit com pirata autêntico, contendo encarte e decalque  para colar no fusca, estará à venda no recinto – são apenas 50 unidades nessa edição limitada para colecionador (veja). A entrada custa 12 reais para os rapazes, e, para as moças, também. Agora, se for estudante, aí paga 6 – em consonância com o programa de estímulo à educação através do álcool, por bêbados mais educados.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Downloads etc: single novo / disco azul / outras coisas / myspace

Agosto 2, 2009

Hit! _os bonnies

Clipe para “óculos”, nova dos bonnies.

Os Bonnies vão tocar próxima sexta no Budda Pub, em Natal.
Lançaram também um single com mais duas faixas, coloco aqui depois.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Julho 12, 2009

Dusouto _novas músicas

Um minuto da atenção de vocês para um pouco de marketing… Divulgando um ep do Dusouto de poucos dias atrás: neste link, cinco faixas para download. Depois vem mais, se tudo correr bem.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Junho 30, 2009

Lollipop _música

Segue pop dançante do freak prodígio mossoroense, Daniel Liberalino, em toda sua sensibilidade. Clique para ouvir.

[self-imposed lollipop]

Da obscuridade de um email antigo para as profundezas desse abrigo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

O desenho veio do site de daniel, aqui.

Junho 24, 2009

Sonhos _travesseiro ficções s.a.

A julgar pela noite passada, alguém tem soprado em meu ouvido quando durmo.

Sonho Nelson Rodriguiano

Mulher se justificando para marido quando flagrada com outro:

“Amor, eu não queria… mas ele me pagou em dinheiro.”

Sonho José Saramaguiano

Diagnóstico: homem, você tem uma doença rara e suas células não absorvem mais água. Você vai morrer por partes. Primeiro vai parar de enxergar, depois vai parar de ouvir, depois vai parar de falar, depois vai parar de sentir. Você tem menos de uma semana.

O bunker e seus fantasmas.
Próximos capítulos hoje à noite.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Junho 19, 2009

Em cartaz nas locadoras (I)

Existem três tipos de filme: os que você viu, os que você não viu, e os que você viu e gostou muito. Daí, lançando um projeto de utilidade pública: vou indicar filmes que gostei muito, na esperança que vocês façam o mesmo nos comentários. Com uma ressalva: só vale filmes disponíveis nas locadoras, servindo de guia para visitas futuras a uma. Dos que aluguei ultimamente, gostei muito desses:

 Sob Controle (Surveillance, 2008)
De: Jennifer Lynch, filha de David Lynch. Com: Bill Pullman, Julia Ormond. Contém: violência, serial killer, fotografia legal, ruídos na trilha, humor contido. Clima predominante: falsa sensação de segurança; tem algo de “Fargo” ou “Onde os fracos não tem vez”.

TRAILER

Antes que o diabo saiba que você está morto (2007)
De: Sidney Lumet. Com: Phillip Seymour Hoffman, Etan Hawke, Robert Finney, Marisa Tomei. Contém: violência, Maria Tomei nua, traição em todos os níveis. Clima predominante: problemas com efeito bola de neve; o personagem de Fat Hoffman é jóia.

TRAILER

A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, 2006)
País: Alemanha. Oscar de filme estrangeiro, outros 59 prêmios e 21 indicações. Contém: interrogatórios, vigilância, regime militar, socialismo ruindo, epifania. Clima predominante na Alemanha: temperado e marítimo; invernos e verões frescos, enevoados e húmidos; ocasional vento Föhn, morno.

TRAILER

Centro de Pesquisa do Bunker Por Uma Vida Com Mais Filmes Legais.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Junho 15, 2009

1 ANO _moscas, deus, etc.

Quebrando o silêncio para um comunicado importante.
Na verdade, para uma porção de coisas importantes.

1) Em primeiro lugar, deve-se tomar muito cuidado com as moscas tsé-tsé sob o risco de ser acometido pela preguicite aguda, epidemia disseminada pelo bunker como a própria praga. Sem qualquer resistência, essas transmissoras do sono se infiltraram em nossos aposentos: bastou se aproximarem e todos se puseram a dormir, incluindo os sentinelas que ainda agora descansam abraçados aos seus rifles de pelúcia, num sono ainda mais profundo que o de costume aqui nos subterrâneos da terra para muito além dos sete palmos da superfície.

2) Ainda ontem, quatorze de junho, passou batido o Dia Universal de Deus. Como ninguém lembrou a data, é muito provável que o homenageado do dia tenha ficado razoavelmente decepcionado. Portanto, se vocês estavam tão preocupados quanto eu com as moscas Tsé-Tsé, seria prudente ter ao menos o dobro do cuidado com Deus, sujeito extremamente vingativo. Ó Senhor, Deus da Vingança, ó Deus da Vingança, resplandece / Exalta-te, ó juiz da terra! dá aos soberbos o que merecem. Salmo 94, 1 e 2.

3) A terceira e última informação, talvez a mais importante delas, é que no dia de hoje – 15 de junho - nosso querido e bem vivido bunker arredonda um ano de sua afundação. Um ano. E quanto dura uma mosca? Com sorte, no máximo um dia. Desse modo, nosso honrado abrigo tem mais importância do que uma mosca, sobrevivendo a 365 gerações delas. Nesse tempo foram 22.136 visitas, 146 artigos e 622 comentários – números que crescem em ritmo cada vez menor. Gostaria de agradecer ainda a todos os desavisados que diariamente são direcionados para cá por ferramentas de busca na internet e suas pesquisas de raro interesse, quais: “insetos sobre pênis”, “deus é confiável?”, “baixar enterradas anais e orais”, “sexo com alunas da Unp”, etc – isso para ilustrar a natureza dos visitantes indicados pelo Sr. Google, sempre tão indiscreto.

