fábula #07

agosto 12, 2011 § Deixe um comentário

O pescador e o peixe

m.n.f. / 2011

Esta não é uma história de pescador, é uma história de peixe. Era uma vez, portanto, um pescador qualquer e o peixe.

O pescador era um homem magro com a pele queimada de sol e pescava qualquer coisa que o seu anzol fisgasse. De certa feita, além da cesta de peixes trouxe em sua jangada um pneu velho.

− Hoje peguei um dos grandes − dizia orgulhoso, exibindo o pneu.

No fundo do mar, o coral de pneus era um coral sem vida. Não havia comida e quem por lá se perdesse correria sérios riscos. Foi o que acontecera ao peixe que, faminto, mordeu uma isca.

— Fisgou! Fisgou! − vibrou o pescador.
— Ai de mim! Ai, minhas gelras! − gritava o peixe.
— É só uma piaba, mas vai pra panela. − disse o pescador.
— Por favor, deixe-me viver… − implorava o peixe.

Chegando em casa, o pescador pediu à esposa para que preparasse o jantar.

— Mas que peixinho miúdo, você deveria ter soltado − disse a mulher.
— Esse aí me custou uma isca! − esclareceu o pescador.

A esposa do pescador era uma excelente cozinheira e, mesmo cheia de dó, preparou o peixinho. Era tão pequenino que fora comido de uma só garfada.

— Argh! Uma espinha! − disse o pescador, sufocando.
— Homem de Deus, você está roxo! − anunciou a esposa, desesperada.

O pescador engasgou, sufocou e debateu-se, para então finalmente arriar a cara imóvel sobre o prato. Morreu como um peixe.

Moral da história: jamais faça aos outros o que não deseja a si próprio; a espinha é a vingança do peixe.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento fábula #07 no Querido Bunker,.

Meta

%d blogueiros gostam disto: