Junho 30, 2009

Lollipop _música

Segue pop dançante do freak prodígio mossoroense, Daniel Liberalino, em toda sua sensibilidade. Clique para ouvir.

[self-imposed lollipop]

Da obscuridade de um email antigo para as profundezas desse abrigo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

O desenho veio do site de daniel, aqui.

Junho 24, 2009

Sonhos _travesseiro ficções s.a.

A julgar pela noite passada, alguém tem soprado em meu ouvido quando durmo.

Sonho Nelson Rodriguiano

Mulher se justificando para marido quando flagrada com outro:

“Amor, eu não queria… mas ele me pagou em dinheiro.”

Sonho José Saramaguiano

Diagnóstico: homem, você tem uma doença rara e suas células não absorvem mais água. Você vai morrer por partes. Primeiro vai parar de enxergar, depois vai parar de ouvir, depois vai parar de falar, depois vai parar de sentir. Você tem menos de uma semana.

O bunker e seus fantasmas.
Próximos capítulos hoje à noite.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Junho 19, 2009

Em cartaz nas locadoras (I)

Existem três tipos de filme: os que você viu, os que você não viu, e os que você viu e gostou muito. Daí, lançando um projeto de utilidade pública: vou indicar filmes que gostei muito, na esperança que vocês façam o mesmo nos comentários. Com uma ressalva: só vale filmes disponíveis nas locadoras, servindo de guia para visitas futuras a uma. Dos que aluguei ultimamente, gostei muito desses:

 Sob Controle (Surveillance, 2008)
De: Jennifer Lynch, filha de David Lynch. Com: Bill Pullman, Julia Ormond. Contém: violência, serial killer, fotografia legal, ruídos na trilha, humor contido. Clima predominante: falsa sensação de segurança; tem algo de “Fargo” ou “Onde os fracos não tem vez”.

TRAILER

Antes que o diabo saiba que você está morto (2007)
De: Sidney Lumet. Com: Phillip Seymour Hoffman, Etan Hawke, Robert Finney, Marisa Tomei. Contém: violência, Maria Tomei nua, traição em todos os níveis. Clima predominante: problemas com efeito bola de neve; o personagem de Fat Hoffman é jóia.

TRAILER

A Vida dos Outros (Das Leben der Anderen, 2006)
País: Alemanha. Oscar de filme estrangeiro, outros 59 prêmios e 21 indicações. Contém: interrogatórios, vigilância, regime militar, socialismo ruindo, epifania. Clima predominante na Alemanha: temperado e marítimo; invernos e verões frescos, enevoados e húmidos; ocasional vento Föhn, morno.

TRAILER

Centro de Pesquisa do Bunker Por Uma Vida Com Mais Filmes Legais.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Junho 15, 2009

1 ANO _moscas, deus, etc.

Quebrando o silêncio para um comunicado importante.
Na verdade, para uma porção de coisas importantes.

1) Em primeiro lugar, deve-se tomar muito cuidado com as moscas tsé-tsé sob o risco de ser acometido pela preguicite aguda, epidemia disseminada pelo bunker como a própria praga. Sem qualquer resistência, essas transmissoras do sono se infiltraram em nossos aposentos: bastou se aproximarem e todos se puseram a dormir, incluindo os sentinelas que ainda agora descansam abraçados aos seus rifles de pelúcia, num sono ainda mais profundo que o de costume aqui nos subterrâneos da terra para muito além dos sete palmos da superfície.

2) Ainda ontem, quatorze de junho, passou batido o Dia Universal de Deus. Como ninguém lembrou a data, é muito provável que o homenageado do dia tenha ficado razoavelmente decepcionado. Portanto, se vocês estavam tão preocupados quanto eu com as moscas Tsé-Tsé, seria prudente ter ao menos o dobro do cuidado com Deus, sujeito extremamente vingativo. Ó Senhor, Deus da Vingança, ó Deus da Vingança, resplandece / Exalta-te, ó juiz da terra! dá aos soberbos o que merecem. Salmo 94, 1 e 2.

