diário #04

dezembro 15, 2014 § Deixe um comentário

Buchada

m. n. f. / 2014

RostoBunker

Um amigo meu que é gaúcho disse que sabe fazer churrasco. Nunca entendi qual é a grande habilidade que existe nisso, porque colocar carne no fogo é uma coisa que a gente faz desde as cavernas… é como fritar um ovo. Talento que me impressiona é o do sertanejo, que costura dentro do estômago de um bicho as vísceras dele, coloca pra ferver e depois reconhece: “eu faço uma buchada que não fede”.

diário #03

dezembro 15, 2014 § Deixe um comentário

Separamento

m. n. f. / 2014

natalrnbunker

Carta que acabo de receber de um movimento separatista em Natal.

(Abrem aspas)

Convido dois ou três amigos interessados em separar Natal do Continente.
Cavaremos uma vala à nossa fronteira, zarparemos da América de manhã cedo, flutuaremos pelos oceanos à maneira das calotas polares.
Seguiremos o rastro das baleias cachalote, das aves migratórias e das equipes da National Geographic ou do Wild On.
Nossa embarcação sem âncora não terá língua própria, nem cultura própria, nem nada que seja próprio.
Acostaremos em Cabo Verde, Ilha de Páscoa, Mozambique e Madagascar – ilhá, ilhá do amor. Com alguma sorte, chegaremos a Ásia surfando num tsunami.
Nossa moeda serão tampinhas de Heineken e, a nossa bandeira, qualquer peça de roupa que esteja para lavar.
Fundaremos um não-país e uma não-raça, fadada a ser extinta, como qualquer outra.

(Fecham aspas)

Isaac Newton

diário #02

dezembro 15, 2014 § Deixe um comentário

Um bom restaurante

m. n. f. / 2014

piano-bar-bunker

Na noite de ontem saímos pra jantar no restaurante que Duarte nos indicou. Era um lugar sofisticado, e de tão sofisticado havia um pianista tocando liquid jazz com apenas uma mão, visto que, como observei, não possuía a outra. De entrada, nos serviram pão molhado de quarenta reais; o que não tirou o nosso apetite de todo, e, portanto, pedimos o prato principal. Simpatizamos com um miojo de noventa reais; para acompanhar, harmonizamos com o vinho mais barato da casa, um cabernet sauvignon de oitenta reais; como o sommelier nos explicou, era a junção de duas excelentes uvas, a cabernet e a sauvignon. Muito felizes, aprendemos um pouco sobre bom vinho barato e ouvimos meia hora de meio piano antes de chegar o prato, o miojo, que comemos em seis minutos. Como continuávamos com fome, concluímos que seria mais vantajoso comer vinho ao invés de miojo e beber miojo ao invés de vinho; de maneira que pedimos mais dois pratos de vinho e uma garrafa de miojo. O último pedido foi, naturalmente, a conta. Ficamos muito contentes ao descobrir que foi calculada pelo Nobel de Matemática de 1996, mas também um pouco tristonhos quando percebemos que aquele velhinho simpático usava muitos zeros. Agradeci ao pianista por ele ter só um braço, já que não poderia imaginar quanto seria o couvert artístico caso ele ainda tivesse os dois. O pianista, ao que parece se sentiu ofendido, porque continuou a tocar com os pés e, com seu único braço, nos espancou violentamente. O segurança, um sujeito bastante apto fisicamente, e inteligente ao seu modo, interviu: e nos bateu também. Decidimos pagar a conta pacificamente e voltamos para casa a pé, porque ficaram com o nosso Uno.

diário #01

dezembro 15, 2014 § Deixe um comentário

Deixe

m.n.f. / 2014

Larguei o cigarro e o iphone.
Parando de fumar ganhei mais tempo.
Deixando o celular passei a usar melhor o tempo.

Há mais de dez anos, deixei a tv-tv.
Há sete, comecei a correr.
Há quatro, vendi o carro.
Há dois, comecei a correr a sério.
(correr todos os dias é abrir mão de algumas coisas).

Também já larguei São Paulo, Recife, Natal, Africa.
De vez em quando, existe uma recaída,
e volto para algum desses lugares, com excessão de Africa.

Primeiro crescemos acumulando coisas.
Depois crescemos nos desfazendo delas.

Tolstoi, já velho, se desfez de tudo.
Almejava uma vida simples e destituída.
Morreu mendigo, mas aparentemente feliz.

Uma mala pesada é inútil, atrapalha a viagem.
É recomendável uma mochila nas costas.
Pra mim, também um Niquitim 21mg colado.

