Julho 25, 2008

Fernando Pessoa _quem vence perde + piada sobre aparição de Nossa Senhora de Fátima

A ilustração abaixo veio do livro Obra em Prosa, Editora Nova Aguillar, 1986.

Segue um texto extraído d’O Livrão. Ipsis litteris, adiante:

ESTÉTICA DA ABDICAÇÃO

[dat. 1913?]

CONFORMAR-SE é submeter-se e vencer é conformar-se, ser vencido. Por isso toda a vitória é uma grosseria. Os vencedores perdem sempre todas as qualidade de desalento com o presente que os levaram à luta que lhes deu a vitória. Ficam satisfeitos, e satisfeito só pode estar aquele que se conforma, que não tem a mentalidade do vencedor. Vence só quem nunca consegue. Só é forte quem desanima sempre. O melhor e o mais púrpura é abdicar. O império supremo é o do Imperador que abdica de toda a vida normal, dos outros homens, em quem o cuidado da supremacia não pesa como um fardo de jóias.

[Fernando Pessoa, em "O Eu Profundo"]

Vou tentar colocar mais outros trechos aqui, futuramente. São muitas as imagens para escanear [capas originais, ilustrações e de heterônimos, esboços etc.], e, quase 800 páginas de textos.

 ‹‹ Este aqui, ao lado, é o livro.

Há edições mais recentes, pois editoras se motivaram com a liberação da obra de Fernando Pessoa, que agora é Domínio Público [leia]. Quando os direitos eram mantidos, dificilmente se encontrava, a Máfia do Scanner.

Um outro ponto curioso sobre Fernando Pessoa é, certamente, a descoberta de um texto inédito onde faz uma sátira à Aparição de Nossa Senhora de Fátima, apresentado em julho deste ano por um historiador português. O texto começa assim:

“Fátima é o nome de uma taberna de Lisboa onde às vezes… eu bebia aguardente. Um momento… Não é nada d’isso… Fui levado pela emoção mais que pelo pensamento e é com o pensamento que desejo escrever”.

E por aí vai.

Para ler um artigo mais sério sobre o texto encontrado, clique aqui.

Abraço fraterno,
Márcio N.

† MdS

Julho 24, 2008

Como se locomover de um bar a outro em tempos de Lei Seca (beber, bater e atropelar)

O Bunker resoveu investigar a fundo a Lei Federal que vem prejudicando donos de bar e de agências funerárias, e testamos os métodos mais populares para driblar a restrição de álcool no trânsito. Aqui estão alguns deles, ou pelo menos os que conseguimos lembrar.

Política do suborno

“Se a lei é seca, a mão do guarda é molhada.” Já diziam os saudosos amigos Aleatório e Anônimo, que conheci na ocasião da primeira vez em que fui atropelado. São eles, certamente, uma ameaça seriíssima nas ruas (eventualmente calçadas), e se os seus processos fossem empilhados em um dia de pouco vento alcançariam facilmente a lua. Somente duas coisas habitam a manga da camisa de seda de Aleatório: manchas de batom barato e suborno. Se numa blitz pedirem para que faça o teste do quatro, Aleatório diz que esse é pra amador e esnoba fazendo o teste do quarenta mirréis. O outro amigo, Anônimo, não enfrenta tantas implicações legais mais sérias, uma vez que seu nome verdadeiro ainda não foi desvendado, invalidando, assim, qualquer retaliação judicial maior. Eis que procurei avaliar o método do suborno (não mais chamado de ajuda da cervejinha: agora é do cafezinho, que é pra dar exemplo), e com 10 reais no bolso e uma garrafa de Pitú a tira-colo voei no meu Celta 1.0 pela Avenida Roberto Freire. Passei por uma blitz sem qualquer problema maior, atropelando fatalmente dois policiais de plantão e mais tarde utilizando os 10 reais num lava-jato para tirar manchas de sangue do capô.

Animais orientais exóticos como meio de transporte

Um método bastante eficaz seria substituir o seu veículo convencional por um outro de tração animal, ou somente pelo próprio animal, como é o caso do Método Camelo de Embriaguez Responsável. Para aqueles que procuram uma opção mais em conta, o Dromedário é um modelo que, embora menos anatômico e de menor capacidade, pode também quebrar um senhor galho. Pois bem. Uma vez em posse do seu animal, invista no design do conjunto: vista um turbante de boa seda, tenha um livro de Mallanâga Vâtsyâyana e carregue uma espada árabe bem lustrada. Se você é homem, a indumentária é algo que pode realmente impressionar as mulheres. Provo. Um teste rápido pela orla da praia de Ponta Negra foi o suficiente para que eu montasse meu próprio harém, com todas as escravas empilhadas nas costas do animal e também nas minhas. O harém quase me leva a ruína, já que cada uma das esposas custava R$ 99,90 a hora. Se você é mulher, é aconselhável substituir a indumentária anterior por uma simples túnica no rosto, o que pode ajudar nos casos onde a beleza é exígua.

Consumo de leite
 
Uma vez li numa camiseta a seguinte frase: “Nunca fiz amigos bebendo leite”. Mentira, e deslavada. Pois substituindo bebida alcoólica tradicional pelo mais puro leite, facilmente fiz algumas amizades. Foi quando adentrei chutando a porta de um bar, esmurrei o balcão e disse: “Desce um copo de leite, major, desnatado!”. Feito isso, logo apareceram os novos amigos, todos eles muito paramentados, com gel no cabelo e lantejoulas coloridas na roupa. Eram na verdade tão gentis que eu precisei fugir do bar às pressas, constrangido que estava e temendo ser ordenhado lá mesmo. Na volta para casa o meu Celta 1.0 derrubou um poste e, com exceção de uma velhinha, ninguém se feriu gravemente. Ponto positivo: O leite fortalece os ossos em colisões. (Leiteja apóia esta idéia)
 
Coma Alcoólico
 
Método que requer disciplina e pouco amor próprio. De posse da carteirinha do seu plano de saúde e em jejum, comece o processo. Primeiro invista nas bebidas fermentadas, e depois vá saltando violentamente para os destilados. Cachaça, vodka, uísque, absinto, gasolina. Subindo o teor alcoólico a cada novo pedido, e atenção: procure manter um ritmo. É também importante que você conheça o seu limite, e ultrapasse. Certifique-se de que não consegue se locomover com as próprias pernas. Recorra ao dedo indicador para pedir mais uma dose, e permaneça na mesa até que a vista se apague. Sua consciência será encoberta por um manto negro cheirando a piúba de cigarro e fluídos internos, e então, se iluminará magistralmente à sua frente uma enfermaria de posto de saúde. A partir daqui, concentre-se em se manter vivo.

Namorados que não bebem (para mulheres)
 
A lei seca no trânsito é um catalisador para o amor. Piriguetes de todo o país finalmente decidiram dar mole ao cara que senta na carteira da frente na faculdade, ao rapaz introspectivo do escritório, ao coroinha da igreja, sim: a exemplares de macho que não bebem. Disfarcei-me de namorado sóbrio por uma noite e, de posse de R$ 99,90, logo consegui uma namorada de 16 anos na praia de Ponta Negra. Fomos ao seu bar preferido, que mais parecia uma festa de fim de ano da ONU, onde pessoas de todas as etnias bebiam, dançavam e trepavam calorosamente. Enquanto minha namorada se bebericava doses de campari, e antes mesmo que nosso namoro terminasse com o contrato de 1 hora, adormeci como um bebê. Alguém me acordou vomitando em minhas costas, e então descobri que a minha namorada de 16 anos havia saído com um novo namorado espanhol que tinha conhecido no bar. Temo pela sua segurança, pois o homem foi visto carregando uma caipirinha. Que ela seja feliz, ora.

Namoradas que não bebem (para homens)

Miakóva, em sua terra natal, nas comemorações dos 76 anos de Boris Yeltsin.