Celebrai.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Junho 1, 2009

Ameaça Subterrânea

Um cidadão a serviço do bem disponibilizou para download o disco de Ameaça Subterrânea, banda que tocava nas festas decadentes da universidade e embalava a alegria alheia.

BAIXAR DISCO - 66 MB

Como as letras são igualmente massa, decidi copiar uns pedaços.

Rock Blues Jam: ”Filha, por que você não quer dar rolé com a gente? Até parece que o seu coração virou uma pedra. Não se preocupe, não é nossa intenção te violentar.”

A Vida de um Drogado Feliz: “Ontem à noite estive drogado, tão louco que esqueci quem sou. E assim quero ir até o fim – até o fim do fim de todo esse amor. Quero ficar dopado com seu beijinho, envenenado com teu calor. Cair muito louco de tanto prazer: até morrer, até morrer, até morrer de amor.”

Saci Anárquico: “Essa noite eu vi um Saci na minha janela com um cachimbo, dançava entre as flores e os besouros. Ele trazia uma mochila com coisas que ninguém acreditava. Ele era primo do gnomo, ele era tio do duende, era amigo do Javali-lili e paquerava com a sereia. Ele pulava e dizia coisas, coisas que o Governo não gostava. “

A Serpente: “A serpente é o bicho mais esperto que eu conheço. Eles tocam flauta e dançam e a serpente espera. Elas casam e fazem filhos e a serpente espera. Espere você também a hora de atacar.”

Motoca Laser, em gravação pedreira:

Sextart / UFRN / 2004

Nada: “É preciso viver como um cão, pra saber como é que um cão vive. É preciso viver como um rei, pra saber como é que é ser inútil.”

Na Boca do Poder: “Se a paixão acabou, mas o tesão não morreu, por que não voltar a incendiar antes de dizer Adeus? Se a guerra acabar e você continuar de pé, seja ao menos cordial: mande uma bomba pra multinacional.”

E por aí vai. Sempre derrubando o sistema.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Maio 22, 2009

CHANEL NO.5 _jean jeunet

Este é o novo filme da Chanel, dirigido por Jean Jeunet:

Chanel é talvez a marca que mais inspira elegância e originalidade na indústria da moda; uma imagem construída não somente pela qualidade dos seus artigos de luxo, mas em parte por uma comunicação que consegue transmitir todo esse clima com perfeição. Bom exemplo dessa boa propaganda são os filmes do Chanel No. 5, o perfume de Gabrielle Chanel, referência para o que de melhor existe em cinema. A cada campanha um grande diretor é convidado para realizar o comercial, marcante por uma linguagem sofisticada, de fotografia extremamente plástica e um clima ‘místico’ que em tudo contribui para vender uma coisa tão subjetiva que é uma essência – um cheiro, uma sensação.

Ajuda, bastante, o layout das atrizes. Já atuaram nesses filmes Marilyn Monroe nos anos 1950, Catherine Deneuve nos anos 1970, e, mais recentemente, nos anos 2000, Nikole Kidman. Agora, foi Audrey Tautou, a francesinha de Jeunet. Deveriam ter feito algum deles com Juliette Binoche quando essa era mais novinha; ou hoje mesmo, que ali não é de refugo. A julgar o caráter mulherístico, deve-se cafungar o Chanel num cangote ao menos uma vez, a fim de estremecer a nêga – só para encerrar esse assunto com um comentário minimamente de macho.

Abraço fraterno,
Márcio. N.

Maio 21, 2009

Paraíso ao vosso alcance

Gosto muito dessa ilustração de Arthur. Primeiro porque é um desenho vibrante com um senso de humor fora do comum. E, depois, porque trata de um dos mais deliciantes molhos que o dinheiro pode comprar, que é o catchup.

O catchup, essa autêntica mostra do bom uso do tomate, é ingrediente básico da boa cozinha e um condimento apropriado a qualquer paladar. Injustiçado, contudo, ocupa uma posição gastronômica menor para todos esses gourmets e gourmants de araque. Vá a uma pizzaria e substitua o Azeite Galo pelo catchup – e você será julgado como parte integrante da ralé que não sabe apreciar a pizza em sua forma mais pura. A questão, esclareço, é que uma pizza sem catchup é uma pizza que ainda ainda não está pronta. Difícil entender a razão obscura pela qual o catchup tem o seu uso costumas apenas no sanduíche e na maionese, e, quando usado na maionese, perde todo o crédito – vira outra coisa a que chamam de molho rose, nada mais que um catchup transgênico. Portanto, coragem: o molhinho vai bem, e muito bem, em quase tudo. O catchup confere doçura e graça aos mais variados pratos, quais massas, carnes (branca ou vermelha) e até ao feijão de cada dia. Tudo ganha aquele toque com o catchup administrado na medida certa. Até no cinema, vejam vocês, ele se destaca frente a qualquer ingrediente: quando nas mãos de um bom diretor de filmes de ação, rende ótimos efeitos especiais; da mesma forma e com a mesma mágica que, quando nas mãos de uma pessoa nada boba, transforma um prato sem graça numa receita daquelas. O catchup é de fato uma grande invenção… e, bem… acho melhor ir parando aqui, já que nem eu estou engolindo mais essa conversa toda.

Abraço fraterno,
Márcio N.