3) A terceira e última informação, talvez a mais importante delas, é que no dia de hoje – 15 de junho - nosso querido e bem vivido bunker arredonda um ano de sua afundação. Um ano. E quanto dura uma mosca? Com sorte, no máximo um dia. Desse modo, nosso honrado abrigo tem mais importância do que uma mosca, sobrevivendo a 365 gerações delas. Nesse tempo foram 22.136 visitas, 146 artigos e 622 comentários – números que crescem em ritmo cada vez menor. Gostaria de agradecer ainda a todos os desavisados que diariamente são direcionados para cá por ferramentas de busca na internet e suas pesquisas de raro interesse, quais: “insetos sobre pênis”, “deus é confiável?”, “baixar enterradas anais e orais”, “sexo com alunas da Unp”, etc – isso para ilustrar a natureza dos visitantes indicados pelo Sr. Google, sempre tão indiscreto.

Celebrai.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Junho 1, 2009

Ameaça Subterrânea

Um cidadão a serviço do bem disponibilizou para download o disco de Ameaça Subterrânea, banda que tocava nas festas decadentes da universidade e embalava a alegria alheia.

BAIXAR DISCO - 66 MB

Como as letras são igualmente massa, decidi copiar uns pedaços.

Rock Blues Jam: ”Filha, por que você não quer dar rolé com a gente? Até parece que o seu coração virou uma pedra. Não se preocupe, não é nossa intenção te violentar.”

A Vida de um Drogado Feliz: “Ontem à noite estive drogado, tão louco que esqueci quem sou. E assim quero ir até o fim – até o fim do fim de todo esse amor. Quero ficar dopado com seu beijinho, envenenado com teu calor. Cair muito louco de tanto prazer: até morrer, até morrer, até morrer de amor.”

Saci Anárquico: “Essa noite eu vi um Saci na minha janela com um cachimbo, dançava entre as flores e os besouros. Ele trazia uma mochila com coisas que ninguém acreditava. Ele era primo do gnomo, ele era tio do duende, era amigo do Javali-lili e paquerava com a sereia. Ele pulava e dizia coisas, coisas que o Governo não gostava. “

A Serpente: “A serpente é o bicho mais esperto que eu conheço. Eles tocam flauta e dançam e a serpente espera. Elas casam e fazem filhos e a serpente espera. Espere você também a hora de atacar.”

Motoca Laser, em gravação pedreira:

Sextart / UFRN / 2004

Nada: “É preciso viver como um cão, pra saber como é que um cão vive. É preciso viver como um rei, pra saber como é que é ser inútil.”

Na Boca do Poder: “Se a paixão acabou, mas o tesão não morreu, por que não voltar a incendiar antes de dizer Adeus? Se a guerra acabar e você continuar de pé, seja ao menos cordial: mande uma bomba pra multinacional.”

E por aí vai. Sempre derrubando o sistema.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Maio 22, 2009

CHANEL NO.5 _jean jeunet

Este é o novo filme da Chanel, dirigido por Jean Jeunet:

Chanel é talvez a marca que mais inspira elegância e originalidade na indústria da moda; uma imagem construída não somente pela qualidade dos seus artigos de luxo, mas em parte por uma comunicação que consegue transmitir todo esse clima com perfeição. Bom exemplo dessa boa propaganda são os filmes do Chanel No. 5, o perfume de Gabrielle Chanel, referência para o que de melhor existe em cinema. A cada campanha um grande diretor é convidado para realizar o comercial, marcante por uma linguagem sofisticada, de fotografia extremamente plástica e um clima ‘místico’ que em tudo contribui para vender uma coisa tão subjetiva que é uma essência – um cheiro, uma sensação.

Ajuda, bastante, o layout das atrizes. Já atuaram nesses filmes Marilyn Monroe nos anos 1950, Catherine Deneuve nos anos 1970, e, mais recentemente, nos anos 2000, Nikole Kidman. Agora, foi Audrey Tautou, a francesinha de Jeunet. Deveriam ter feito algum deles com Juliette Binoche quando essa era mais novinha; ou hoje mesmo, que ali não é de refugo. A julgar o caráter mulherístico, deve-se cafungar o Chanel num cangote ao menos uma vez, a fim de estremecer a nêga – só para encerrar esse assunto com um comentário minimamente de macho.

Abraço fraterno,
Márcio. N.

Maio 21, 2009

Paraíso ao vosso alcance

Gosto muito dessa ilustração de Arthur. Primeiro porque é um desenho vibrante com um senso de humor fora do comum. E, depois, porque trata de um dos mais deliciantes molhos que o dinheiro pode comprar, que é o catchup.