Decepcionado com as mulheres brasileiras trarei de comprar uma esposa russa pela internet. Seu perfil: 1,74m de altura, 62kg, 90cm de busto e 60cm de quadril, de nome Miakóva e à procura alguém legal. Iniciei o download e, em um mês, ela estava nos meus braços. Neste tempo improvisei uma cerimônia de casamento simples em um motel próximo para que nos conhecêssemos melhor. Ensinei à minha esposa russa os segredos da minha língua, assim como os segredos dos meus dedos e dos meus órgãos genitais. Decidimos estender a lua-de-mel em um bar, e antes me assegurei que estabelecimento jamais oferecesse vodka à Miakóva, a única bebida que conhecia. E a noite foi ótima. Mostrei os ornamentos das minhas bebidas tropicais, o que muito impressionou minha esposa. Contei sobre as maravilhas do Brasil, o que muito impressionou minha esposa. Apresentei-lhe a um amigo da faculdade, o que muito impressionou minha esposa.

Beber e dirigir não bebendo

Haviam mencionado o método em um programa de televisão evangélico, o que muito me animou, sobretudo porque eles cantavam músicas alegres que mudaram meu astral para melhor. Decidi ir a um bar para não beber, e lá permaneci completamente imóvel até que o garçom me expulsasse. Segui para outro bar e, devidamente maceteado, pedi um copo d’água com bastante gelo e lá permaneci, a beber o meu Water On The Rocks, a fitar o horizonte e a cantarolar baixinho a música do programa evangélico. O gelo derreteu e meu drink virou Water on Water, uma versão mais tropical do anterior. Fui ao banheiro algumas vezes, bebi mais alguns copos d’água, saquei um rifle semi-automático e metralhei as pessoas das outras mesas.

Mi casa, su farra

Para beber em casa você precisa apenas de um motivo, uma geladeira e um amigo gay que é DJ. Preparamos a festa no Bunker, e cada vez mais pessoas chegavam carregando suas cervejas. Uma coisa interessante de fazer festas em casa é que seus convidados realmente se sentem em casa, e por isso fazem o que não fariam se bebessem fora. Como por exemplo vomitar no seu sofá, pendurar-se no lustre, transformar a mesa em um palco de stand-up show e incitar o sexo grupal em conversas inofensivas. Mas o melhor de beber em casa é que você não pega na direção depois. Seus amigos podem até pegar o carro na volta e se arrebentar feio. Mas você não.

Márcio N.
Direto do Bunker

Julho 23, 2008

Próximos Posts _do Bunker

Por hora cumprindo tarefas de cidadão-responsável que me asseguram tocar a vida. Nesse meio tempo, venho pensando em coisas para jogar aqui, algumas já escritas.

Pois bem, o Bunker tem atualização hoje à noite. Eis algo do que vem por aí nos próximos dias:

· Como se locomover de um bar a outro em tempos de lei seca. Um tratado com dicas e testes feitos nas ruas da cidade. (no post acima)
· Um texto psicografado de Fernando Pessoa, coladorador do Bunker (2 acima)
· Conto detetivesco de Igor Santos, este cara aqui.
· Jornalismo investigativo nos melhores restaurantes temáticos do mundo.
· Quantos escritores são necessários para trocar uma lâmpada? (publicado)

E, também, esquemas que aparecem entre um assunto e outro. Tinha tomado a liberdade de escrever um epitáfio para Fábio Faria, que havia num mundo mais justo morrido com um holofote despencando sobre sua cabeça, mas desisti publicar, que não quero contaminar um recinto limpinho como esse falando da morte alheia.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Julho 21, 2008

1 clipe + 2 músicas novas _Bonnies

Agora, gostaria de um pouco da distração de vocês para promover a banda de uns amigos.

Clicando aqui e aqui você baixa as 2 músicas que formam o single novo, “Tão Calmo”.

E o vídeo que segue é um clipe, um pouco diferente dos anteriores, agora utilizando uma tecnologia nova para a banda, que é a videofilmadora.

Quem gostar, e quiser mais, é só baixar no site deles clicando aqui.

Para marcar um show com os Bonnies, até agora bons patrocinadores do seu entretenimento gratuito, anote o seguinte: osbonnies@gmail.com / (84) 9118-0645. A banda toca em qualquer evento, quais festas de casamento, festivais internacionais, aniversários de 15 anos ou não, churrascos e até mesmo em funerais se o cachê justificar.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Julho 17, 2008

House of Cards _do Radiomarketing

Radiohead, a empresa de marketing que mais entende de música, fez dessa vez algo de novo em vídeo.

No último clipe, lançado dia desses e que vem causando furdunço no youtube, um efeito interessante foi alcançado ao não se utilizar câmeras convencionais, mas uma tecnologia que mapeia objetos através de uma leitura a laser de superfícies. Como entendo isso: para produzir as imagens não há captação de luz, mas informações geradaras a partir do volume das coisas.

Dr. Google, o que você acha disso?

· Na Scientific American tem um artigo falando do assunto → Tcharam! 
· Neste site você pode brincar de fazer sua própria versão do clipe → Uau! 
· E, aqui, algo sobre o diretor do vídeo, James Frost → Quem?

Pode ser um esquema parecido com o de ultrasom, o que explica em parte a aparência de feto do pessoal do Radiohead no clipe. No mundo real, é só acidente genético mesmo.

Logo mais, abaixo, o making off do vídeo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Julho 17, 2008

Monty Python_ Sobre funerais, Graham Chapman e a eulogia de John Cleese

G. Chapman

G. Chapman

Graham Chapman deixou o Monty Python quando, em 1989, precisou ir ao dentista, teve identificado um sinal na garganta, que era na verdade um câncer maligno, e morreu. Quando bateu as botas, John Cleese precisou ser retirado do quarto, chocado que estava em ver o amigo morrendo.

Foi John Cleese quem fez a eulogia [leia] no funeral de Graham Chapman, em 6 de dezembro de 1989, no memorial do St Bartholomew’s Hospital, um evento que foi coisa fina. Assim começou discurso de Cleese: “Graham Chapman, co-autor de ‘Parrot Sketch’, já era! Bateu as botas, esticou as canelas…” e por aí seguiu, parodiando um quadro de Chapman, tentando tirar da fossa os amigos vivos – naquela ocasião, homenageou o amigo sendo o primeiro a dizer “Fuck” em um funeral britânico.

Além de John Clesse, estavam presentes os outros integrantes do Monty Python. Michael Palin, Terry Jones, Eric Idle e Terry Gilliam – rindo com a vista mareada de chorar. Foi esse o clima do funeral, e daí por diante: Eric Idle, que ao lado de Chapman cantou Always Look on the Bright Side of Life no filme Life of Brian, na cena final em que estão ambos crucificados à espera da morte, repetiu a apresentação no enterro do amigo, que acabou indo primeiro.

Veja o vídeo do funeral - com o discurso, as graças e tudo mais:

Em vida, Graham Chapman costumava impressionar barmans apalpando o próprio pênis, como flagrou Douglas Adams uma vez, e além disso era um homem que vivia bêbado desde os tempos mais imberbes. Virava o copo com Ringo Star e Keith Moon, teve delírios alcoólicos na filmagem de Holy Grail, e, em 1977, decidiu pegar leve depois de pisar na bola com os amigos na revista New Musical Express. Outro ponto importante é ter co-fundado o Monty Python, o que não é pouca merda. Antes disso, bem antes disso, estudou medicina em Cambridge sem que nunca chegasse a salvar ou matar alguém profissionalmente, porque escrevia sketches pra BBC com Clesse, que era um amigo de faculdade.

Da direita: Graham Chapman, John Cleese, Eric Idle, Terry Gilliam, Michael Palin and Terry Jones.

