fábula #12

agosto 18, 2011 § 2 Comentários

O poço e a lua
(apólogo)

m.n.f. / 2011

Era uma vez um poço, que, à maneira dos poços, era um otimista. Como para baixo era chão e para os lados também, o único ponto de vista possível era olhar para cima.

Observava as nuvens, os dias, as noites, os pássaros que passarinhavam.

“Mais um dia que vejo amanhecer, bom dia para você.” – ecoava o poço.

O balde há muito não caía. Diferente da noite, que caía sempre.
Constelações interagiam como em um teatro de bonecos.

— Alguém viu a princesa Andrômedra por aí? — perguntava Draco, o dragão.
— Desde que Perseus decapitou a Medusa, a princesa enamorou-se dele — explicava Ursa Minor.
— Por mil fagulhas, Perseus decapitou a Medusa? — dizia o Dragão
— Juro pela minha Estrela Polar — confirmava Ursa.

Em alguns momentos, e foram muitos, a noite chegava clara feito o dia.

— Oi, quem é você com a luz acesa? – perguntava o poço.
— Oi, poço. Eu sou a lua. – cumprimentava a lua.

O encontro era rápido e cada um seguia o seu caminho.
E, noite após noite, a lua sobrevoava o poço que se iluminava.

— Como é a vista aí de cima? – perguntava o poço.
— A mesma daí, só que ao contrário – brincava a lua.

A Terra continuava em seu giro contínuo. O poço com ela, e a lua por ela.

Moral: o mundo dá muitas voltas, daí o enjoo; é a vida seguindo o seu fluxo, logo tudo está no lugar certo.

***

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