O catchup, essa autêntica mostra do bom uso do tomate, é ingrediente básico da boa cozinha e um condimento apropriado a qualquer paladar. Injustiçado, contudo, ocupa uma posição gastronômica menor para todos esses gourmets e gourmants de araque. Vá a uma pizzaria e substitua o Azeite Galo pelo catchup – e você será julgado como parte integrante da ralé que não sabe apreciar a pizza em sua forma mais pura. A questão, esclareço, é que uma pizza sem catchup é uma pizza que ainda ainda não está pronta. Difícil entender a razão obscura pela qual o catchup tem o seu uso costumas apenas no sanduíche e na maionese, e, quando usado na maionese, perde todo o crédito – vira outra coisa a que chamam de molho rose, nada mais que um catchup transgênico. Portanto, coragem: o molhinho vai bem, e muito bem, em quase tudo. O catchup confere doçura e graça aos mais variados pratos, quais massas, carnes (branca ou vermelha) e até ao feijão de cada dia. Tudo ganha aquele toque com o catchup administrado na medida certa. Até no cinema, vejam vocês, ele se destaca frente a qualquer ingrediente: quando nas mãos de um bom diretor de filmes de ação, rende ótimos efeitos especiais; da mesma forma e com a mesma mágica que, quando nas mãos de uma pessoa nada boba, transforma um prato sem graça numa receita daquelas. O catchup é de fato uma grande invenção… e, bem… acho melhor ir parando aqui, já que nem eu estou engolindo mais essa conversa toda.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Maio 18, 2009

O mundo é um moinho

Reencontro de Cartola com o pai, acolhendo o filho endividado e ausente.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Maio 11, 2009

Laerte _drágea047

Laerte, no Manual do Minotauro. Clique na imagem para ver ampliada.

SOBRE DESENHO: “Daniel M. Berman é um super amigo, que vive em San Francisco e é jornalista e ativista na saúde do trabalho e na defesa do meio ambiente, contra os conglomerados que tomam posse da vida e do planeta e reduzem os seres humanos a peças de um jogo insano. Dediquei o desenho dos beijadores a ele assim meio do nada – out of the blue. Mas esse da luta saiu (sem querer) uma citação de um livro dele: «Who Owns the Sun».” – LAERTE.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Maio 11, 2009

Uma tirinha quente

A imagem abaixo tem uns 70Kb e leva alguns segundos para carregar:

Uma das fotos mais medonhas que já vi na internet.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Outras tiras: Rosalina & Oswaldo +  Mãe Dinah, a vidente

Maio 8, 2009

Homem de Firme Destino – Capítulo 17

Versinho popular: ”Abre as janelas e deixa a esperança entrar na tua casa trazida pelo vento da tarde.” Mais um capítulo sem sentido do HdFD.

Abraço fraterno,
Márcio N.

 

CAPÍTULO XVII
(aprendendo a voar num dente-de-leão)

               Algumas histórias os ventos nos trazem; outras, devemos ir nós mesmos atrás delas, montados na corcunda do próprio vento. Descruzemo-nos os braços, pois, para partirmos em busca de mais um extraordinário causo do Homem de Firme Destino; utilizando, em tempo, um dente-de-leão comum de peso e aerodinâmica adequados. Essa magnífica plantinha nos servirá de meio de transporte, a carregar a todos nós através de uma corrente expressa de ar, a rota do acaso de todos os perdidos. Um empreendimento dessa natureza, donde são incertas as condições da viagem, deve se iniciar com um planejamento cuidadoso. Devemos-nos antecipar a qualquer infortúnio – se não para evitá-lo, ao menos para não sermos pegos de surpresa, e, munidos de esperança, procuremos assim um vasto campo de flores de dentes-de-leão, onde a ampla oferta de espécimes possibilite a escolha da melhor nave. Como sabemos, não existe melhor lugar para plantas de qualquer espécie do que as paragens de solo fértil; e qual solo seria mais fértil que o de um cemitério de uma cidade violenta, via de regra e de hábito excepcionalmente bem adubado, a fazer brotar com vigor a vegetação que tem na morte dos outros o seu estrume? No reino dos defuntos, então, convém habituar-se aos percalços da vida. Viagens em dentes-de-leão são, na maioria das vezes, empreitadas excepcionalmente seguras; na medida, claro, que a própria segurança se torna uma exceção: os vôos são, quase sempre, um desastre completo. Despeçamo-nos dos parentes e amigos, portanto; acomodemo-nos agarrados uns aos outros em desespero sadio, e nos façamos tripulantes acreditados de muita fé em uma jornada para além das possibilidades. Cardíacos e sensíveis, congratulem-se como bons companheiros que são ante a chance de seguir o mesmo destino dos aventureiros lançados por solavancos tremendos para fora da nave, quando mergulham eles na escuridão eterna. Animem-se, pois, que não há razão para o pânico, e mui esperançosas são as estatísticas: uma Nave Dente-de-Leão, quando comandada por escrivão experiente, pode assegurar que ao menos uma dúzia de tripulantes chegue ao destino em segurança – contando, aí, o próprio escrivão – dos mais de trinta que embarcaram na missão cientes (mas não totalmente convencidos) dos riscos ofertados pela viagem. Pois bem, posta a limpo a situação, podemos passar para a etapa seguinte – com seu consentimento, obstinado leitor, e sob sua total responsabilidade.