Agora, um fato legal: os asteróides 9617, 9618, 9619, 9620, 9621 e 9622, descobertos pelo European Southern Laboratory, em 1993, foram batizados com os nomes dos integrantes do grupo. O asteróide Grahamchapman era um asteróide binário.

É isso…

Lançaram recente no Brasil 4 temporadas do Flying Circus. Comprei na Livraria Cultura, e vocês podem encomendar por aqui, quando a greve dos correios acabar. Li por aí que vem sendo lançado algumas compilações de roteiros, programas de rádio e blocos de Chapman. Inclusive textos dele com Douglas Adams. Mas, acho, que por aqui vai demorar um pouco pra ser lançado.

“Voltaríamos a nos reunir se Graham Chapman voltasse da morte. Bom, estamos negociando com seu agente.” (Eric Idle)

Abraço fraterno,
Márcio N.

Julho 15, 2008

I Mostra Pornô Independente

Aí vão algumas resenhas resumidas dos melhores filmes da I Mostra de Cinema Pornô Independente.

Na medida que novos filmes forem sendo exibidos, e as taxas de Vitamina C voltarem ao normal, vou incluindo aqui mais apontamentos.

Travessuras no Jardim do Éden

Abre com cena do pecado original, com Adão caindo de boca em uma maçã. Enquanto isso, Eva se diverte realizando brincadeiras com outras frutas e acaba se apaixonando por um pepino chamado Valtenor. Corte seco para cenas de perversão entre Adão, um cacho de uvas e uma tangerina chamada Tânia, que está sendo chupada com afinco. Mais tarde, Valtenor e Tânia são surpreendidos juntos em uma horta – e, para nosso choque, ambos são violentamente esquartejados e transformados em salada. Adão e Eva se beijam, uma cobra aparece e o filme acaba.

Aventuras Sexuais na Arca de Noé

Apesar de pouco fiel ao Antigo Testamento, o filme não perde sua ternura. Sim, há animais. E, sim, há um barco. O filme começa com a seqüência de uma aristocrata inglesa em uma jangada copulando animadamente com uma lontra, mais tarde assassinada por um pescador árabe. A cena seguinte são mulheres sendo ordenhadas por vacas. Depois, temos um macaco-prego mantendo relações homossexuais com um pastor alemão que, numa passagem reveladora, se apresenta como amante secreto de um sacerdote. Uma cena de sexo grupal que rendeu atuações memoráveis, como a do homem-tamanduá, é subitamente interrompida por uma rajada de metralhadoras no estilo gângster, disparada por um grupo de alienígenas em expedição ao planeta para uma orgia com cadáveres. O filme acaba com todos os atores de mãos dadas, cantando Andrea Bocelli – “Con te Partira (Time to Say Goodbye)” no casamento da aristocrata inglesa com um javali – o que confunde um pouco o público, já que o javali não havia aparecido em momento algum do filme.
 
Um anão no meu jardim

O filme abre com a cena de uma flor sendo fecundada por uma abelha e lentamente a imagem se funde com a de uma turista sueca sendo fecundada por um escravo. Um anão de jardim decide entrar na dança e, a partir daí, a cena é habilmente administrada pelo diretor que usa e abusa dos closes, propiciando aos espectadores cenas de rara profundidade e poesia. A próxima parte do filme apresenta a chegada de um grupo de forasteiros, que são na verdade hippies viciados em sexo, e que acabam por se amarrar pelo gnomo anão. No fim do filme todos participam de um suicídio coletivo, com exceção do escravo, que foge com a abelha.

Maria Antoniteta

Antoniteta é uma história de amor que se passa no período colonial e que tem sérias restrições no orçamento. Por conta disso, os personagens não usam roupas de época ou mesmo qualquer peça de vestimenta, as substituindo por fluidos em geral. Também não há charretes no filme, mas mantiveram os cavalos. Na cena final, há uma inversão de papéis muito interessante onde no lugar de uma mulher a cavalgar um animal, é o animal que cavalga a mulher. O filme peca na produção, mas devemos reconhecer o esforço do elenco perante as dificuldades. Sobretudo o de Rosângela, atriz iniciante que deslocou o glóbulo ocular esquerdo na fatídica cena do bondinho.

Um quartinho e um violão

Biografia não autorizada da Música Popular Brasileira. O filme abre com sussurros suaves enquanto Elza Soares manda ver num ré-maior-sentado. João Gilberto entra em cena, pedindo silêncio, tem a idéia de inventar a bossa-nova e todos comemoram. Na próxima cena, o que temos é um inspirado clipe de Vinícius de Moraes e suas 9 esposas, com participação de Chico Buarque e Tom Jobim, que entram no quarto para se juntar a Vinícius. Em uma cena tocante, Roberto Carlos conhece Wanderléia que, prontamente, pede para conferir a famosa perna de pau, mostrada sem cerimônia. O filme segue em ordem cronológica até que temos um improvável dueto entre Maria Carolina e Ângela Rô Rô, com Ney Matogrosso entrando com um falsete, desafinando, e botando tudo a perder.

Conde DráCula

Neste filme temos uma mistura entre o expressionismo alemão e o contorcionismo italiano. No Castelo do Conde DráCula, a rotina de uma madrugada de horror é interrompida por uma visita inesperada. Trata-se de uma stripper que perdeu a roupa e precisa desesperadamente de abrigo. Ela conta sua história enquanto faz sexo oral em um mordomo sem cabeça, uma cena curiosa. Vamos então conferir a vida de um prisioneiro que vive no sótão do castelo, e que é atormentado por forças ocultas que ele julga serem fantasmas de antigas atrizes pornô para quem se masturbava na adolescência. Conde DráCula entra em cena, envolvendo a stripper com sua capa. Daí para frente o filme não varia muito em sua essência, havendo espaço apenas para as pirotecnias do contorcionismo italiano. Uma surpresa se revela no final, quando a stripper morre de hemorragia e então reaparece em uma cena com as fantasmas do sótão, o que acaba por solucionar o mistério do prisioneiro.

 

Abraço fraterno,
nunca aperto de mão,
Márcio N.

Leia aqui a II Mostra Pornô Independente.

Julho 14, 2008

Feist _Mushaboom

Abaixo, dois clipes que vi nesse fim-de-semana. São da mesma música.


Legal, essa Feist.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Julho 11, 2008

Leiteja = leite + cerveja

No departamento de manipulação genética do Bunker, nossos camundongos trabalham nas pesquisas da LEITEJA – inicalmente uma arma química envolvendo Leite e Cerveja, mas que vem sendo largamente utilizada para fins recreativos.

← O mascote já está pronto.

Além de reduzir substancialmente a embriaguez, Leiteja fortalece os ossos de motoristas em eventuais acidentes de trânsito – e mais: pedestres que bebem Leiteja também se beneficiam em casos de atropelamento.

©©©

Daniel Liberalino, designer do mascote, defende a sua idéia:

São Nazianzeno diz (15:20)
rapaz, gostei do desenho do cara com uma furadeira

He’s got a fatal erection diz (15:22):
o cara do leite, chegando na porta de uma casa

São Nazianzeno diz (15:23):
pq ele tem uma furadeira?

He’s got a fatal erection diz (15:23):
e ele está drogado, aparentemente…
essa expressão dele eu tirei do comercial do guaraná dolly e congêneres… esses mascotes costumam estar drogados

São Nazianzeno diz (15:24):
sim, e pq ele tem uma furadeira?

He’s got a fatal erection diz (15:24):
ele vai matar a pessoa, imagino

©©©

Para quem conhece o site de Daniel a ilustração não é novidade, mas aí está assim mesmo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Dê Leiteja ao seu filho

Julho 10, 2008

Provisória _Da arte de escolher berinjela

Ontem fui ao supermercado comprar mantimentos para o bunker. Como venho tentando reverter os danos no cigarro, as escolhas foram meio estranhas.

