Agora, um minuto da atenção de vocês para um comunicado importante:
With a Little Bit O`Luck / Frederick Loewe (music) & Alan Jay Lerner (lyric) / Alfred P. Doolittle = Stanley Holloway / My Fair Lady, 1964
Abraço fraterno,
Márcio N.
Agora, um minuto da atenção de vocês para um comunicado importante:
With a Little Bit O`Luck / Frederick Loewe (music) & Alan Jay Lerner (lyric) / Alfred P. Doolittle = Stanley Holloway / My Fair Lady, 1964
Abraço fraterno,
Márcio N.
Na época em que Plutão foi rebaixado da categoria de planeta, pensei em um conto infantil sobre isso; mas, trataria do contrário, de alguém virando planeta. O resultado ficou meio estranho, exageradamente bobo, mas gosto do texto…
Aí vai ele.
Abraço fraterno,
Márcio N.
COMO ME TORNEI UM PLANETA
Márcio Nazianzeno, 2006.
Nos últimos milhões de anos não tenho feito muita coisa além de girar. E, além de girar, não existe nada de muito mais interessante para se fazer aqui no espaço. Giro em torno do meu eixo, o que chamam de movimento de rotação. E giro também em movimento de translação, que lembra a tradição indígena de dançar em volta da fogueira para gravar documentários. Mas isso é pouco comparado à louca dança de ser um planeta. No caso de um planeta, a fogueira é uma grande bola de fogo que chamam de Sol – particularmente, prefiro chamá-la de “boneca”, “gata”, ou então, “Grande Bola de Fogo”.
Saber que movimentos você deve realizar quando está em órbita é muito importante. Primeiro, por ser uma questão educacional básica, e, depois, por medidas de precauções que visam sua segurança. Portanto, muita atenção. Ficar a par dos seus movimentos é de suma importância para o caso de você de repente se ver perdido em pleno espaço, que é um lugar grande, realmente grande, do tamanho do próprio universo. Sabe-se do caso de um planeta que, ainda jovem, foi seduzido pela possibilidade de encontrar novas galáxias mais atrativas e acabou se perdendo. Ninguém sabe exatamente onde ele foi parar e a sua história termina aqui, o que é uma pena, ou eu poderia fornecer mais detalhes.
Ficar zanzando no espaço pode ser perigoso para um planeta. Você pode acabar se chocando contra um meteoro, pode dar de frente em outro planeta, ir de encontro à Grande Bola de Fogo ou até mesmo ser tragado por um buraco negro e se perder para sempre no Vácuo Eterno do Mau e da Escuridão, um lugar muito, muito, muito assustador mesmo. Quando criança, todo planeta já ouviu ao menos uma vez a seguinte cantiga de roda, a canção do vácuo:
Não fique vagando por aí
O buraco negro é quem diz:‘Abro minha boca
mesmo que você corra
e sugo você pelo nariz’Não há no espaço um só lugar
Onde o buraco-negro não possa estar
Seja um bom menino, viva de mansinho,
Eras e eras a girar.A parte do “sugo você pelo nariz” nunca cheguei a entender direito. São muitos os idiomas falados no espaço e a tradução pode ter sido comprometida (sem contar que em algumas civilização intergaláticas as palavras não são faladas, mas transmitidas por telepatia, e-mail ou MSN). O que ocorre é que, na verdade, a letra de Canção do Vácuo pode ser completamente diferente. Na verdade, uma verdade talvez até mais crível, essa canção possivelmente nunca existiu e talvez eu tenha mentido para você. Portanto, anote isto, que é outra regra básica para quando você está sozinho no Espaço: nunca confie em estranhos, nunca fale com estranhos e, o mais importante: nunca seja você mesmo um estranho.