DECOLANDO

              Estamos precisamente ao lado da lápide de um certo Epaminondas III, cujo epitáfio de letras charmosas muito nos inspira: “Aqui jaz um fracassado”, neste hospitaleiro e excepcionalmente bem adubado cemitério metropolitano, cujo ambiente, impregnado de uma atmosfera mística, enaltece o espírito de maneira peculiar – o canto dos pássaros se misturando aos estampidos dos tiros de uma favela próxima. O cemitério é, além de um cemitério, um vasto campo de dentes-de-leão. Escolhemos aquele de melhor aparência, que brota firme com a ajuda dos sais cedidos pelo bom Epaminondas III, em natural processo de fertitilzação. O vento sopra, abastecendo a nave de energia, e nos lança ao ar. Agarramos-nos a um dos pequenos para-quedas que compõem o conjunto de sementes que se disseminam com o vento. Alguns leitores despencam às migalhas, e findam a se esborrachar no solo que é agora a casa de cada um deles; os que permanecem a bordo da Dente-de-Leão seguem em direção contrária, para cima e cada vez mais para cima – de modo que, a essa altura, já sobrevoamos as lápides a uma boa distância do chão, deixando para trás o bom Epaminondas e seus colegas do cemitério – os mortos sentindo saudades dos que vão embora – e nós, o coração na garganta, seguimos com alguma ansiedade e demasiada instabilidade pela Corrente Expressa de Ar. Ela sopra em direção ao sul, e sempre para o sul, onde mais à frente marcha com segurança e em terra firme o Homem de Firme Destino, um passo atrás do outro, com larga e notável vantagem.

Leitores na decolagem: 36
Leitores depois da decolagem: 15

***

Outros capítulos, aqui.

Maio 6, 2009

Fialhóvski

Carlos Fialho lançará o livro “Mano Celo” nessa quinta-feira (7), às 18 horas, na Siciliano do Midway Mall. O livro, escrito originalmente em russo, foi traduzido pelo próprio autor para o português.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Nota (08/05): Foram vendidos 384 livros em uma noite, e foi o maior lançamento realizado numa Siciliano em Natal até hoje. Fialho publicou por conta própria, sem encalhe e com uma aceitação fora do normal. Numa cidade onde não se lê, conseguir uma coisa dessas não é fácil.

Abril 30, 2009

Gripe Suína _Brasil

O Banco de Saúde está reunindo informações sobre a Gripe Suína no Brasil. É o novo inimigo - ao menor espirro, todo mundo se apavora. Até mesmo a dengue, que mata brasileiros feito praga, ao que parece não assusta mais por aqui.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Abril 29, 2009

Roleta-Russa _continho desportivo

Escrito só pela estranheza da idéia, mesmo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Confissões de um vencedor

m.n.f. / 09

Eu ocupava o lugar mais alto do podium, que estava vazio exceto por mim, ao término do estimado torneio desportivo, a Copa do Mundo de Roleta-Russa. Venci cento e tantas rodadas, assisti ao tombo de ao menos duas dúzias de adversários diretos; sem contar os outros tantos que sucumbiram pelo caminho nas demais chaves do campeonato. E posso lhes garantir, senhoras e senhores, que foi um espetáculo. Uma das partidas mais emocionantes, recordo bem, foi aquela que durou aproximadamente três horas sem que fosse efetuado um único disparo. Tantas vezes os  adversários puxaram o gatilho que seus dedos tremiam mais de fadiga do que pelo nervosismo, a agulha nunca encontrando a bala – em determinada hora, porém, e com os nervos já não mais suportando a tensão, o juiz interveio carregando o revólver que, como constatou, estava vazio de munição. A iniciativa levou um dos participantes a abandonar a partida, e, o outro, impaciente que estava, não pôde fazer outra coisa senão atirar às costas do primeiro, que fugia correndo. A arquibancada, antes silenciosa e apreensiva, nessa hora foi tomada por um colorido alegre e todos reagiram animadamente; arremessaram flores brancas, vermelhas, e não se sabe se festejavam a vitória de um ou lamentavam derrota do outro, e como vibraram os torcedores. Este é um esporte para poucos: a cada dois jogadores apenas um mantém a cabeça no lugar – os derrotados espalham-na pela parede ou pelo chão; são péssimos perdedores, como dizem, quando o sucesso de um é invariavelmente o fracasso do outro, e esse é o espírito do esporte. De todo modo, atletas do mundo inteiro se reúnem para a disputa dos jogos travados sobre a encarnada neve de São Petersburgo, a capital da roleta-russa, num intervalo de dois e dois invernos – tempo necessário para que as delegações possam repor as baixas da última edição e realizar o treinamento das equipes – nessa parte, o treino, há um fato curioso: tradicionalmente, o atleta vencedor é utilizado em benefício do seu país de origem, selecionando ele próprio os atletas de melhor desempenho; atividade das mais desgastantes: a certa altura o vencedor será fatalmente derrotado por um iniciante, que de imediato passa a posição de líder nas próximas etapas da classificatória; a partir daí, todos saem atirando contra a própria cabeça e o que sobreviver será o representante do seu país na competição. Não se tem registro de um único campeão que tenha competido duas edições do torneio – da participação recorrente de fracassados sabe-se de apenas uma, um homem perdeu a metade do cérebro num ano e, na edição seguinte, foi-se o outro hemisfério – há de convir que apesar de pouca vocação para o sucesso, o infeliz, duplamente derrotado, era obcecado pela vitória. Tentou, tentou, e não desistiu – mas deveria. De certo, são conhecidas algumas das razões para se tornar vencedor: o torneio, televisionado neste e em outros continentes, é um dos mais populares do globo, e ao término de cada edição, eleva um homem comum à categoria de ídolo; o escolhido goza de instantânea popularidade, é reverenciado nas ruas como eram antes os reis, e, dado o temperamento expansivo dos amantes do esporte, acontece ainda de ser alvejado por disparos de atiradores anônimos – o que, no entanto, é considerado um fim digno à alcunha de herói (ao menos na opinião do atirador escondido na multidão). E assim a conquista individual é comemorada em grupo, e o vencedor saudado por aqueles que nunca ganharam coisa alguma. Nas tabernas, o vencedor tem seu nome ovacionado por senhores de narizes vermelhos cheirando a vodka; seu glorioso nome ecoa pelos bares, e os senhores, de porte de uma pistola descarregada, reproduzem com muito empenho os lances memoráveis da partida. Mas, quando a vodka bate muito forte, há sempre o risco de alguém negligenciar a retirada das balas da pistola, o que ocasionalmente leva o fã ao invés de reproduzir as jogadas do campeão, a prestar derradeira homenagem ao derrotado – uma humilhação desnecessária, e bem-vinda ainda assim, já que ao derrotado nunca ofereceram nada além de flores. Tem ainda aqueles que, embora descarregando a arma das balas, descarregam-na nos freqüentadores da taberna com saudosos disparos em estupor hipnótico. Este é o mundo da roleta-russa e o de qualquer esporte conhecido. E, em consideração a vocês, cuja vitória nunca se fez presente, eu, nunca tendo amargado uma derrota, prestarei minha homenagem com uma exibição gratuita de espantoso talento na modalidade que me rendeu fama e glória. Pois bem, deixe-me girar o tambor… isso… agora eu vou ………………………………………

Abril 27, 2009

Desenhos à venda

Daniel está vendendo os desenhos dele para ajudar no pagamento de um transplante. Interessados devem escrever para dliberalino@yahoo.com.br.

Abraço fraterno,
Márcio N.

A imagem tem 400kb e leva algum tempo para carregar:

Mais ilustrações em:
http://disfuntorerectil.blogspot.com

Abril 23, 2009

O barão, o uísque e a mulher ranzinza

Outro texto de Apparício Torelly, o Barão de Itararé.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Uísque e Mulher Ranzinza
Barão de Itararé

Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, porque se não…

— Assim seja! Seja feita a vossa vontade, disse eu, humildemente. E comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa.

Tirei a rolha da primeira garrafa è despejei o seu conteúdo na pia, com exceção de um copo, que bebi.

Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo, que virei.

Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo, que empinei.

Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa, que bebi.

Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção.

Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha.

Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da gar­rafa, arrolhei o copo e bebi por exceção.

Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas, que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito, de acordo com as ordens da minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem.

Segurei então a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram exatamente trinta e nove. Quando a casa passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para recontar tudo e deu noventa e três, o que confere, já que todas as coisas no momento estão ao contrário.

Para maior segurança, vou conferir tudo mais uma vez, contando todas as pias, rolhas, banheiros, copos, casas e garrafas, menos aquelas duas que escondi e acho que não vão chegar até amanhã, porque estou com uma sede louca…

***

Ler mais em: ReleiturasWikipediaCulturabrasil

Abril 23, 2009

Conselho médico _barão de itararé

Texto do Barão de Itararé extraído do projeto releituras. Trata-se de um artigo pela administração responsável de medicamentos com cerveja, ou da cerveja como remédio – ou, ainda, do remédio como remédio. Da coletânea “Máximas e Mínimas do Barão de Itararé” , Ed. Record, 1986.

Abraço fraterno,
Márcio N.

CONSELHO MÉDICO
(Como devemos tomar nossos remédios)

Quando estamos doentes, afinal não temos outro remédio senão tomar remédio.

O remédio, aliás, sempre faz bem. Ou faz bem ao doente que o toma com muita fé; ou ao droguista que o fabrica com muito carinho; ou ao comerciante que o vende com um pequeno lucro de 300 por cento.

Mas apesar do bem que fazem, devemos convir que há remédios verdadeiramente repugnantes, que provocam engulhos e violentas reações de repulsa do estômago.

Como devemos tomar esses remédios repugnantes? Aí está o problema que procuraremos resolver para orientar os nossos dignos e anêmicos leitores.

O melhor meio de vencer as náuseas, quando temos que ingerir um remédio repelente, consiste em recorrer à lógica dos rodeios, adotando os métodos indiretos, até chegar à auto-sugestão, transformando assim o remédio repugnante numa coisa que seja agradável ao paladar. Numa palavra, devemos tomar o remédio com cerveja, por exemplo.

Como devemos proceder para chegarmos a esse magnífico resultado?

É indispensável comprar, antes do remédio, uma garrafa de cerveja. Depois, é necessário bebê-la devagar, saboreando-a, para sentir-lhe bem o gosto. Liquidada a primeira garrafa, pedimos outra cerveja. Esta vamos tomá-la de outra forma, também devagar, mas com a idéia posta no remédio, cuja lembrança naturalmente nos provocará asco. Para voltarmos ao normal, encomendamos uma terceira garrafa, com a qual, lembrando-nos sempre do remédio, iremos dominando e vencendo a repugnância. Na altura da quinta ou undécima garrafa, nós já estaremos convencidos de que o gosto do remédio deve ser muito semelhante ao da cerveja e, assim, já poderíamos beber calmamente o remédio como cerveja. Mas, como não temos o remédio no momento e já não temos muita força nas pernas para ir à farmácia, então continuamos a beber a infusão de lúpulo e cevada, até chegarmos a esta notável conclusão: se é possível chegar a se tomar um remédio tão repugnante como cerveja, muito mais lógico será que passemos a tomar cerveja como remédio, porque a ordem dos fatores não altera o produto, quando está convenientemente engarrafado.

Barão de Itararé - 1895/1971

:)

“Antes Duque, num gesto de humildade rebaixou-se para Barão”. Leia mais aqui.

Abril 23, 2009

Biblioteca Digital Mundial _unesco

Operations Against the Japanese on Arundel and Sagekarsa Islands; Bushemi, John; 1943 - BIBLIOTECA DIGITAL

E-mail que recebi hoje:

“A Unesco lançou oficialmente, nesta terça-feira (20/04), o site da Biblioteca Digital Mundial, em que é possível navegar pelo excepcional acervo de livros, manuscritos e documentos visuais e sonoros procedentes de bibliotecas e arquivos do mundo todo. Reproduções das mais antigas grafias e fotografias estão entre os vários documentos raros apresentados em sete idiomas (árabe, chinês espanhol, francês, inglês, português e russo). O lançamento aconteceu na sede parisiense da Unesco, na presença de seu diretor-geral Koichiro Matsuura, e de James H. Billington, diretor da Biblioteca do Congresso Nacional dos Estados Unidos, idealizador do projeto.” 

 

 

Abraço fraterno,
Márcio N.