Ambientalistas

outubro 18, 2013 § Deixe um comentário

Além invadir laboratórios, acabar com seu fois groiss e fazer você sentir-se mal ao demorar no banho, como ambientalista e membro da Frente de Libertação dos Ratitos (FLR), defendo o livre consumo de cigarro em ambientes fechados; inclusive o feito por crianças, gestantes e doentes terminais nos corredores de hospitais. O cigarro é a mais eficaz invenção prol-ecologia, de acordo com a OMS, já que elimina a origem de todos os problemas, cortando o mal pela raiz, esteja ela no pulmão, na garganta ou no miocárdio. Ademais, outros métodos, como o Napalm, se mostraram invasivos demais para o planeta: a cada cinquenta soldados mortos, um hectare de mata virgem era devastado. Ou como diria Trinity, em Matrix, que conseguia ser profunda e potranca ao mesmo tempo: “o homem é o câncer do mundo”.

Aos companheiros de mesa FLR – Frente de Libertação dos Ratitos,
e com um abraço fraterno,

Marcio N.

Água Mineral Vytautas

julho 30, 2013 § 3 Comentários

Ela vem das entranhas da terra.
Peixes e outros animais não tiveram a chance de cagar nela.
Vytautas é livre de cocô.
É Limpa.
É rica em minerais.
Minerais são bons para a digestão.
Digerem tijolos.
Digerem jaquetas de couro.
Digerem comida inglesa.
Digerem comida islandesa.
Digerem até um camelo dentro de um barco.
(O que provavelmente é um prato tradicional na cozinha islandesa).
Experimente o poder da digestão de Vytauras.
Faça você mesmo um sanduíche com um porco inteiro e dois ipads.
Ou, prepare aquele coquetel que você sempre sonhou.
Coloque num liquidificador: 1 Leite, 1 Banana, 1 Jato Supersônico.
Bata até decolar.
Acerte com um estilingue.
Vytautas dá energia, mas sem causar impotência.
Use essa energia para se divertir.
Pegue uma enguia elétrica.
Gire no ar rápido tão rápido que rompa a linha espaço tempo contínuo e viaje para o futuro.
“Isso é fuderosamente inacreditável” (Stephen Hawking)
Se não gostar de viagens no tempo, divirta-se fazendo outras coisas.
Faça um foursome.
Reúna uma galera para a suruba.
Se forem do mesmo sexo, tudo bem, tô nem aí.
Com Vytautas você vai ser tão sexy quanto um Tigre.
Não… Quanto um tigre dirigindo um Bugatti.
Não… Quanto um tigre dirigindo um Bugatti movido por uma energia mental do tamanho do universo.
Difícil de entender?
Não mais.
Os minerais da Vytautas são bons para o seu cérebro, também.
Com Vytautas as suas sacadas serão tão afiadas que você vai poder apunhalar vampiros com elas.
Vytautas é boa para a sua sorte, também.
E reduz drasticamente as suas chances de ser visto com coisas, como:
– Sandálias crock;
– Motorzinhos de dentistas;
– Mulheres feias…
Ou mesmo, de ser estuprado por uma gangue de pandas.
Mas você não tem medo de pandas?
Não esqueça que existem os outros estresses.
E o magnésio ajuda você a administrá-los bem.
Existem duas formas de administrar o estresse:
( ) Pensar neles
( ) Cagar e andar
Vytautas contém o Fator TCEA – Tô Cagando e Andando.
“O Fator TCEA pode desconstruir o universo como conhecemos hoje” (Stephen Hawking)
Sim, nós sabemos, e cagamos pra isso também.
Quer saber como é o gosto?
Pegue uma camisa verde de adolescente, um construtor civil e alguns animais selvagens.
Coloque tudo dentro de uma Jacuzi quente e deixe um cavalo suando em cima por duas horas.
Depois de sete dias de fermentação, vai ficar mais ou menos como a Vytautas.
Vytautas não é pra viadinho.
É para homens que podem ostentar toda a inacreditável potência dos minerais.
É mais colossal que um urso espacial espremendo o Planeta Terra pra fazer suco.
Vytauras é o SUCO DA TERRA.
Chupa!
Coloque Vytautas no seu trator, e ele vai trepar comer o cu de outros tratores.
Agora, pense rápido: você prefere queijos ou seios?
Seios? Resposta certa.
Quem escolhe seios, escolhe Vytautas. Porque ambos são igualmente bons.
Água Mineral Vytautas.
Cura a ressaca.
É boa pra você.
É O SUCO DA TERRA.

Assina com um gatinho engraçadinho, porque a internet adora gatinhos engraçadinhos.

São Paulo, França

junho 14, 2013 § Deixe um comentário

Manifestos-Sao-Paulo-Alckmin

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