Uma outra coisa importante a saber sobre um planeta é que eles duram muito e, tirando um planeta que girava tão rápido que teve toda sua história lançada em um livro de bolso, eles podem durar o infinito. E o infinito, caros pontos insignificantes, demora um bocado de tempo para passar se você não tem com o que se distrair. Por isso, se existe uma coisa realmente boa em estar perdido no espaço sideral, é o tempo para se pensar em questões primordiais, como: de onde viemos, para onde vamos, por que giramos tanto, etc. Por milhões de anos, uma das mais intrigantes das questões primordiais seria: por que cargas d`água Saturno insiste em usar aqueles anéis tão fora de moda? Dizem as más línguas que Saturno nunca se adaptou muito bem à rotação, e por isso sofreu por muito tempo com problemas de tontura e acabou ficando meio tantã. Uma pena. Outros planetas, ainda mais maldosos, espalham por aí que ele tem sofrido de sérios problemas com excesso de gases, sendo transferido para uma área mais isolada do Sistema Solar.
A minha segunda grande questão foi tentar compreender por qual motivo me tornei um planeta. Não pensem que foi fácil. Para chegar a uma resposta satisfatória refleti por alguns milhões de anos, atravessei eras geológicas, cataclismos, guerras e meus ácaros (pequenas formas de vida que estão em todos os lugares, incluindo você quando não toma banho) se tornaram espécies tão evoluídas que já dominam inclusive outros planetas. E, a resposta fundamental ao real motivo pelo qual me tornei um planeta, é: eu jamais poderia saber. Passei tanto tempo focado na questão que acabei me esquecendo inclusive como eu me tornara um planeta. Por sorte, os meus ácaros conseguiram reproduzir em laboratório todo o meu processo evolutivo, de modo que pude acompanhar de perto minha humilde origem.
Eis como tudo sucedeu.
Antes de virar uma enorme massa disforme em mutação eu fui um humano como qualquer outro. Na linha evolutiva, entre todas as espécies que habitavam o até então conhecido planeta de onde vim, os humanos estavam em um nível intermediário entre as amebas e os chimpanzés, o mais evoluído dos primatas. Cada espécie tinha seu diferencial, alguma coisa que desse um tchans. Os chimpanzés saltavam de árvore em árvore e catavam piolhos uns dos outros enquanto pensavam em quão idiota era o homem e porque eles sempre estavam lhes apontando armas. Os peixes nadavam muito bem e eram coloridos, mas de vez em quando cometiam a burrada de morder alguma isca de plástico pensando que era comida e, coitadinhos, morriam sufocados foram d`água apunhalados por um anzol – esse vacilo os deixava atrás dos chipanzés, mas não dos humanos. Os humanos sabiam no máximo escrever livros e operar máquinas, mas tão mal que às vezes acabavam colocando os pés pelas mãos e matavam uns aos outros. Deste modo, ser o terceiro lugar na linha evolutiva não tão ruim para quem fazia tanta besteira. Em situação pior estavam as amebas, que nem sei bem o que fazem, talvez seus professores de ciência possam explicar isso melhor.
Então, eu levava minha vida humana quando as coisas aconteceram.
Primeiro veio uma guerra envolvendo várias das máquinas que os humanos não sabiam utilizar bem. Depois, para completar, veio a destruição completa e com ela o fim do mundo. Com o mundo completamente destruído ninguém tinha onde ficar, de modo que todas as formas de vida como peixes, chipanzés, amebas e humanos foram lançadas ao infinito do espaço. Todos passaram a vagar sozinhos, flutuando na imensidão, e aos poucos foram se adaptando a uma nova realidade: girando, girando e girando até se tornarem algo completamente diferente das formas de vida que conhecíamos. Transformaram-se em planetas independentes, cada qual em seu lugar, como várias pedrinhas insignificantes arremessadas ao alto sem qualquer habilidade especial – exceto, talvez, girar.
E continuamos girando.
∞ ∞ ∞
As imagens curiosas que ilustram o texto são fotos de uma explosão nuclear, retiradas daqui.

Gostaria de agradecer ao autor, Renan Rêgo, por tão comovente homenagem.
Abraço fraterno,
Márcio N.