Abril 15, 2009

Ataulfo Desmembrado

Texto novo:

Comovente fim de Ataulfo Desmembrado

por márcio nazianzeno

Quando Ataulfo acordou deu por falta da perna esquerda. Havia sido cortada, se é que fora realmente cortada, à altura da coxa – ao que parece, uma incisão perfeita. Uma inspeção cuidadosa revelaria a inexistência de qualquer ferimento, marcas ou cicatriz; como se desde o sempre jamais existisse ali perna ou coisa parecida, somente a protuberância mínima em forma de punho fechado e medindo pouco menos de um palmo de cumprimento. Confuso encontrava-se Ataulfo naquele estado em que, acabando de acordar, não tinha ainda despertado por completo; um aditivo ao tormento perfeitamente cabível à natureza inóspita do acontecimento. Configurava-se, assim, uma confusão mental completa. Considerou, esperançoso, a possibilidade de ser aquele um sonho de muito mau-gosto. Belisco-se, deu tapinhas no próprio rosto; primeiro devagar, depois com mais empenho. Foi a tal ponto na tentativa de escapar do pesadelo ao qual estava confinado que passou a esbofetear a própria cara; com força tamanha que não espantaria se, além da perna, perdesse ali mesmo a cabeça que poderia muito bem sair rolando pelo quarto ante a violência dos golpes. Quase isso. A cabeça foi o que perdeu, em sentido mais figurado, quando, apalpando a face dolorida, encontrou somente uma superfície plana e macia qual uma nádega. Imaginem vocês o desalento que sentiu Ataulfo ao constatar a perda também do nariz – o único que tinha. Foi um arremate cruel. Assustado, saltou da cama sem ao menos atentar a perna ausente, que, noutros tempos, lhe garantia o equilíbrio que faltaria no instante seguinte – de maneira torpe e desengonçada, girou num compasso antes de estatelar os ossos no chão, sonora e dolorosamente; arrastou-se na extensão do quarto, tão inconformado quanto perplexo, esbravejando com aquela voz nasal de alguém que fala com o nariz tampado (ou mesmo, de alguém não tem um nariz), e, agarrando-se furiosamente a um guardachuva de estilo inglês que muito veio a calhar, improvisou com ele uma bengala e pôs-se de pé quase com dignidade. Ataulfo partiu dali em direção ao banheiro – primeiro mancando decidido, vacilante logo mais, quando de frente para o espelho. Entre a boca e os olhos havia um vão imenso a ser preenchido. Sem o nariz para lhe conferir equilíbrio às feições, o rosto parecia não mais o de a uma pessoa. Era a fisionomia de um animal estranho, de aspecto dócil, até: uma caricatura humana de um desenho animado que, olhando bem, lembrava um boneco da Lego – amarelo sempre foi, mas sem nariz… isso não. Ante pavorosa figura, o nauseado Ataulfo lançou-se para trás abrupto. Foi um choque. Sentindo as mãos formigarem e um frio na barriga de estralar os ossos (incluindo aí o de galinha que desceu acidentalmente no jantar), com curiosidade e pavor aproximou o rosto ao espelho, e de perto avaliou o rastro deixado pelo nariz fugidio. Ou ainda, a ausência de qualquer rastro. Identificou, contudo, um padrão: era aquela incisão, assim como a da perna, perfeita. Sem ferimentos, marcas, nem cicatriz. Em resumo, sem explicação.

***

Chegaram em casa acompanhados do médico da família. O mais preocupado era Seu Pereira, o pai, alternando seus pensamentos entre o destino do filho, as atribulações e pendências na firma e a desolação admirável da esposa. Bem verdade era a de que, no fundo, não estava tão preocupado assim com a preocupação toda – visto que preocupar-se era somente a conduta normal e mais apropriada para a imagem de decência e austeridade, tão necessárias ao papel de homem sério. Preocupado, portanto, estava tranqüilo. Dona Florência, por sua vez, fazia o da matriarca sofredora, de maneira tal que ao menor alerta assumia uma expressão vazia de perda irreparável. Melindrosa, não sofria tanto quanto aparentava, e pelo contrário: gostava. Sentia-se mais respeitável e bondosa, e quanto mais quisesse sê-la, mais chorava. Era católica praticante. Doutor Tomás, o médico, ocupava-se de tranqüilizar a família e para isso conjeturava com seus botões um laudo tenebroso, anunciado somente dali ao anoitecer, durante o jantar. O fato é que as roupas de Ataulfo foram encontradas perto do portão, onde ficavam as pimenteiras.