← Eis a lista.

A moça do caixa tinha um crachá, onde era lido:

♣ PROVISÓRIA ♣

Provisória me ensinou algumas coisas sobre a vida quando perguntei o seguinte:

— Que tipo de alface é esse?
— Não é alface, é escarola.
— Ah…
— É a mesma coisa, só que mais amargo.
— Tranqüilo, então… É do mesmo jeito que prepara?…
— É só lavar… E essas outras coisas?
— O que tem?
— Você escolheu essa berinjela direito?
— Eu peguei a mais brilhosa…
— Né assim não. Tá vendo aqui? Se tiver uns buraquinhos, assim, pode ter minhoca dentro.
— Ixe…

Parece que virou moda tentar viver muito tempo. No trabalho, algumas pessoas querem parar de fumar.

· AMIGO 1 - Decidiu parar e comprou uma caixa com 20 maços de Carlton. Não entendi, é como o “Pare de fumar fumando”.
· AMIGO 2 - Fuma demais há alguns anos e todo dia diz que está fumando demais.
· AMIGO 3 – Pára todos os dias, e chama os outros de fracos porque não conseguem parar.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Julho 8, 2008

Leitão Assado _nuances da cozinha húngara

Sziasztock*,

recebo de Chico Guedes um conto ainda sem tradução oficial no Brasil, portanto inédito. Chico, que encontra-se em missão na Hungria, vem investigando alguns escritores por lá.

O que segue é informação confidencial, de modo que não seria exagero esclarecer que, a exemplo de Leitão e alguns amigos de Puff, após a leitura deste texto suas vidas correm sérios riscos (não que antes fosse diferente).

Abraço fraterno,
Márcio N.

LEITÃO ASSADO
András Cserna-Szabó, 1974

       Ursinho Puff acordou num dia daqueles em que não há nada pra fazer. Não teve nem vontade de se levantar. Lá fora, na Floresta das Cem Luas rugia a tempestade de neve. Depois baixou um tédio urso de ficar rolando na cama e finalmente levantou-se. Colocou seu disco favorito de Judit Halász  no gramofone, e foi para a despensa atrás de mel. Colocou o pote na mesa, sentou-se, e meteu uma gostosa patada na doce substância. Levou a esquerda ao focinho e com uma única enorme lambida deu conta de toda aquela viscosa delícia.
       — Ééca! – rosnou Puff furioso, cuspindo o mel no assoalho. Se eu continuar assim com essa alimentação monótona acabo pegando uma escarlatina.
       Ou seja, Puff detestava mel. Na verdade, detestava todos os estereótipos. Então, por ter nascido acidentalmente como urso, por que era obrigado a adorar mel? Só porque escritores de estórias idiotas esperavam isso dele? Não, não e não!, explodiu, e depois quebrou o pote de mel no chão. Pegou o boné, o cachecol, depois tentou puxar o blusão para baixo para cobrir a barriga, mas não deu: ele usava tamanho G, mas sua pança de urso pedia mesmo era GGG.

Puff, instantes antes de atacar distinto senhor, no Império do Estômago

       — Também daria umas vulcanizadas no nariz desse cara, que, além de fazer o herói da estória morar numa floresta gelada, ainda o desenha com esta maldita barriga descomunal — fumegou Ursinho Puff, e pôs-se a derrubar as tábuas de sua cabana.
       Tomou o rumo da casa do Leitão. Seu rosto franzido tinha um ar contrariado, e seu estômago roncava de fome. Quando chegou à casa do amigo foi entrando sem bater. Com uma patada arrombou a porta decrépita. Leitão tinha acabado de sentar-se na poltrona e estava seriamente enrolado.
       — Que diabo estás fazendo, Leitão? — gritou Puff.
       Leitão estava tentando chupar uma laranja havia horas, mas ora a fruta caía-lhe da mão, ora cortava o dedo com a faca, ora o suco espirrava-lhe os olhos. Sua mão estava sangrando, o rosto todo melado do suco da fruta.
       — Que estou fazendo, Ursinho Puff? Me enrolando. Como sou azarado, sabe. Baixinho, deficiente, e mais os meus complexos. Por acaso tu não conheces um bom psiquiatra? Realmente não dá mais…
       — Cala a boca, seu leitão mamote! Não vou te ajudar. Para mim basta. Não tenho tempo na vida a perder com um insuportável porco pigmeu aleijado. E tem mais, acaba aqui este mundo idiota de divã de couro. Vem aí a lei do lobo! Que vença o mais forte! Abaixo a ilusão do mel e do amor! O poder do coração dá lugar ao império do estômago. Vem aí o Superurso!

Tempos de paz na Terra das Cem Luas.

Tempos de paz na Floresta das Cem Luas.

 

       E dizendo isso Ursinho Puff escancarou a gaveta da cozinha do porquinho e pegou logo um facão de carne com cabo de madeira. O porco anão tremia tanto na poltrona quanto as folhas de olmo nos romances russos. Com uma talhada certeira Puff cortou fora a roupinha listrada do amigo, enquanto matutava sobre que personalidade estranha podia ter desenhado um porco vestido como uma vespa.
       Três horas depois o aroma de carne assada ao timo e à manjerona serpentevoava porta arrancada afora, e espalhava-se por toda a floresta. Para começar foi Tigrão que saltitou em direção à casa de Leitão, mais parecendo uma bola de borracha vermelha lavrada. Foi o primeiro a sentir o cheiro, porque, como todos bem sabem, o tigre tem as melhores ventas do mundo.
       — Que magnífico leitão assado, é um milagre não ter sido preparado por um tigre, pois de assados ninguém entende melhor no mundo que os tigres, isso é notório — exclamou Tigrão.
       — Para mim chega de cenoura, quero carne! — bradou fremente o coelho Abel.
       — Os miúdos dariam um bom guisado — ponderou Corujão.
       — Posso dar as orelhas ao meu nenê aqui na bolsa? – perguntou timidamente Can com um risinho maternal.
       Assim começou o festim; empanturraram-se com a carne suculenta, sem darem uma palavra, apenas entupindo suas fuças ficcionais. O único a falar foi Bisonho, quando já estava ligeiramente saciado:
       — Não chamamos Leitão para comer? — perguntou sem convicção.
       Os bichos se entreolharam, depois berraram todos de uma vez para Bisonho:
       — Sua anta!

Ornado em folhas tropicais, leitão-maravilha esbanja charme e simpatia.

     — Não, burro — murmurou Bisonho arrasado, pois o lobo já rosnava irritado.
       Resumindo, o que se passou depois foi: o império do estômago estabeleceu-se firmemente na Floresta das Cem Luas. Certo, não durou muito tempo. Poucos dias depois Tigrão provou que os tigres sabiam preparar a melhor coruja à milanesa do mundo. O Abel com ensopado de cenoura do tigre fez grande sucesso com seus pequenos amigos. Ursinho Puff brilhou com sua lebre à páprica e mel. Bisonho, por sua vez, tomou muito gosto pela caçarola de urso. Se não tem cavalo, burro também vai bem disse o bebê-canguru, ao ver as lingüiças picantes de carne de Bisonho penduradas na despensa. Can deu total apoio a essa tese, segundo a qual nem só as revoluções devoram seus próprios filhos…
       No mais, só Cristóvão saberia contar detalhada e saborosamente como fica, preparada na brasa, a bisteca de canguru bem passada.

[Tradução de Chico Guedes Jr.]

* Szia = “Oi”, em húngaro.  Mas se for para mais de uma pessoa vira “Sziasztock” = ”Ois” .

Julho 5, 2008

Funny Games Remake _Da importância da capenguice

Violência Gratuita (Funny Games), Michael Haneke, 97-07

Soube hoje que fizeram uma revisão americana de “Violência Gratuita”, filme que teve seu original em 1997, em que dois amigos muito educadamente aterrorizam uma família e entretém o público. Como até então era um filme que vivia na bolha das sessões de arte, algumas pessoas ficaram profundamente ofendidas com a possibilidade de uma versão mais popular – tinha gente tão ressentida que parecia mais que tinham feito um remake de vossa mãe, e não dum filme. Mas a versão de 2007 foi feita pelo mesmo diretor, com orçamento melhor e um elenco milionário. Pelo pouco que pude ver, está muito parecida com a original.

Nos dois filmes, muitas cenas tem exatamente o mesmo enquadramento, como se pode observar vendo os traillers de 1997 e 2007 lado a lado, ou embaixo a embaixo, como é aqui o caso.

Versão de 1997

Versão de 2007

Agora, numa coisa eu concordo: com atores desconhecidos alguns filmes são mais convincentes - vejamos uma situação do mundo real:

·Uma mulher aleatória diz que se chama Sílvia. Você acredita.
·A Rainha Elizabeth diz que se chama Sílvia. Você não acredita e acha que ela está louca.

Quando em Violência Gratuita aparece Michael Pitt dizendo que é um psicopata, ou Tim Roth e Naomi Watts fingindo serem uma família, não é bem isso que você enxerga: você vê atores atuando em um filme. Talvez seja essa impessoalidade a distinção principal entre as versões de 1997 e a de 2007, não sei.

Vou procurar a versão nova. A antiga é mais fácil, tem em qualquer locadora.

Abraço Fraterno,
Márcio N.

Julho 4, 2008

Bonnies _músicas novas

Está em processo de restauração as fitas encontradas com 13 faixas inéditas d’Os Bonnies, banda formada em 1958 e que caiu no ostracismo após tumulto com stripper em apresentação. Aí vai alguma coisa do single novo, que adianta o CD. Para ouvir, basta clicar na faixa e esperar carregar o mp3.

01. Venha pra mim / 02. Tomando Café / 03. Voei, voei / 04. Todas as noites

E, abaixo, um videoclipe feito no paintbrush.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Julho 2, 2008

WALL-E _Material de bônus

Espinhas não param de florir no meu rosto e tenho me sentido como um daqueles viciados em Startrek desde que anotei essas impressões sobre WALL-E. Na eclosão de mais um eczema luminoso, incluo outras coisas sobre o filme aqui mesmo.

 

 

Agora, as considerações:

 

· Os humanos agem como máquinas, não como pessoas. Os robôs agem como pessoas, não como máquinas.

 

· Pilhas de lixo formam estruturas que parecem um conjunto de edifícios.

 

· WALL-E encontra caixinha com um anel, recicla o anel e fica com a caixinha – ela parece mais útil e interessante do que um anel.

 

· Os humanos não programam as máquinas. São as máquinas que programam os humanos.

 

· Os humanos estão presos a cadeiras flutuantes (uma variação da cadeira de rodas) da mesma forma que estão presos a carros.

 

· Humanos vestem a mesma roupa na cor vermelha. Uma mensagem anuncia que o “azul” é o novo “vermelho”. Todos os humanos vestem a mesma roupa na cor azul. 

 

 

· Um monitor cobre o campo de visão dos humanos a todo tempo. Eles se comunicam por monitores da mesma forma que se comunicam pela internet.

 

· Por conta disso, humanos são alienados e deformados.

 

· Uma barata possui o mesmo comportamento e relevância que um cão.

 

· Na ausência de gravidade, humanos não têm estrutura óssea firme. Eles parecem lontras e agem como lontras.

 

· Monitor de uma mulher desliga por acidente. Mulher então percebe que tem uma piscina.

 

· Mulher toca no braço de um homem por acidente. Homem e mulher se apaixonam.

 

· Acidentes são falhas de programação. E a trama evolui nesses acidentes.

 

· A comunidade de humanos é asséptica: o que é natural é sujo e o que é sintético é limpo. A sujeira humaniza.

 

· Sujeira é identificada por nave como “areia”. Capitão pede para computador definir “areia”. Capitão fica fascinado por “areia”.

  

· A automatização torna os humanos obesos, deformados e inúteis. Um homem tem dificuldade em alcançar copo sobre mesa.

 

· WALL-E tem a mesma voz de E.T. de Spielberg. A fala “minha casa” é substituída por “Terra”, o planeta.

 

· Não há humanos na primeira parte. Mas há uma música de Louis Armstrong. A primeira parte do filme é a mais humana.

 

 

· O design de EVE lembra um equipamento da APPLE. Jonathan Ive, designer da APPLE, trabalhou no filme. A APPLE é a empresa de computadores mais desastrosa ambientalmente, e quer reverter essa imagem.

 

· WALL-E pisa fora de casa pela manhã e uma luz branca cega o espectador. A sensação é a mesma de você saindo de casa pela manhã.

 

· Robô repete movimentos que foi programado para repetir. WALL-E acena para esse robô que repete movimentos, o robô então aprende a acenar e a ser gentil.

 

Abraço fraterno,

Márcio N. 

 

Julho 1, 2008

WALL-E _Bonito é pouco

Sempre tive uma queda por robôs. Mas não é por causa disso que vim aqui dizer que vocês precisam assistir WALL-E.

Chego do cinema com a impressão de que esse é de longe o melhor e mais bonito filme feito pela PIXEL. A história é brilhante, esteticamente também é desnivelado, extremamente plástico, com trilhas e seqüências de partir o coração. A idéia central de WALL-E é a seguinte: os humanos são desumanizados e os robôs são humanizados. Mas há esperança.

WALL-E (‘Waste Allocation Load Lifter, Earth-Class’) é uma peça remanescente de uma série de máquinas desenvolvidas para solucionar o acúmulo do lixo. Sem condições para a vida na Terra, os humanos se refugiam no espaço até que o problema seja resolvido. Séculos se passam e as únicas criaturas conscientes no planeta são WALL-E e uma barata. A rotina muda quando chega uma sonda espacial com uma robô homicida que se chama EVE.

Na primeira parte do filme prevalece o sentimento de solidão, com um cenário desolador em que pilhas de lixo formam estruturas que parecem os edifícios de hoje. Em meio disso, duas criaturinhas perdidas. Na segunda parte conhecemos a comunidade de humanos. Eles vivem em cadeiras flutuantes com monitores que concentram sua atenção. São gordos, inúteis, sem vontade própria e mal conseguem se mover. Numa das cenas, um humano cai da cadeira e máquinas vêm para recolhê-lo.

O personagem WALL-E é o que mais parece estar vivo, inclusive fora das telas: tão icônico quanto Darth Vader ou Indiana Jones e, fisicamente, é uma mistura entre o E.T. de Spielberg e Johnny 5 de “Um robô em curto-circuito”. Também está cheio de cenas que marcam. A seqüência de um balé no espaço, por exemplo, é genial. Uma outra, onde vemos um manicômio para máquinas defeituosas, de tão engraçada vai afrouxando o nó na garganta que o espectador trazia desde o início do filme.

Mas vou parar por aqui, senão estraga. Vejam no cinema. Assisti no moviecom, mas também deve passar no cinemark.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Avaliação pessoal: 10/10 • Avaliação do Internet Movie Database: 9.3/10

Junho 30, 2008

Salário sem trabalho: Método Espertalhão

— E aí Márcio, quer operar uns cérebros?
— Operar?… mas eu mal sei assinar meu nome todo.
— Bicho, um neurocirurgião ganha R$ 40 mil por mês.
— Huumm… acho que desenrolo, tem um bisturi aí?

Quando olho para o futuro, vejo uma Natal mais próspera.

