fábula #05

agosto 11, 2011 § Deixe um comentário

Reflexões de um poste de iluminação

m.n.f. / 2011

O poste de iluminação passava as noites em claro, sempre a refletir. Era uma vez, e eram muitas vezes, os pensamentos deste poste.

“Sou um poste de iluminação. De tanto olhar para o chão, já estou corcunda.”

O poste resmungava não porque havia um motivo, mas porque não parecia ter muito mais a fazer. Por conta disso, a sua luz era tão fraca quanto a de uma lamparina.

“Quem me dera ter amigos…”

Tudo o que via era o meio-fio, os paralelepípedos, a calçada, o cachorro. Além disso, os braços pesavam com os passarinhos amontoados nos fios; já tentara acuar com choques elétricos, mas nem isso adiantava.

“Nada acontece… nada!”

Um dia, porém, algo aconteceu.
O beijo de um casal de namorados aos seus pés.

“O que é isso?”

O poste iluminou-se como nos velhos tempos de jovem.

“Então é isso… é isso!”

Finalmente enxergou a verdade; iluminava o palco onde a vida real era encenada.
Se antes acreditava olhar para baixo, agora a tudo via de cima.
Se antes incomodava o estar parado, dessa vez entendia estar no lugar certo.

Amigos, nunca lhe faltaram.
Havia o cachorro, que nas noites de frio aquecia-lhe as canelas com o xixi.
Sem mencionar os pássaros, a cantarolar nos fios que remetiam a uma partitura; a legião de amigos empoleirados em seus braços.

E como passou a gostar de iluminar o meio-fio, a calçada, os paralelepípedos, os namorados e o cão, o poste de iluminação!

Moral da história: jamais deixe se abater; se um poste pode erguer a cabeça, você também pode.

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