Fábula #38

dezembro 25, 2014 § Deixe um comentário

O duende teimoso
m.n.f. / 2014

Era uma vez um duende que tinha uma boa estatura, orelhas ovais e  uma voz que, exceto quando pega um resfriado, não parecia em nada a voz de um desenho animado: tinha a aparência do mais comum dos homens. Ainda assim, há nessa estória um duende e isso é um bom começo.

Trabalhava autenticando documentos.

— Bom dia. Em que posso ajudá-lo? — disse o duende.
— Você não está me reconhecendo? — disse um velho.

Com a barba longa e ar profético, o velho lembrava um velho mago.

— Sou eu mesmo, seu professor de matemática do primeiro ano.— completou o velho.
— Ah, há quanto tempo! — disse o duende ligeiramente decepcionado.

Que era um duende, disso nós sabemos e ninguém mais. Até um dia.

Como de hábito, o duende voltava para casa cantarolando uma canção incompreensível de duendes.
Era justamente o que fazia quando, vindo de um beco, uma voz que parecia a de uma perereca sendo estrangulada.

— O hino das três luas da floresta negra!

Ele jamais poderia esquecer aquela voz encantadora.

— Bruxa, o que faz aí? Eu achava que você já tinha morrido. — disse o gnomo.
— Bruxas não morrem! Agora, venha me ajudar a encontrar uma perna de gafanhoto. — disse a bruxa.
— Vai fazer uma sopa? Então acho bom procurar também baratas — concluiu o gnomo.
— Sim, eu sei que você adora, meu rapazinho! — disse a bruxa.

Conversaram bastante tomando uma sopa de perna de gafanhoto e asa de barata.

— Será que estamos velhos? — perguntou a Bruxa.
— Não, o mundo é que está. — disse o Duende.

Moral: sábia é a criança teimosa, que não abre mão do que gosta só porque cresceu.

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