Isso aconteceu de verdade. Um semi-analfabeto por opção que conheço da época da faculdade assumiu a presidência de um partido e lançou candidatura a um cargo na Prefeitura. Depois de levar uma vida completamente inútil, e na iminência da pobreza, o espertalhão descobriu como ganhar algum dinheiro fácil. A moda vem pegando e outros colegas têm se candidatado. Já parei de cumprimentar 3 deles.

Você, cidadão médio, encontre um abrigo seguro – eu já achei o meu. 

Márcio N.,
Direto do Bunker.

Exclusivo: conheça os candidatos das eleições de 2010

Junho 28, 2008

Paul Potts _O homem que fez o youtube ouvir Ópera

Em 2007, circulou pela internet o vídeo de um vendedor de aparelhos de telefone que comoveu o mundo com uma interpretação de Nessun Dorma (ária da ópera Turandot, de Puccini) num programa televisivo inglês no estilo “American Idol“. Até a minha última visualização, o contador do youtube já beirava os 27 milhões de acessos. O que levou tantas pessoas, de toda parte, a ouvir música erudita no computador? Não foi, absolutamente, a música. Foi Potts.

No vídeo, Paul Potts representa integridade, decência. Quando o vemos dizer “auto-confiança não é meu forte”, sorrindo torto com seus dentes quebrados, sentimos de imediato empatia pelo sujeito. Logo em seguida sofremos por antecipação pela exposição ao ridículo, a vergonha alheia, quando ele anuncia, com o mesmo tom de quem pede licença para ir ao banheiro, que está ali para cantar Ópera. E então, preparado o terreno, vem a surpresa: o cara de crachá que atende você num balcão é, na verdade, um gênio da Ópera. Era talvez a última chance de Paul Potts, aos 37 anos, e ele aproveitou bem.

Quando a música chega ao ápice os presentes se emocionam, vibram e arquejam apapagaiados, porque Potts está lhes lavando a alma, e faria o mesmo com outros milhões de infelizes no youtube. A música de Puccini dentro de tudo isso não é o mais importante, é só a trilha certa de algo bem maior, que é a glorificação de um homem comum.

Mas… e hoje? Logo um mês depois de vencer o Britain’s Got Talent e fazer uma apresentação para a Família Real, Potts assinou um contrato de 1 milhão de libras com a Sony, saiu em turnê mundial e lançou o álbum “One Chance“, com mais de 3 milhões de cópias vendidas até agora (na geração download esse é realmente um bom número, sobretudo para música erudita). Recentemente, a Paramount Pictures anunciou que vai produzir um filme sobre a vida de Paul Potts.

Com a reviravolta, Potts conseguiu dinheiro para consertar os dentes e está um pouco mais seguro - bom pra ele. Mas eu tenho impressão que o público gostava mais do vendedor desengonçado que é um gênio da Ópera do que do gênio da Ópera que um dia já foi um vendedor. Nothing personal, just showbusiness.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Clique para ouvir ”Con te partirò (Time to say Goodbye)”

Junho 26, 2008

Homem de Firme Destino _Capítulo Apócrifo

Mais um capítulo do HdFD: relato sobre as glórias e fracassos de um homem que, acometido por uma ereção espontânea e duradoura, segue jornada na direção para onde o pênis aponta.

Neste capítulo nada de mais acontece, exceto por um infeliz que tem o crânio partido ao meio por causa de um coco que lhe acerta a cabeça, e mesmo assim acho que vale a pena ler - eu, pelo menos, gostei muito.

Abraço fraterno,
Márcio N.

CAPÍTULO APÓCRIFO

(Onde nada acontece, para profunda decepção do narrador e possível acesso de tédio no desocupado leitor)

 

O tempo estava parado e tudo estava parado. Naquela paragem onde os ventos não mais sopravam, eram como altas e estreitas torres os coqueiros que se multiplicavam pelo areal; pincelando em tons de verde e cinza a paisagem aparentemente pacífica, ligeiramente bonita e, não importando a época do ano, invariavelmente ensolarada e absolutamente enfadonha.

De tão enfadonha, aliás, era praticamente impossível para um visitante não ser surpreendido por uma leve e agradável sensação de dormência nas extremidades do corpo, tais como as palmas das mãos, o solado dos pés e, em especial, o cérebro. Era justamente aquele estado de espírito pleno, quase zen-budista, que exercia uma atração irresistível para turistas de origem as mais diversas e improváveis. Partiam em procissão trajando suas camisas de motivos florais só não mais chamativas que os vibrantes guarda-sóis empunhados com orgulho – os guarda-sóis que pareciam com grandes e constrangedores cogumelos –, e tudo era decadência

Sons breves, abafados, algo a se estatelar no chão. Os cocos desabavam a todo instante – depois de passar a vida considerando a idéia de cometer suicídio, profundamente aborrecidos que estavam, se lançavam em intervalos regulares do alto das torres, dos coqueiros, da desilusão ou da forma que preferissem enxergar a situação.

Aqui e ali, traçando pequenas parábolas no ar entre um coqueiro e outro, estavam estendidas as redes. Ou os casulos. Os casulos hospedavam um contingente cada vez maior de dementes – até agora todos que por lá aportavam, seja por acidente ou de feita premeditada, com exceção talvez do Homem de Firme Destino, que somente agora nos presenteia com a graça de sua presença, acenando de longe e se distanciando a passos rápidos, em ritmo tal, que parecia dar pequenos pulinhos na areia escaldante.

Um observador mais atento, caso não tivesse ele entrado em coma no exato instante em que pôs os pés formigantes no referido lugar, concluiria que aquelas pessoas só sairiam dos seus casulos na iminência de um compromisso realmente sério, como, por exemplo, a morte. E muito embora não aparentassem qualquer pressa em honrar tal concordata, em alguns casos além de irremediável a morte se apresentava também inadiável, propiciando aos turistas um fim ameno, tranqüilo e tropical ali mesmo, no conforto do areal. Nota necessária: Os cocos eventualmente atingiam algumas cabeças. Partiam em duas partes, as cabeças, em uma simetria perfeita e no mínimo curiosa. Além disso, eram vazias. Vazias de maiores preocupações, vazias de qualquer recheio que fosse. De maneira não menos particular, os cocos nada sofriam e se acomodavam na areia para murchar e apodrecer naturalmente, os cadáveres ao seu lado lhes servindo de adubo. Ramos brotavam de sua crosta enrugada e se transformavam em, adivinhem vocês, mais e mais coqueiros. Enquanto no areal se erguiam cada vez mais torres, apareciam cada vez mais hóspedes – velhos, jovens, cadáveres, esqueletos decapitados, húmus e assim por diante: a ordem natural das coisas.

A razão desse ciclo de vida e de morte ninguém jamais poderá saber. Nem mesmo o Homem de Firme Destino que, incorruptível na busca dos seus nobres objetivos (o sul, sempre o sul), ignorou solenemente as armadilhas impostas pelo areal ao seguir somente no retumbante futuro que se pronunciava à sua frente. Nem mesmo o observador mais atento poderia nos fornecer qualquer informação mais reveladora, sobretudo porque foi ele um dos infelizes a ter o crânio partido em dois e de onde não se extraiu mais que um lamentável bloco de notas em branco. E nem mesmo os ventos que nos trazem as boas notícias sabem sobre qualquer coisa, que nunca eles se deram ao trabalho de castigar a paisagem a fim de extrair a verdade. E nem mesmo vocês sabem de qualquer coisa, a menos que em uma demonstração de raro ímpeto, assumindo conta e risco, decidam organizar uma expedição a fim de tomar uma conclusão qualquer sobre o referido lugar – o que em todo caso, além de empreitada das mais arriscadas, configura perda de tempo ainda maior que as linhas que nos trouxeram até aqui. Apresentadas as mais abstrusas circunstâncias, e não sem antes atentar para o ar tristonho dos leitores, concluo como sendo de concordância mútua não escrever mais absolutamente vírgula sobre este lugar inútil.

