fábula #09

agosto 13, 2011 § Deixe um comentário

O enigma da escada

m.n.f. / 2011

Era uma vez uma escada que não levava a lugar algum. O problema não era não haver nada no topo, o problema era ter o nada de sobra. A escada era no início o chão, seguido por batentes replicados até não ser mais chão, batente ou escada. Parecia, deste modo, uma invenção inútil.

Filósofos reuniam-se em volta do objeto.

— Para que alguém subiria a escada se não há nada lá em cima?
— A escada talvez tenha sido feita para descer, não para subir.
— Mas descer de onde, se não há nada lá?
— O nada não existe.
— Nada existe, logo tudo é nada.
— Vamos tomar uma sopa?
— Oba!

Como também, engenheiros.

— Usaram concreto, mas não usaram a cabeça – dizia um deles.
— E se construíssemos um elevador para subir a escada? – sugeria o outro.

As discussões pareciam não ter fim. Até que um dia, teve.

Sem que percebessem, o tempo galopava em sua marcha constante. Logo, não existiria mais engenheiros ou engenharia; não existiria mais filósofos ou filosofia; não existiria mais homens, mulheres, humanidade. E tudo o que existiria era a escada.

Moral da história: nem tudo precisa fazer sentido para existir, apenas existe e pronto.

***

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