***

Ataulfo estava mais para moço do que para velho, não sendo no entanto nem uma coisa nem outra. Era imberbe, mirrado e extremamente tímido. Sua aparência atribuía à personalidade avoada um semblante ainda mais infantil e, portanto, de total descrédito. Não fosse por isso, quem sabe, tivesse sido outra a providência imediata tomada por Doutor Tomás, médico da família, ao telefonema do amedrontado Ataulfo. O médico atendeu sério, rotundo, assumindo uma expressão grave quando ouvia em silêncio as tentativas de Ataulfo em esclarecer, no tom mais sóbrio e plausível que conseguia encontrar, como havia sem qualquer explicação razoável sido destituído de perna e nariz – assim, do nada, em sua própria cama. O resultado como se pode imaginar foi desastroso. Havia ainda o problema com a dicção, terrível, comparável somente a de um gago falando grego embaixo d’água. Freqüentes ainda eram as manifestações espontâneas de euforia, quais palavrões cabeludos, respiração ofegante, frases atropeladas, desconexas, berros e urros alucinados ou chorosos. Ataulfo estava, na melhor das hipóteses (e a exemplo das exiladas partes do seu corpo), completamente fora de si. Constitui-se, assim, o mais curioso telefonema recebido por Tomás em toda a sua carreira como médico e como homem.

“Ataulfo, seus pais estão em casa?”
“Não”
“Quando alguém chegar, diga para me ligar.”

***

A casa era rodeada de um bonito jardim caprichosamente bem cuidado por Dona Florência, a mãe, mulher de inegável competência na arte de cultivar ambientes familiares utilizando vegetação exótica. Havia no jardim plantas frutíferas e ornamentais, quais orquídeas, pimenteiras, um pé de acerola, um limoeiro, couve, capim-santo, hortaliças, trepadeiras; brotando no fértil solo revestido pelo gramado por onde Ataulfo se arrastava sofregamente, ao modo dos soldados abatidos num campo de batalha. Estava sem a perna esquerda, sem o nariz e nessa contagem subtraía-se ainda um braço – o direito. Ataulfo, o discreto e mirrado rapaz, não parecia mais tão retraído. Gritava com toda a força dos pulmões que, ao que tudo indica, ainda estavam lá. Em compensação, sem nariz, braço e, alto lá, agora sem as duas pernas, estava àquela altura tão mirrado quanto jamais esteve. Era um pedacinho de homem a se arrastar pelo chão – inserido na horta de Dona Florência, parecia um saco de batatas em fuga. Com algum esforço girou o que restava do corpo, e lá permaneceu: a barriga para cima, as costas deitadas no gramado, um tronco somente. Fazia um dia claro, e sob o céu azul de nuvens brancas, as folhas das pimenteiras balançavam suavemente.

 

 Natal,  14/04/2009

 

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Ilustrado por Elsita.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Abril 15, 2009

Sonambulismo em cães afeta jovens

Cachorro enfrentando sérios distúrbios no sono:

Jovem nerd enfrentando sérios distúrbios mentais:

Abraço fraterno,
Márcio N.

Abril 10, 2009

Gato Ninja

Um dos vídeos mais legais que eu já vi na internet toda.

Tem mais no Moire, site totalmente dedicado ao gato e feito pelo dono.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Abril 9, 2009

Odete, a Ordinária

Ode Caprichosa

Cálida tarde primaveril. Mergulhando lentamente, no céu crepuscular encandescente, encarnado, o sol dourado, se punha solenemente - por trás dos verdes montes delineados; quando, sob o frondoso jatobá de folhas cadentes, o fanático por adjetivos se masturbava loucamente.

***

Abraço fraterno,
Márcio N.

Abril 8, 2009

Etiópia é uma festa

Achei muito massa esse clipe.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Abril 2, 2009

Animação boa

Essa animação tá aqui por atrapalho meu – eu ia colocar no noad e acabou saindo na página errada. Tudo bem.

E, por acaso, lembrei agora de um causo de hoje que fez eu se sentir dentro de um comercial de televisão ruim. Um velho entrou na banca e pediu a raspadinha tal, como não tinha ele saiu reclamando que não era mesmo o dia de sorte dele. Nem o meu.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Março 30, 2009

As aventuras do homem sem pênis

Tirinha surrupiada de Perry Bible Fellowship.

Abraço fraterno,
Márcio N.