 

O escrivão.

Os primeiros capítulos estão aqui no bunker. Os próximos vou soltando na seqüência.

Junho 26, 2008

Tiros e explosões perto de você

Após a desgraça de hoje cedo durante meu café-da-manhã em Beirute, onde ingeri uma coalhada sem açúcar sob forte estresse por causa das explosões, rajadas de metralhadoras e gritos de socorro, voltei ao bunker decidido a não mais sair. Decidi, também, incluir aqui uma baladinha para acalmar os ânimos.

São duas versões para a mesma música, “Close to you”.

Acima uma cena extraída de Máscara da Ilusão, filme de Neil Gaiman e Dave McKean, em que um estoque de Atualização Eterna de Donzela dança loucamente em um bunker como esse.

E esta é a versão original dos Carpenters, quando a música era ainda uma menina pueril.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Junho 25, 2008

Platão e um ornitorrinco entram num bar…

Você alguma vez pensou em se transformar em pato?

“Tom Cathcart e Dan Klein seguiram carreiras bem comuns depois de estudar filosofia em Harvard. Tom trabalhou com gangues de rua em Chicago e iniciou diversos programas de mestrado em teologia, sem terminá-los. Daniel escreveu piadas para comediantes, criou pegadinhas para o programa de televisão Câmera Indiscreta e continua a escrever thrillers. Cada um mora com sua esposa na Nova Inglaterra, Estados Unidos.” 

↑ Sobre Tom Cathcart e Dan Klein, que escreveram Platão e um ornitorrinco entram num bar, livrinho de filosofia de onde veio o cartum acima.

Encontrei um na Siciliano do Natal Shopping, acho que era o único. Mas é possível encomendar aqui.

Próximos dias trago mais uns trechos pra cá, a Máfia do Scanner.

Abraço fraterno,
Márcio N.,

† MDS

Junho 24, 2008

Entrevista _Atualização Eterna de Donzela

Sega Toys revela tudo sobre namorada-robô em entrevista exclusiva
Ela tem um busto grande, é pequena, muito amigável e funciona com baterias. Em entrevista concedida com exclusividade aos sobreviventes do Bunker, equipe da Sega Toys conta tudo sobre Atualização Eterna de Donzela, a namorada-robô.

PROFESSOR TAKEDA, O SENHOR ESTÁ NOS OUVINDO?
Perfeitamente. Esse Código Morse é mesmo um barato.

UMA PERGUNTINHA PRA QUEBRAR O GELO: O SENHOR TEM NAMORADA?
Sim (risos)… e olha que estou concluindo mais uma. Espero que as outras 17 não desconfiem.

TODOS PODEM TER QUANTOS MODELOS QUISER?
A sociedade do futuro não será muito diferente da de agora: dependendo de quanto dinheiro um sujeito tem, é possível ter quantas namoradas ele bem entender. Quem não tem como pagar por uma namorada exclusiva, pode alugar uma.

ALGUMAS PESSOAS QUESTIONARAM AS FUNÇÕES DO PRIMEIRO MODELO. A NAMORADA-ROBÔ PODERIA SER MAIOR, COM UM PROCESSADOR MAIS POTENTE?
Chegamos a desenvolver um protótipo, que infelizmente não será colocado à venda.

E POR QUE NÃO? PODEMOS SABER?
Ela estava cheia de idéias, sabe? Muito independente, com objetivos etc. Nós íamos destruí-la, mas alguém sugeriu mantê-la no centro de pesquisas para divertir as crianças. Ela é uma graça. Outro dia ela descarregou uma bateria inteira falando sobre Karl Marx com o Pascoal.

OUTRO CIENTISTA?
Pascoal é o nosso camundongo de três orelhas.

VOCÊ ACREDITA QUE CHEGAMOS AO FUTURO, PROFESSOR?
Não, para chegarmos ao futuro ainda faltam os ciborgues e os carros que voam.

E O SEXO?
No manual incluímos um capítulo sobre sexo. Mas devemos entender que numa relação é o carinho e a compreensão mútua que devem existir para acabar com o muro de ilusão que divide as pessoas… acho que os beatles já diziam isso… de modo que o sexo não é o mais importante. Basta observar que as pessoas param de fazer isso depois de um certo tempo casadas, geralmente quando as mulheres recorrem ao personal trainner e os homens às prostitutas.

A NAMORADA-ROBÔ, É FIEL?
Bom, a Atualização Eterna de Donzela nunca vai precisar ir pra academia. Mas muito cuidado com os assistentes técnicos (risos).

VOCÊ FALOU EM ASSISTÊNCIA… A E.M.A. TEM GARANTIA?
São 5 anos de garantia. Depois disso ela entra automaticamente no módulo casamento.

MÓDULO CASAMENTO?
Sim, nessa fase a Atualização Eterna de Donzela apresenta alguns bugs que estamos trabalhando para resolver.

ALÉM DESSE, QUE OUTROS MÓDULOS O CONSUMIDOR PODERÁ ENCONTRAR NO MERCADO?
Ahhh… agora chegou a parte divertida. Existe um módulo para cada gosto. Queremos estilos diversificados para que nossos clientes não caiam na rotina. Alguns módulos são bem interessantes, com ações de namoradas de verdade. Em um deles, namorada-robô consegue assimiliar jingles publicitários e imagens atmosféricas de comerciais, emulando logo em seguida a frase “que fofo, eu quero um”.

OS HOMENS PODERÃO SUBSTITUIR SUAS NAMORADAS HUMANAS PELAS NAMORADAS-ROBÔ?
Claro, mal se percebe diferença. A Atualização Eterna de Donzela é adorável, como uma verdadeira namorada. Também fica insegura sobre o próprio peso, fala sobre atores, se torna bulímica e sofre de crises psicóticas de ciúme. E o melhor: acende luzinhas e solta bips.

O QUE O SENHOR ACHA QUE DEUS PENSA DA SUA INVENÇÃO?
Deus não existe. Eu sou um cientista. Acredito na existência de átomos. Veja você, está cheio deles.

PROFESSOR, FALE SOBRE SEUS OUTROS PROJETOS.
Só um instante…

(quinze minutos depois)

PROFESSOR?
A namorada N.18 funciona perfeitamente.

Márcio N,
Direto do Bunker.

Leia mais sobre a namorada-robô no Estadão

Junho 24, 2008

Módulos _Atualização Eterna de Donzela

Bunker apresenta em primeira mão as opções de conduta da namorada-robô.

Módulo Patricinha
·Acende luzinhas no mamilo quando reconhece a vibração gerada pelo motor de carros importados.
·Processador especial de jumentice garante que cada frase sua seja uma asneira total.
·Função lésbica inclusa, com ímãs instalados nos genitais.

Módulo Esposa

·Neste modo um bucho retrátil é acionado;
·Quando recarregada, deposita uma prole, reclama de assuntos domésticos e reinicia;
·Na função divórcio, ela dispara lasers que destroem seus outros eletrônicos. 

Módulos Cult/Indie

Características comuns nos módulos cult e indie

·Ao invés de baterias, contam com um processador de sushi, que transforma comida japonesa em energia.
·Inclui o módulo RPRPBM (”Repulsa por ralé proletária brasileira mestiça”). Sempre que a namorada-robô vê um deles se abraça a você e diz: “Me salve, querido. Me salve dessa pessoa negra. Me leve para algum café caricaturando o estilo francês”.
·Módulo RPRPBM configurável, para que a namorada não se volte contra o “molho do seu sanduíche”.
·Possui simulador de afetação na voz, com tons anasalados em francês, latim e inglês.
·Ambas imprimem e-books de CLARAH AVERBUCK pelo ânus.

Características distintas nos módulos cult e indie

·A namorada indie ronca a trilha do “Fabuloso Destino de Amelie Poulain”;
·A namorada cult ronca melodias de Astor Piazzola.

·A namorada indie emula frases ruins de Paulo César Peréio e Wander Wildner;
·A namorada cult também emula frases ruins de Paulo César Peréio, mas prefere Raul Seixas.

·A namorada indie tem as arestas do esfíncter adornadas em dourado;
·A namorada cult defeca pecinhas que parecem ouro de verdade.

·A namorada cult reconhece como amigo todos os escritores de sua geração;
·A namorada indie reconhece como amigo não apenas escritores, mas também todos os integrantes da MTV, da revista TRIP e do VANGUART.

·A namorada indie tem processador de jumentice que garante que cada frase sua seja uma asneira total;
·A namorada cult tem processador de jumentice que garante que cada citação sua seja uma asneira total.

Módulo Crise de Identidade (fase 1: descoberta)
Em 6 idiomas, emula as seguintes frases:
·“Não me reconheço mais.”
·“Estou passando por uma fase.”
·“Não é você, sou eu.”
·“Não sou eu, é você.”
·“Quero sair para dançar.”

·Ao toque do botão “Boate Lotada”, ela se põe a girar e a movimentar os braços sintonizando a freqüência da rádio de sua preferência.

Módulo Crise de Identidade (fase 2: Vendo as coisas de uma nova perspectiva mais madura)
·Ao fim da primeira fase, a Atualização Eterna de Donzela passa a ver as coisas por um novo ângulo.
·Tudo o que ela fala será indicativo de uma profunda compressão da vida, de si mesma e das pessoas.
·Para resolver, basta amarrá-la a cama de quatro e currá-la (Manual de instruções, página 57).

IMPORTANTE:
·Manual redigido em latim, na tipologia webdings.
·Primeira carga da bateria: 48 horas. Ao completar 47 horas, a robô bipa repetidamente “Não pára, não pára, tô chegando lá, Tigrão!”

 

 

 

Abraço fraterno,
Márcio N.

Leia mais sobre a namorada-robô no Estadão 

Junho 19, 2008

O melhor site do mundo

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Abraço fraterno,

márcio

Junho 19, 2008

Homem de Firme Destino – Capítulo 4

Capítulo do HdFD que acabei apagando daqui por engano .
Algumas partes se perderam, acho.
Valeu, Igor, por ter salvado :)

Abraço fraterno,
Márcio N.

CAPÍTULO IV

(Escoriações sérias em uma jornada mística para além da razão)


Centenas de pedrinhas rolaram o desfiladeiro anunciando a chegada do Homem de Firme Destino naquele território rico em granitos, pedras, rochas e toda aquela areia que não passava de fragmentos de mais granitos, pedras e rochas. Além disso, podia-se destacar o solo ocre e, embora isso não fosse algo particularmente interessante, aquilo era o melhor que se tinha em mãos, ou nos pés – como era naquela ocasião. O Homem de Firme Destino circunvagava o precipício a passos escorregadios, os calcanhares afundando nas britas. Ouvia a mórbida canção assobiada pelo vento. Eram silvos longos, pausados e carregados de tristeza – o equivalente ao blues dos primórdios do mundo. Além disso, não havia muita coisa. Há pelo menos duas eras geológicas nada se movia naquele lugar, sendo o recente deslizar de pedrinhas o evento histórico mais importante da região desde o Big Bang. Pena que, de tão deserto, não havia ali mais ninguém além do Homem de Firme Destino para presenciar o fenômeno. Era aquele um dos territórios mais inférteis que a terra já teve o desprazer de hospedar. Não fossem tão desgraçadamente inférteis todos aqueles granitos, pedras e rochas teriam eles certamente sido germinados em frações de segundos, tamanha era a solidão que se encontrava o nosso herói em sua dura prova, emitindo rajadas de sêmen aonde quer que passasse. Pelo bem da verdade, pois os ventos tratam de banir qualquer incerteza para além de a perder de vista, aquela era sua mais dura prova: encontrar-se consigo mesmo em uma jornada mística para além da razão. O sol se pronunciava como um guia espiritual, compondo uma paisagem arroxeada que provocava em sua mente visões das mais curiosas, e íntimas. Eis que em uma dessas lucubrações, enquanto agonizava de sede e de tédio, o Homem de Firme Destino se viu caminhando ao lado de um animal grotesco com quem tentara estabelecer algum diálogo. Uma criatura disforme, sem cabeça, apenas tronco, que de algum modo emitia sons apesar das veias que lhe percorriam o corpo e selavam sua boca. Observou melhor, erguendo a cabeça à altura dos seus olhos, e constrangeu-se ao se dar conta de que na verdade havia fitado sem qualquer discrição uma parte de um semelhante que não lhe dizia respeito, de um clone seu, idêntico – um duplo qual um espelho colocado à sua frente. Havia, irremediavelmente, encontrado o seu Eu (o dele… o dele… passou). Então era aquele o seu rosto, pensou, era pior do que imaginava. Devia ter feito aquela cirurgia de desvio de septo quando teve oportunidade, pensou novamente, mas o charme parece que tem funcionado, continuava pensando, desconectado de tudo o mais. O duplo encarou-lhe com olhos sombrios, e disse: “acorda, homem, à sua frente!”. Neste instante o Homem de Firme Destino teve a sensação do mundo desaparecendo sob os seus pés, como um lençol que lhe é puxado por baixo das canelas, e passava a flutuar, e junto a ele as centenas de pedrinhas que lhe sugeriram que rota tomar. Rolaram, rápidas e saltitantes, as pedrinhas. O desfiladeiro tinha uns dois quilômetros de extensão, com uma angulação pouco amigável, de maneira que a providência imediata foi encontrar a posição mais confortável para enfrentar a brutalidade da queda e dela sair vivo: encolheu-se à maneira dos caracóis, rolando e trepidando em movimento livre e desenfreado, capotando sem controle, a tragédia fluindo loucamente, deixando lascas de pele e farrapos de roupa pelo caminho (não era possível distinguir uma coisa da outra), e o principal: garantindo ainda que suas partes mais sensíveis estivessem devidamente protegidas, no núcleo do caracol. Ouviu sinos a badalar sobre os seus córneos, e por um momento veio o à sua lembrança a canção das virgens de Cachoeira tocando harpas.  O ponto máximo da viagem mística foi a viagem astral causada quando, durante a queda e por causa do impacto, sua alma se desprendeu de seu corpo, capotando logo atrás, e só voltando a ele na base do penhasco, quando pôde finalemente retomar o controle da situação. Tal evento fora classificado pelos ventos que nos maltratam a paciência como o terceiro fato histórico mais importante do lugar. Ficava atrás apenas do Big Bang e das pedrinhas que rolaram o desfiladeiro poucas horas antes. A propósito, àquela altura a odisséia já ultrapassa com larga vantagem a casa das oitenta horas de caminhada. Escoriações sérias, muito sérias.

Junho 18, 2008

Bola Seca Futebol Clube

Melhores momentos do último jogo do Bola Seca Futebol Clube. Um time autruísta & democrático, onde os que sabem jogar ficam no banco e os que não sabem entram em campo.

É com você, Casa Grande:

Disputa de bola nas míticas areias de Pirangi.

Aqui, uma bela execução do drible-da-vaca.

Tentando cabecear meteoro.

Disputa de bola com jogador obscuro.

Não é só um placar, há muito mais em jogo.

Torcida.

Pterodáctilo invade o campo, flagrante nas areias de Pirangi.

Exemplo de jogo pelo MSN.

Bicileta histórica com dorsal.

Instantes antes de contratempo com parada cardíaca.

Watchman? Sim!

Jogo cancelado pelas péssimas condições do tempo.

Bola Seca é: Arnaldo, George, Fialho, Márcio, Jocajola e Danilo (fora de quadro).