fábula #21

agosto 31, 2011 § 2 Comentários

O gato pianista

m.n.f. / 2011

Kätzchen Schnurren, encontrado a sete de julho de 1777 em uma caixa de sapatos em Viena, foi um prolífico e influente compositor do período clássico. Adotado pela tradicional família Essenfelder, ainda aos três meses de idade compôs a sua primeira sinfonia: Die Maus läuft weg (“rato em fuga”), ópera acidental de quando Kätzschen, em caça, saltara sobre o piano. Mas foi somente meses mais tarde, com a alegre sonata Tanz der Schnurrhaare (“dança dos bigodes”), que o prodigioso talento veio a ser revelado.

Não tardou para que o gênio de Kätzchen o levasse a trilhar novos caminhos. Dos monótonos recitais familiares, passou a apresentar-se nos bordéis da zona boêmia em troca de peixe. Tal período é atribuído ao desenvolvimento de sua apurada linguagem e conteúdo musical, descrito pelo renomado crítico Alergicchen Spirruss como “um sopro de vida mesmo nos que sofrem de rinite alérgica”.

Autor de mais de 400 obras, em meados de 1780 Kätzchen fundou a Filarmônica de Viena e dela tornou-se regente, o que lhe traria prestígio e fama por toda a Europa; mas que, no ano seguinte, entraria em conflito com o temperamento de natureza indomável do artista.

Em março de 1781, na coroação de José II, Kätzchen teve a sua mais controversa apresentação. Executava o segundo movimento do concerto para piano N.42, Sonett von gespickt (“soneca de pelos eriçados”), quando, fascinado pelo farfalhar do vestido da Madame Gordelle, herdeira do imperador Optetilus Carnudus III, saltou felino sobre a plateia. A corte e as dinastias, os convidados e os servos, exceto pela orquestra já habituada às excentricidades do maestro, todos entraram em pânico ante a imagem da dama a desvencilhar de seu corpo o grande Kätzchen Schnurren.

— Detenham-no, detenham-no! Há um gato no palácio! Como isso pôde acontecer? – alguém ainda gritou, antes de Kätzchen fugir pelo portão.

Moral da história: seja você mesmo; mais vale o que você quer para si do que o que esperam de você.

***

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§ 2 Respostas para fábula #21

  • Igor Andrade disse:

    Cada dia mais non-sense. Cada dia mais, espero pelo próximo chegar.

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  • Cara, ontem sonhei que um besouro pulava nas costas de um peixe e o peixe saía nadando com o beseouro nas costas. Na hora você se inspirava para escrever a fábula “O Besouro e o Peixe”, mas, infelizmente, acordei antes que pudesse lê-la. Poderia, por gentileza, publicar esta fábula para que eu não morra de curiosidade?

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