fábula #35

novembro 15, 2011 § Deixe um comentário

Formigas

m.n.f. / 2011

Era uma vez uma colônia de formigas que se comportavam como pessoas, ou uma colônia de pessoas que agiam como formigas; tanto faz.

Os pontos se organizavam em filas, amontovavam-se em aglomerações nervosas, moviam-se o tempo inteiro; andavam por baixo da terra em metrôs e outros túneis, sempre de cá pra lá e de lá pra cá. Saíam logo cedo de casa para o trabalho, e só à noite voltavam para dormir. Quando o fim de semana chegava, não sabiam exatamente para onde ir.

Certo dia, dois espécimes caminhavam na calçada. Usavam terno e carregavam cada qual uma maleta.

— Qual é a boa de hoje?
— Hoje vamos nos reunir para devorar um boi.

O outro tinha planos diferentes.

— Já eu, vou para casa reproduzir.
— Maravilha! Com mais de nós, vamos dominar o mundo.

As formigópolis ficavam cada vez mais lotadas e espalhavam-se por todo o globo. Os habitantes de cada colônia consumiam tudo o que lhes fosse possível, até que nada mais restasse.

— O que é aquilo?
— Onde?
— Lá em cima.
— Estranho… parece um pé.

Ploft.

A pisada que esmagou-lhes é lembrada ainda hoje com muito pesar. Que azar, que azar…

***

Moral: ninguém é tão grande ou importante quanto se imagina, e algumas coisas fogem ao controle; o mais seguro é viver em equilíbrio.

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