II Mostra Pornô Independente _Sci-Fi

outubro 13, 2008 § 4 Comentários

Ventosas em Fúria, uma das revelações da Mostra.

É com muito prazer e as mãos em carne que incluo aqui somente o crème de la crème da II Mostra Pornô Independente, que reuniu neste respeitoso recinto os melhores filmes da Pornografia Geek.

1. Anais de Saturno

Este filme na verdade não se passa em Saturno, mas em Marte. Ao que parece, a tradução brasileira desprezou totalmente a coerência científica em detrimento de exigências comerciais; e, apesar do título desastroso, é um filme dos melhores: cientistas da NASA descobrem que rochas vulcânicas são estimuladas sexualmente quando observadas por satélites espaciais. O voyeurismo, imagino, é a idéia chave desta estória que retrata a rotina de cientistas habituados ao exercício solitário da masturbação para pedaços de pedra, via esverdeados monitores da agência espacial americana. Numa tentativa de driblar a rigidez da censura e ampliar a classificação indicada, em momento algum do filme há penetração, não configurando o ato sexual clássico. Os bastidores revelam ainda outras curiosidades: para interpretar as rochas vulcânicas foram utilizadas atrizes com problemas de frigidez, e o tempo inteiro elas se comportam como pedras, imóveis e inexpressivas. Razoável, mas meio morno.

2. O Buraco Negro de Samanta

Samanta é uma advogada bem sucedida que descobre ter um buraco negro alojado na vagina. Apesar de não muito bonita, Samanta exerce uma forte atração por onde quer que passe, isso porque a estranha força gravitacional atrai para suas regiões genitais toda e qualquer massa encontrada ao seu redor: homens, mulheres, jovens, velhos, objetos cônicos (quais hidrantes e postes), cavalos etc. Samanta, aflita com a maldição lançada sobre seu senso de decência, parte numa empolgante jornada em busca do único homem que poderia solucionar seu problema: um cientista marroquino cujos dotes lhe serviriam para vedar o buraco negro à maneira das rolhas. Por fim, o marroquino e Samanta copulam animadamente, o planeta é salvo e tudo termina bem.

3. Ventosas em Fúria

Em expedição ao Planeta Clitorium tripulação de astronautas enfrenta sérios problemas ao se deparar com uma civilização de ventosas que se alimentam de sêmen. Como se percebe, este é um filme repleto de ação, com muitos efeitos especiais e cenas de combates espaciais com tiros de jatos a laser. A trama, revelada entre cenas de sexo entre ventosas e humanos (o que provavelmente muito choca as pessoas sensíveis, acometidos pela ejaculação precoce), mostra uma população dividida em três grupos: orais, anais e vaginais – a raça dominante e que vem perdendo sua hegemonia nos novos tempos. Tortuosas batalhas são travadas entre os povos, sugando até a última gota de energia das vítimas, pobres homens aflitos. Após muita peleja, o enredo toma novo rumo, agora mais panfletário, com um tratado de paz estabelecendo o convívio harmônico entre orais, anais e vaginais. O que sucede: Astronautas integram a população de Clitorium, ventosas vivem tempos de bonança e o filme encerra com um inspirado discurso pacifista proferido por uma genitália. Esta é, a meu ver, uma mensagem educativa para as crianças que por ventura venham a assistir ao filme escondidas dos pais.

4. A Mulher Elástica

Como não poderia deixar ser este filme começa com uma incrível seqüência de abertura (e este é um início e tanto) colocando à prova os limites da resistência humana e sobretudo os limites da própria razão: o filme dispensa efeitos especiais mesmo nas cenas em que a mulher elástica explora toda a sua flexibilidade, em momentos de pura tensão. Uma crítica: a utilização de enquadramentos que não dão a menor chance para a imaginação comprometeram a sensualidade do filme, que erra a mão na medida entre pornografia e ciência – esta sim, bastante explorada no campo da anatomia humana. Por sorte, e para alívio dos pagantes da mostra, o filme conta com um bom argumento: um acidente nuclear na cidade de Chenabill confere habilidades especiais a Chuparova, uma camponesa russa de 18 anos de idade, seios convincentes e um intenso furor uterino. Se você ainda não viu, provavelmente não verá jamais: ele tornou-se uma raridade quando a atriz que interpreta Chuparova admitiu ter 70 anos quando as filmagens foram realizadas, o que levou ao recolhimento das cópias.

