Homem de Firme Destino – Capítulo 3

junho 16, 2008 § Deixe um comentário

Mais um capítulo do HdFD.

 

abraço fraterno,

márcio

 

CAPÍTULO III

(De como um povoado sem qualquer perspectiva aparente utiliza táticas militares ainda inéditas para lançar o seu domínio às aldeias vizinhas, dentre outras realizações)

 

Contam as notícias que flanam sem direção que o Homem de Firme Destino continua a cumprir suas profecias e a demarcar o seu território, um passo atrás do outro, um, dois, um dois, há pelo menos – mais, mais… – invejáveis cinqüenta e duas horas e quarenta minutos, o solado dos pés revestidos por um couro grosso curtido em urtigas e calcário, resistentes feito rocha, a pavimentar a trilha dos seus sucessos e insucessos e a estraçalhar corações onde quer que aporte. E foi o que fez quando adentrou sem cerimônia os redutos de Cachoeira dos Rios dos Ventos, um município donde não se encontra o menor vestígio de rio, riacho ou ao menos um córrego que fosse, e desta forma sendo ainda mais improvável a existência de uma cachoeira. Observando melhor, nem uma bica podia ser encontrada naquele lugar miserável. Mas se tem uma coisa que Cachoeira do Rio dos Ventos apresenta em fartura, como que para compensar o restante, é a brisa leve e constante (ou as notícias que flanam por aí não teriam jamais chegado até o narrador que vos embala o sono – não com tantos detalhes). O sol brilhava com ímpeto e a paisagem era árida (esse é, na verdade, apenas um detalhe) naquele glorioso dia em deu-se início a uma das mais belas e comoventes aventuras vivenciadas pelo Homem de Firme Destino, ou mesmo por qualquer homem: naquela cidade inapelavelmente condenada ao esquecimento, naquele lugar negligenciado por Deus e enterrado a três palmos de poeira, instalou-se uma das mais brilhantes revoluções que na Terra jamais existira, liderada por apenas por um profeta e o seu “cajado mágico” – outro detalhe que não nos convém agora –, selando, assim, um futuro glorioso digno de um ditador que explorava sua gente, aquela gente que amava seu ditador, liderando a insurgência com investidas militares de táticas ainda inéditas: carregava ele próprio, com seu amigo pulsando em fúria, todo o poder bélico do improvável exército, qual os heróis dos filmes de ação, mas não sem a ajuda de pelo menos duzentas mocinhas avançando ao fronte totalmente despidas, ufanistas que eram, o orgulho saltando alegremente no peito, uma imagem motivadora, tamanha era a paixão pela sua pátria e a pureza dos seus ideais (a propósito, a campanha militar dizia: você, jovenzinha, de dezoito anos ou menos, aliste-se já para as forças armadas!). As mocinhas marchavam, à frente, enquanto na retaguarda iam as forças armadas propriamente ditas, isto é, o Homem de Firme Destino, a povoar o território inimigo e a nele instalar suas bases. A tática funcionou muito bem, sendo incorporada mais tarde ao obscuro compêndio “Como Iniciar Uma Guerra e Influenciar Pessoas” (Limbo Edições, 300 páginas) que descreve com riqueza de detalhes como conseguiu o exército de Cachoeira do Rio dos Ventos lançar seu domínio aos territórios vizinhos – todos ricos em rios, córregos, riachos, cachoeiras e, pelo que nos deixam saber detalhes que os bons ventos nos trazem, havia até uma cidadezinha que apresentava uma bica bem no meio de uma praça.

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