Como se locomover de um bar a outro em tempos de Lei Seca (beber, bater e atropelar)

julho 24, 2008 § 6 Comentários

O Bunker resoveu investigar a fundo a Lei Federal que vem prejudicando donos de bar e de agências funerárias, e testamos os métodos mais populares para driblar a restrição de álcool no trânsito. Aqui estão alguns deles, ou pelo menos os que conseguimos lembrar.

Política do suborno

“Se a lei é seca, a mão do guarda é molhada.” Já diziam os saudosos amigos Aleatório e Anônimo, que conheci na ocasião da primeira vez em que fui atropelado. São eles, certamente, uma ameaça seriíssima nas ruas (eventualmente calçadas), e se os seus processos fossem empilhados em um dia de pouco vento alcançariam facilmente a lua. Somente duas coisas habitam a manga da camisa de seda de Aleatório: manchas de batom barato e suborno. Se numa blitz pedirem para que faça o teste do quatro, Aleatório diz que esse é pra amador e esnoba fazendo o teste do quarenta mirréis. O outro amigo, Anônimo, não enfrenta tantas implicações legais mais sérias, uma vez que seu nome verdadeiro ainda não foi desvendado, invalidando, assim, qualquer retaliação judicial maior. Eis que procurei avaliar o método do suborno (não mais chamado de ajuda da cervejinha: agora é do cafezinho, que é pra dar exemplo), e com 10 reais no bolso e uma garrafa de Pitú a tira-colo voei no meu Celta 1.0 pela Avenida Roberto Freire. Passei por uma blitz sem qualquer problema maior, atropelando fatalmente dois policiais de plantão e mais tarde utilizando os 10 reais num lava-jato para tirar manchas de sangue do capô.

Animais orientais exóticos como meio de transporte

Um método bastante eficaz seria substituir o seu veículo convencional por um outro de tração animal, ou somente pelo próprio animal, como é o caso do Método Camelo de Embriaguez Responsável. Para aqueles que procuram uma opção mais em conta, o Dromedário é um modelo que, embora menos anatômico e de menor capacidade, pode também quebrar um senhor galho. Pois bem. Uma vez em posse do seu animal, invista no design do conjunto: vista um turbante de boa seda, tenha um livro de Mallanâga Vâtsyâyana e carregue uma espada árabe bem lustrada. Se você é homem, a indumentária é algo que pode realmente impressionar as mulheres. Provo. Um teste rápido pela orla da praia de Ponta Negra foi o suficiente para que eu montasse meu próprio harém, com todas as escravas empilhadas nas costas do animal e também nas minhas. O harém quase me leva a ruína, já que cada uma das esposas custava R$ 99,90 a hora. Se você é mulher, é aconselhável substituir a indumentária anterior por uma simples túnica no rosto, o que pode ajudar nos casos onde a beleza é exígua.

Consumo de leite
 
Uma vez li numa camiseta a seguinte frase: “Nunca fiz amigos bebendo leite”. Mentira, e deslavada. Pois substituindo bebida alcoólica tradicional pelo mais puro leite, facilmente fiz algumas amizades. Foi quando adentrei chutando a porta de um bar, esmurrei o balcão e disse: “Desce um copo de leite, major, desnatado!”. Feito isso, logo apareceram os novos amigos, todos eles muito paramentados, com gel no cabelo e lantejoulas coloridas na roupa. Eram na verdade tão gentis que eu precisei fugir do bar às pressas, constrangido que estava e temendo ser ordenhado lá mesmo. Na volta para casa o meu Celta 1.0 derrubou um poste e, com exceção de uma velhinha, ninguém se feriu gravemente. Ponto positivo: O leite fortalece os ossos em colisões. (Leiteja apóia esta idéia)
 
Coma Alcoólico
 
Método que requer disciplina e pouco amor próprio. De posse da carteirinha do seu plano de saúde e em jejum, comece o processo. Primeiro invista nas bebidas fermentadas, e depois vá saltando violentamente para os destilados. Cachaça, vodka, uísque, absinto, gasolina. Subindo o teor alcoólico a cada novo pedido, e atenção: procure manter um ritmo. É também importante que você conheça o seu limite, e ultrapasse. Certifique-se de que não consegue se locomover com as próprias pernas. Recorra ao dedo indicador para pedir mais uma dose, e permaneça na mesa até que a vista se apague. Sua consciência será encoberta por um manto negro cheirando a piúba de cigarro e fluídos internos, e então, se iluminará magistralmente à sua frente uma enfermaria de posto de saúde. A partir daqui, concentre-se em se manter vivo.

