fábula #04

agosto 11, 2011 § Deixe um comentário

O graveto que queria ser machado

m.n.f. / 11

Era uma vez um graveto que sonhava em ser machado. Ainda gravetinho, sempre dizia aos mais velhos: − “Quando crescer, eu quero ser machado” − e, com tamanho disparate, todos agitavam os seus galhos.

Quando o gravetinho finalmente cresceu, foi encontrado por um lenhador e levado a uma aldeia próxima; lá, instalaram em sua cabeça uma vistosa lâmina de aço, fazendo do graveto, machado.

De tão vaidoso, o graveto passou a exibir-se por toda a floresta. A sua presença era temida pelos outros gravetos que tremiam como nas ventanias de inverno; e não só eles, como também os bichos, as árvores e até mesmo os cupins não gostavam do graveto que virou machado.

Certo dia, o graveto admirava o seu próprio reflexo na cristalina lagoa do Senhor Sapo.

− Mas que belo machado sou eu! − dizia a si mesmo, orgulhoso.
− Você não é um machado, você é só um graveto cabeça dura − galhofou o sapo.

Da maneira em que estava, prostrado sobre a planta aquática, o sapo lembrava um gênio no tapete mágico.

− Eu sou um machado! − disse o graveto.
− Se você é mesmo um machado, derrube aquela árvore − provocou o sapo.
− Por que eu derrubaria uma árvore? − indagou o graveto.
− Por que é isso o que um machado faz, graveto! − concluiu o sapo.

O graveto ficou furioso e saltou para cima do sapo. O sapo nem precisou fugir, porque machado e graveto afundaram juntos no lago. O sapo mergulhou para ajudar.

− Socorro! Por que estou afundando? − berrava o graveto, que antes sabia flutuar.
− É o peso, você precisa se livrar dele.

O graveto abandonou a lâmina e emergiu para a superfície. Feliz, por não ser mais machado.

Moral da história: é melhor ser um graveto do que um machado de consciência pesada.

***

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