5. A vida íntima dos robôs

Atendendo aos fetiches mais obscuros dos mais perversos geeks, este filme de mecânica pesada mostra sem qualquer constrangimento as mais explícitas cenas de parafusos sendo inseridos em roscas, placas encaixadas em plots, luzes e leds frenéticos, algoritmos complexos, bips sensuais etc. Na cena de maior apelo, e que produziu um urro conjunto nas gordurosas salas do Bunker, um antigo PC 486 era totalmente formatado ali mesmo, em frente às câmeras. Obrservação: Desaconselhável para pessoas com vida sexual ativa.

6. Time Machine – Travessuras através do tempo

Em um colégio interno japonês estranhos incidentes ocorrem quando é encontrado um misterioso vibrador capaz de fazer as pessoas viajarem no tempo. A meu ver este foi apenas um recurso dos roteiristas para explorar fantasias inéditas ao longo da História; porque as seqüências seguem um padrão: numa hora uma colegial brinca em sua cama e, no instante seguinte, está em um contexto totalmente novo em algum lugar sujo perdido na História. Na idade média, no período colonial, na civilização maia, e, na cena da caverna, temos uma colegial japonesa mandando ver com o primeiro Homo-Erectus. Mais adiante, em um mundo futurista dominado pelas máquinas, temos pistas substanciais sobre a origem do estranho brinquedo.

7. Abduza-me, por favor

De longe, o mais divertido filme da mostra: num sábado à noite, grupo de alienígenas adolescentes decide perder a virgindade no Planeta Terra e logo se tornam uma grande novidade para as garotas. Conhevenhamos: se carros importados impressionam algumas mulheres, espaçonaves com luzes multicoloridas e design arrojado são sucesso garantido – sem contar que, mesmo quando a fêmea não é atraída à espaçonave por livre-vontade, ela pode ser abduzida facilmente ao mínimo toque de um botão. Agora, uma curiosidade do filme, talvez a que mais tenha rendido bons momentos, são os desencontros ocorridos entre as duas espécies durante o sexo. Cuidado, portanto: embora o filme mostre o contrário, ouvidos e narinas não estão aptos para a penetração.

8. Tentáculos & Tentações

Neste clássico do pornô moderno uma bióloga se apaixona por um polvo modificado geneticamente e que se chama Valtenor. Com claras referências a “20.000 Léguas Submarinas” e “Garganta Profunda”, o filme rende cenas de tirar o fôlego nesta comédia romântica para maiores. Efeitos especiais primorosos dão um tom único ao filme, sendo o Polvo interpretado por um molusco de verdade e a mulher feita totalmente por computação gráfica. Alguma cenas do filme você pode conferir aqui, salvo, claro, se você não estiver usando o computador em um cantinho todo seu.

9. O Homem Elefante

Original dos anos 1940, este longa-metragem provocou uma onda de constrangimento nas videolocadoras nos últimos anos. Não foram poucas as pessoas que, ao procurar pelo filme de David Lynch, acabaram por esbarrar com este clássico do Pornô–B. Acontece que o filme de D.L. é um plágio descomunal, diga-se, tão descarado que copia sem o menor pudor os mínimos (perdão pela injustiça do termo) detalhes do original: o filme do surrealista também tratava de uma aberração cuja tromba grotesta se acentuava no rosto, como se por estar alguns metros deslocada ninguém perceberia a semelhança. Sim, o plágio está na cara.

10. O homem invisível, a mulher invisível e o cavalo invisível

No País das Pessoas Invisíveis todos fazem sexo o tempo inteiro e, por mais que neste lugar seja impossível se enxergar qualquer pessoa, o filme tenta mostrar as mais obscenas perversões sexuais praticadas por qualquer homem, mulher ou equino. Sem utilizar qualquer ator ou atriz durante as duas horas de filme, onde tudo o que podemos ver são paisagens desérticas (onde teoricamente pessoas invisíveis estão trepando) ambientadas com o áudio extraído de filmes pornô antigos. Mas o filme dá conta do recado ao cativar a imaginação dos espectadores. Por exemplo: na cena do sexo na cachoeira tudo o que vemos é uma cachoeira, e o áudio de alguém se divertindo; na suruba da universidade tudo o que vemos são carteiras universidade vazias, e o áudio de duzentas pessoas se divertindo; na cena da aberração em um celeiro tudo o que vemos é o celeiro, e o áudio de um filme do Zorro. Para mim, ver este filme foi como assistir a uma daquelas telas um videokê – mas ao invés de uma música fodida, eu ouvia o som de pessoas fodendo.

Abraço fraterno,
e com o devido respeito,
Márcio N.

Confira a I Mostra Pornô Independente, aqui.

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