fábula #06

agosto 12, 2011 § Deixe um comentário

O cachorro e o porcoou o porco e o cachorro

m.n.f. / 2011

Era uma vez um porco e um cachorro que não sabiam a diferença entre um porco e um cachorro. Cada um tinha quatro patas, uma cauda, duas orelhas, nariz, pelos, boca e um par de olhos que funcionavam muito bem; tão bem, que não podiam fazer distinção entre um porco e um cachorro.

Como os porcos são mais inteligentes que cachorros, o porco geralmente influenciava o amigo em seus hábitos.

— Delícia de lama – dizia o porco, todo enlameado.
— Au, au! – concordava o cachorro.
— Nos dias quentes, nada refresca tanto – continuava o porco.
—  É, e faz bem à pele! – completava o cachorro.

Em outros momentos, era o cão que ensinava ao porco sobre a vida.

— Como esse carteiro corre! – latia o cão, ofegante.
— Agora que já o alcancei, o que faço? – berrava o porco.
— Morde, morde! – latia o cão.

As canelas do carteiro ostentavam uma coleção de cicatrizes deixada por todas as raças caninas conhecidas hoje, e isso não era problema. Mas, ser perseguido por um porco a ele não tinha o menor cabimento. Em estado de choque, o carteiro se abstinha a correr, correr e correr; lutando pela vida e pela lógica.

A amizade dos dois só crescia e o convívio era tanto que mal dava para perceber quem era quem.

— O milho é uma rica fonte de energia – disse o porco, ou o cachorro.
— E faz bem aos dentes… – concordou o cachorro, ou o porco.
— Ei, aquele ali não é o carteiro? – rosnou o porco, ou o cachorro.
— Grrrrrr!!! – grunhiu o cachorro, ou o porco.

O carteiro chegava sem a correspondência. Ao invés disso, trazia uma bandeira branca em sinal de paz. Com um jeito abnegado, falou aos dois:

— Virei uma piada para os meus amigos do trabalho. Tudo porque me viram ser perseguido por um porquinho. Sou um homem de reputação ilibada e estou aqui para pedir trégua.

Cachorro e porco, porco e cachorro, apenas mostraram os dentes.

— Peraí, qual de vocês é o porco? — disse ainda o carteiro, antes de fugir.

Moral da história: aparência não significa nada, o que importa são as atitudes.

***

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