Ciência

maio 28, 2013 § 2 Comentários

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Entenda a experiência neste artigo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Quem é Gerard Depardieu?

maio 28, 2013 § 2 Comentários

Depardieunato perpetua obra do gênio e emprega sósias.

Ainda que abalado pela decadência do cinema europeu, a tradição do departieunato celebra o gênio francês, garante o emprego a sósias e perpetua a sua obra em produções pontuais que só elevam a popularidade do mito.

Com feições tão familiares quanto um parente próximo, é difícil encontrar alguém que não tenha visto pelo menos um dos mais de duzentos mil filmes estrelados pelo bom e velho Gé. Popularidade essa que não vem de hoje. A carreira de Gerard teve início antes mesmo do cinema existir, e continuará a evoluir mesmo quando o cinema ruir. Enquanto houver um retumbante nariz dublê, haverá Gerard Depardieu.

O Departieunato teve início ainda nos tempos da monarquia. Em 1831, o grande “Depardieu I” – àquela época já conhecido em todo o reino – surpreendeu a crítica com uma morte dramática sobre o palco e diante do público, enquanto declamava “Retumbante Retumbância”, um ensaio de Goethe. O ator, que sofria de rinite alérgica, teve uma morte instantânea por aneurisma quando prendeu um espirro nas linhas finais do seu monólogo. Sim, ali mesmo, diante do seu último espirro, foi ovacionado de pé por quase uma hora até que finalmente percebessem a fatalidade que acometera o mestre.

Como um gesto de homenagem, mas também para conter a onda de depressão que ameaçava assolar o império, o Rei Luís Filipe I declarou a Eternização do grande ator num tributo que dura até hoje. Nos bastidores do reino, um novo Depardieu seria eleito com as mesmas características físicas e estilo dramático do primeiro e teria a honra de interpretar o maior personagem vivido por um ator: o papel de Gerard Depardieu. Arrancado da sua família e preso na masmorra de um castelo, sob torturas e intervenções cirúrgicas, o novo Gerard aprenderia seus mais sutis truques cênicos assumiria, por fim, a sua personalidade e sua identidade.

Um novo Gerard Depardieu deveria ressurgir a cada sequência de quatro anos bissextos, sempre no primeiro solstício, e o antigo Gerard seria guilhotinado sobre um palco como seu último ato, e saudado pela plateia com espirros.

A prática, abolida com a queda do império, ressurgiu somente no século vinte nos instantes finais do movimento Nouvelle Vague, quando veio a necessidade de novos ideais estéticos através de uma figura carismática em detrimento da antipatia francesa. Criaram, então, o Gerard Depardieu, como um contraponto à chatice de intelectuais e artistas de vanguarda.

Ainda hoje, os Gerards se reinventam entre bissextos e solstícios, Ainda na flor da idade, jovens de traços depardieuscos são arrancados da sua família, trancafiados em bunkers iluminados por holofotes e treinados por oficiais da DACEF (Departamento de Artes Cênicas do Exército Francês) até que atinjam a máxima perfeição dramática. Recentemente, no entanto, a cerimônia de posse do Depardieunato passou por um pequeno contratempo com explosivos quando extremistas confundiram a pronúncia de “Gerard” com “Jihad”, o que levou a comissão a adiar a escolha do próximo Depardieu ante a eminênia de uma guerra nuclear.

No mais, tudo tem corrido muito bem. Depardieu sobrevive às bombas e – como veremos – mesmo carregado de semblante artístico ainda serve de referência para o mercado de Hollywood.

A indústria americana criou a sua própria versão do Depardieunato; de tempos em tempos, a academia elege um ator inexpressivo e mediano para ocupar o posto de “choose one” –  cargo popularmente conhecido por “Keanu Reeves”, ator padrão pretenso a acidentes estúpidos, sendo substituído a cada erro letal de gravação. A trajetória de eternização do Keânus teve início durante as filmagens de Bill & Ted, em 1988, quando o primeiro deles foi fatalmente atropelado por uma cabine telefônica. Ainda assim, e graças ao advento do Departieunato, a carreira dos Reeves segue de vento em popa com os novos membros Keânus, a emplacar sucessos de bilheteria que só elevam a potência da franquia.

Mas vínhamos falando sobre Gerard Depardieu.

Gepardieu, Geparditu, Gepardieles. Os Gerards Depardieus são únicos e, salvo os seus substitutos passados e vindouros, nada é como eles. Ah, os Depardieus com seus semblantes nobres e abnegados, e que sorrisos complacentes! Em postura desafiadora nos encaram a apontar seus monumentais narizes, como se ali, metamorfoseado nas telas, já estivessem a analisar cada um de nós na escolha do seu sucessor.

Quem?… Quem?… Quem?…

Abraço fraterno,
Márcio N.

Sobre backups, spermcast e regabofes literários

janeiro 31, 2013 § 3 Comentários

não é muito diferente de esperma de craca

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Estamos em bom número. Curiosos em geral, procurando por qualquer coisa mais interessante que as fotos de facebook de uma tia-avó passeando na Argentina. Aos poucos, o interesse se perde e os olhos são atraídos para outro ponto: a televisão, um prato de feijoada, ou a foto da sua tia-avó dançando com Alexandre Tevez numa casa de tango. A essa altura, só restamos você e eu, aqui, nessa página desértica.

Em todo caso, vamos em frente:

Muito tempo atrás escrevi um texto que, se me recordo bem, tratava sobre temas como ereção e romances de cavalaria. Apesar de tudo, eu não apenas não apaguei aquela estória, como, durante anos, tive o cuidado de salvá-la a cada vez que meu computador era formatado. Mais tarde, fiz com amigos um backup mais eficiente: imprimimos em papel centenas de cópias do texto, que foi encadernado, vendido e guardado em estantes amigas.

