sobre amor, macacos e armas de fogo

agosto 9, 2011 § Deixe um comentário

Quando você admite que não passamos de um bando de macacos com a barba feita, de repente se dá conta que não há nenhum grande mistério sobre a humanidade. Ao longo do tempo aprendemos a costurar roupas, a operar máquinas, escrever livros, construir armas de fogo… e isso de algum modo nos levou a acreditar que somos especiais. A boa notícia é que talvez a gente não tenha mudado tanto quanto se imagina. As nossas manias, por exemplo, continuam as mesmas. Antes vivíamos no topo das árvores, agora construímos arranha-céus. Imaginemos o primeiro macaco engenheiro: “hum, essa árvore não é confortável, vamos fazer uma de cimento e instalar camas dentro”; dando origem ao primeiro apartamento, ou motel. Hoje, queremos um apartamento na cobertura e sonhamos em lá cultivar um jardim. Morar em uma cobertura traz a mesma sensação de conforto dos nossos antepassados quando viviam lá no alto; nos sentimos bem e estamos dispostos a pagar mais caro por isso. Reavaliando as coisas, não sei se valeu o esforço de tantos mil anos atrás aprender a manusear armas, descer das árvores e caçar; se depois voltaríamos aos edifícios com medo das nossas próprias armas. Ainda hoje, mantemos as nossas tradições e ensaiamos os passos das cirandas homicidas em cada beco escuro de metrópole. Na opinião dos macacos mais inteligentes de Harvard, a paridade genética entre um humano e um chimpanzé é de 97%; é muita coisa, mesmo, uma diferença menor que a do iphone 1 para o iphone 2, mas com mais aplicativos. Em minha amacacada hipótese de símio, essa distorção de 3% representa algumas poucas características humanas que nos distinguem dos nossos avôs chipanzés. A primeira, é a evidente ausência de pelos corporais (exceto na região pubiana, departamento em que não nos diferimos tanto assim dos bichos); depois, a criação da moral e da honra, as bandeiras e as guerras; e finalmente o mais humano dos sentimentos que foi a invenção do amor romântico. O amor, na opinião de um homem, é quando deixamos de ser primitivos. Na opinião de um macaco, é quando nos preservamos – instinto, como dizem. O ponto de acordo entre a época deles e a nossa é que, sem esse fator, continuamos na mesma: apenas macacos sempre, mas com automóveis ao invés de cipós.

A propósito, você viu isto?

Abraço fraterno,
Márcio N.

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