Namorados que não bebem (para mulheres)
 
A lei seca no trânsito é um catalisador para o amor. Piriguetes de todo o país finalmente decidiram dar mole ao cara que senta na carteira da frente na faculdade, ao rapaz introspectivo do escritório, ao coroinha da igreja, sim: a exemplares de macho que não bebem. Disfarcei-me de namorado sóbrio por uma noite e, de posse de R$ 99,90, logo consegui uma namorada de 16 anos na praia de Ponta Negra. Fomos ao seu bar preferido, que mais parecia uma festa de fim de ano da ONU, onde pessoas de todas as etnias bebiam, dançavam e trepavam calorosamente. Enquanto minha namorada se bebericava doses de campari, e antes mesmo que nosso namoro terminasse com o contrato de 1 hora, adormeci como um bebê. Alguém me acordou vomitando em minhas costas, e então descobri que a minha namorada de 16 anos havia saído com um novo namorado espanhol que tinha conhecido no bar. Temo pela sua segurança, pois o homem foi visto carregando uma caipirinha. Que ela seja feliz, ora.

Namoradas que não bebem (para homens)

Miakóva, em sua terra natal, nas comemorações dos 76 anos de Boris Yeltsin.

Decepcionado com as mulheres brasileiras trarei de comprar uma esposa russa pela internet. Seu perfil: 1,74m de altura, 62kg, 90cm de busto e 60cm de quadril, de nome Miakóva e à procura alguém legal. Iniciei o download e, em um mês, ela estava nos meus braços. Neste tempo improvisei uma cerimônia de casamento simples em um motel próximo para que nos conhecêssemos melhor. Ensinei à minha esposa russa os segredos da minha língua, assim como os segredos dos meus dedos e dos meus órgãos genitais. Decidimos estender a lua-de-mel em um bar, e antes me assegurei que estabelecimento jamais oferecesse vodka à Miakóva, a única bebida que conhecia. E a noite foi ótima. Mostrei os ornamentos das minhas bebidas tropicais, o que muito impressionou minha esposa. Contei sobre as maravilhas do Brasil, o que muito impressionou minha esposa. Apresentei-lhe a um amigo da faculdade, o que muito impressionou minha esposa.

Beber e dirigir não bebendo

Haviam mencionado o método em um programa de televisão evangélico, o que muito me animou, sobretudo porque eles cantavam músicas alegres que mudaram meu astral para melhor. Decidi ir a um bar para não beber, e lá permaneci completamente imóvel até que o garçom me expulsasse. Segui para outro bar e, devidamente maceteado, pedi um copo d’água com bastante gelo e lá permaneci, a beber o meu Water On The Rocks, a fitar o horizonte e a cantarolar baixinho a música do programa evangélico. O gelo derreteu e meu drink virou Water on Water, uma versão mais tropical do anterior. Fui ao banheiro algumas vezes, bebi mais alguns copos d’água, saquei um rifle semi-automático e metralhei as pessoas das outras mesas.

Mi casa, su farra

Para beber em casa você precisa apenas de um motivo, uma geladeira e um amigo gay que é DJ. Preparamos a festa no Bunker, e cada vez mais pessoas chegavam carregando suas cervejas. Uma coisa interessante de fazer festas em casa é que seus convidados realmente se sentem em casa, e por isso fazem o que não fariam se bebessem fora. Como por exemplo vomitar no seu sofá, pendurar-se no lustre, transformar a mesa em um palco de stand-up show e incitar o sexo grupal em conversas inofensivas. Mas o melhor de beber em casa é que você não pega na direção depois. Seus amigos podem até pegar o carro na volta e se arrebentar feio. Mas você não.

Márcio N.
Direto do Bunker

Anúncios

§ 6 Respostas para Como se locomover de um bar a outro em tempos de Lei Seca (beber, bater e atropelar)

  • Tatiana disse:

    O problema é que namorados que não bebem enchem o saco: “querida, acho que já está bom, não?”…
    Prefiro voltar pra casa de dromedário.
    :D
    Isso aqui está muito didático, hehehe…

    Curtir

  • Thiago A. disse:

    Rapaz… dispenso o camelo pela bike :)

    Curtir

  • mnazian disse:

    pena danada do homem da bicicleta… thiago, acho que a bike não é uma boa idéia não, :P

    Curtir

  • Igor Santos disse:

    cara de preto da última foto = Márcio barbeado

    Curtir

  • mnazian disse:

    hehehehehehehe

    que é isso, pô.

    Mas essa foto é massa… é só alegria…

    1. O caba de preto tá alisando a “namorada”
    2. Enquanto isso tá de olho na beibe de trás.
    3. O galego, que é fresco, tá sacando o bicho
    4. A doidinha de preto tá nem aí pra cojuntura.
    5. A galeguinha, irmã do galego, passou mal depois de levar um escorão dá menina de preto que tá nem aí.
    6. Último segundo de alegria da beibe dos braços pra cima, que tava dançando loucamente.
    7. Quem bateu a foto deve ter ficado fuderosamente orgulhoso (a).

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

O que é isso?

Você está lendo no momento Como se locomover de um bar a outro em tempos de Lei Seca (beber, bater e atropelar) no Querido Bunker,.

Meta

%d blogueiros gostam disto: