fábula #17

agosto 24, 2011 § Deixe um comentário

O redemoinho que o caracol tem

m.n.f. / 2011

Era uma vez, e são infinitas vezes, as rodopiantes voltas do redemoinho no casco do caracol. O redemoinho começa na cabeça e converge para o estômago; e, antes de tudo, já havia começado e acabado infinitas vezes; e nunca portanto terminou.

O caracol, que não era bobo nem nada, aproveitava para se refugiar no casco à iminência de qualquer perigo. Como, por exemplo, um gato.

— Que lesma estranha, mas vou comer assim mesmo – dizia o gato.
— Era só o que me faltava, caninos em felinos… –  resmungava o caracol, já todo encaracolado.

O gato, observando aqueles embriagantes contornos de redemoinho, perdia-se em si mesmo: “quem sou eu, onde estou, por que está tudo girando?”, miava, antes de saltar alucinado o muro do quintal.

O casco era um mecanismo de defesa do caracol, e o redemoinho, o mecanismo de defesa da própria Terra; onde tudo se renova para todo o sempre. O lesmóide virando caracol; as folhas e insetos tornando-se alimento; o caracol decompondo em húmos; o húmos sendo absorvido pela planta; e a planta servindo ao próximo caracol.

O redemoinho continua hoje, continuará redemoinho amanhã, e depois disso, ainda redemoinho. Quanto ao gato fujão, ele nunca mais foi visto.

Moral da história: na vida tudo passa e tudo permanece; faça bom proveito dela.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento fábula #17 no Querido Bunker,.

Meta

%d blogueiros gostam disto: