fábula #33

outubro 18, 2011 § 1 comentário

Lago, buraco e campinho

m.n.f. / 2011

A vila fora construída às margens de um bonito lago; mas parou de chover e o lago secou, de maneira que essa é a história de uma vila à beira de um grande buraco.

— Aqui costumava existir um lago – diziam os mais velhos.
— O que é um lago? – perguntavam os mais novos.

Uma vez o prefeito em pessoa pediu ao homem da previsão do tempo para que anunciasse chuva, mas nem assim ela veio, e o homem foi demitido.

Aos poucos a população conformou-se com o buraco e ele ganhou uma nova finalidade, a saber: o futebol. Os jogos aconteciam no fundo e  as pessoas reuniam-se em volta para assistir, havia torneios e até um pipoqueiro.

Era final de campeonato, o time da casa perdia de um a zero quando o centroavante empatou. Todos pensaram que fazia parte da comemoração os raios, relâmpagos e trovões que sucederam o gol. As nuvens fecharam o céu, uma grossa chuva despencou e todos correram para se proteger. Foi uma tempestade daquelas.

Ao fim de cinco dias e cinco noites, o lago estava de volta.

Ainda hoje, nas pescarias, alguém de vez em quando comenta:

— Aqui costumava existir um campinho.

***

Moral: nada é definitivo, ainda bem: toda mudança tem um lado bom.

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