Se algum dia um tsunami varrer o litoral do Rio Grande do Norte, o texto ainda assim estará a salvo – seco e empoeirado – em alguma estante de um lugar longínquo, como Minas Gerais, São Paulo e Africa, para onde foram enviadas algumas cópias. Eles continuarão protegidos, intactos como devem ser.

“O seu livro está seguro na minha casa”
“Tem certeza de que ninguém vai tocar nele?”
“Absoluta”

Amizade, consideração, formalidade. O fato é que por alguma razão as pessoas gostam de comprar livros que não vão ler. Num lançamento, por exemplo, você sabe disso: tem muito álcool, tapinhas nas costas, dedicatórias para se arrepender mais tarde e a sensação íntima de que o backup está dando certo.

Publicar um backup vale a pena mais ou menos pela mesma razão que existe a craca. Já ouviu falar nela? A craca é um crustáceo que vive aderido a uma pedra, e, como todo séssil, ele curte fazer spermcast – no caso, lançar o seu esperma nas ondas para que encontre uma parceira. Com um livro é a mesma coisa: você lança, e, se der sorte, ele encontra um leitor.

Sem ofensas,
e com um abraço fraterno.
Márcio N.

Se você quiser contribuir com o backup, basta comprar “O HOMEM DE FIRME DESTINO”, de Márcio Nazianzeno & Gabriel Novaes, pela editora Jovens Escribas, e guardar na sua estante. Bença.

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janeiro 22, 2013 § Deixe um comentário

Anúncios do livro. Neles, já dá para ver algumas das ilustrações de Gabriel Novaes.

Abraço fraterno,
Márcio N.

O Homem de Firme Destino, livro

janeiro 16, 2013 § 3 Comentários

Está pronto, e foi assim que ele ficou:

É um livro de literatura ficção, humor, reunindo os relatos do escrivão acerca do Homem de Firme Destino. O livrinho é assinado também por Gabriel Novaes, que trabalhou nas ilustrações.

A edição é dos Jovens Escribas e teve a gentil contribuição de Sérgio Fantini, escritor mineiro que conheci numa viagem para a Paraíba. Danilo Medeiros foi o responsável pelo projeto gráfico e tudo o mais foi feito às custas da paciência de Carlos Fialho.

O lançamento vai ser no dia 24 de janeiro, daqui a uma semana, no Solar Bela Vista, em Natal. Também por lá e nesse mesmo dia, Daniel Liberalino vai lançar o livro dele, “Corpúsculo Num Plano”, que é muito massa.

Quem quiser o livro e não estiver em Natal, é só acessar a lojinha dos Jovens Escribas e comprar pela internet.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Livro, em breve

julho 23, 2012 § Deixe um comentário

Está a caminho um livro, o meu primeiro.
Coloquei aqui algumas informações sobre ele.
Já está na editora, estão cuidando dele, e vai ficar fantástico.

Abraço fraterno,
Márcio N.

fábula #36

julho 22, 2012 § Deixe um comentário

Mandamentos do Senhor Gato

m.n.f. / 2011-12


Contam de um gato que descera do alto de um monte trazendo em seus dentes farrapos de pano – aparentemente arrancados de um sofá – e de onde se podia ler aos seus mandamentos aos homens.

I
Eu sou o teu SENHOR GATO, jamais terás outras prioridades diante de mim, tu me darás casa da servidão.

II
Não farás para ti imagem de escultura; salvo, claro, a taxidermia nos cães mortos ou vivos; e jamais no SENHOR GATO, pois saberdes de que não há necessidade de empalho naquele que, quando pouco, tem sete ou mais vidas.

III
Não adorarás outro bicho senão mim (exceto, talvez, um peixe em aquários destampados); não te encurvarás a eles nem os servirás; porque eu, o SENHOR GATO, sou matreiro, que visito a indiferença dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam.

IV
E faço negligência a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.

V
Não tomarás o nome do SENHOR teu Gato em vão; porque o SENHOR GATO não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão; e jamais atenderá ao chamado; abster-se-á em lamber-se nas patinhas.

VI
Lembra-te do dia do sábado, para santificar o SENHOR GATO com comida. E não esquece-te de todos os outros dias da semana, do mês, do ano, da vida.

VII
Sete dias trabalharás, nenhum descansarás, e corrigirás toda a minha obra.

VIII
Porque nos sete dias habitou o SENHOR GATO o alto dos muros e a terra, as casas e tudo o que há nelas , e em cochilos descansou; portanto abençoou o SENHOR GATO o sono descompromissado, e o santificou.

IX
Honra a teu pai e a tua mãe bem como ao teu SENHOR GATO, para que se prolonguem os teus dias na terra.

X
Não matarás ratinhos e passarinhos, pois destes dará conta o teu SENHOR GATO.

XI
Não adulterarás, acariciando um cão ao teu gato. Os cães são mordedores e cheiram mal.

XII
Não dirás falso testemunho contra o SENHOR teu Gato, pois qualquer testemunho teu é falso; pois sou o teu SENHOR GATO e dono da única e verdadeira razão da terra.

XIII
Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. Cobiçarás somente bife, e o furtarás, para servi-lo ainda quentinho ao teu SENHOR GATO.

XIV
Tenha sempre um gato em casa, pois abençoado é a reino do SENHOR GATO.

E desde então os homens o têm como profeta; veneram-no, o Senhor das suas casas.

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