Pelos comentários que li por aí os fãs do Los Hermanos estão em fervorosa com o álbum do Little Joy, banda de Rodrigo Amarante. Além dele, o grupo tem o baterista dos Strokes, o que abre as portas e as orelhinhas de um público mais amplo. O disco é o que se esperava, tem um pouco de uma banda aqui, um pouco de outra ali, trazendo arranjos com uma atmosfera retrô que, tem horas, lembram algumas coisas do Pet Sounds - soa bem moderninho, até, tanto que beira o abuso. Uma surpresa, eu acho, são as músicas mais puxadas pra um reggae esculhambado e também as sessentistas com a menina cantando, Binki Shapiro, ela tem aquele jeitinho jovem na voz que é uma coisa, ui.
Vocês tem 3 opções para ouvir o disco inteiro do Little Joy:
· A maneira legal, on-line pelo myspace, clicando aqui;
· A maneira ilegal, fazendo um download do disco, clicando aqui;
· A meneira antiga, sendo uma pessoa decente e comprando o disco.
O vídeo acima acabou de ser jogado no youtube. É tão novo, mas tão novo, que o contador hoje acusa menos acessos que esse blogue tão exclusivo.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Leia dança do esfíncter, outro artigo sobre Little Joy.
“She-Ha e eu queremos falar com vocês sobre uma coisa muito pessoal: o seu corpo. Lembrem-se, o corpo é seu e ninguém deve tocar em você de modo que sinta que está errado.”
“Se você for tocado deste modo não se acanhe: conte para alguém de sua confiança, como: os seus pais, o seu médico, a sua professora ou algum parente mais velho. Certo, Gorpo?”
Esse é um assunto realmente pesado, he-man, mas é preciso reconhecer a importância da tua campanha. E, também, com o que se via na TV, né, Meneguel?
Abraço fraterno,
Márcio N.
Quando vi essa campanha de anúncios impressos lembrei de uma série de tiras que gosto muito, Mismatches, premiada em 2006 no 33º Salão de Humor de Piracicaba. A seguir:

O autor é Acácio Geraldo de Lima, que fez apenas duas pranchas com a série.
Da mesma forma que lembrei das tiras quando vi os anúncios linkados lá em cima, pensei em anúncios quando vi a série pela primeira vez – esse é um hábito desagradável que adquiri trabalhando com publicidade; tentar sempre enxergar uma finalidade comercial em entretenimento. O que não é ruim, em todo caso.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Caros e sofríveis detentores da 5ª pior banda larga do mundo: a custo de muita espera, e quando sua conexão terceiromundista carregar, vocês poderão assistir a estes três clipes muito doidos de uma banda massa:
As músicas, na ordem: “For Reverend Green”, clipe não-oficial feito por alguém que gosta da banda; ”Peacebone”, o deles mais popular no youtube; e, o último, “Who could win a rabbit”, uma fábula violenta e loucona.
Animal Collective é talvez a banda que me parece agora mais nova e “atual”, se esse é o termo… ainda assim, tem umas coisas que lembram Syd Barrett, da primeira fase do Pink Floyd - é a impressão que tenho.
Se gostou da banda leia sobre no wikipédia e escute outras músicas no myspace.
Abraço fraterno,
Márcio N.

A vida é cheia de responsabilidades, alguém pode dizer. Mas falar isso é meio sem sentido, porque viver é basicamente tudo aquilo que você faz quando deveria estar sendo responsável – uma coisa, ou outra…
***
Você pode tentar colocar as coisas em ordem com uma agenda de compromissos. Eu tenho um pedaço de papel, que serve para anotar minhas pendências. Sempre que quero me sentir mal eu olho para essa lista de coisas que não fiz. Da mesma forma, quando eu quero me sentir bem, ou útil, tento resolver algum item da lista. Interferir no meu estado de humor foi a única função dela até aqui.
***
Algumas coisas não fazem muito sentido, por exemplo: no escritório eu sigo uma pauta, e essa é uma lista de obrigações dentro do item “trabalho” de uma outra lista, uma lista maior. Sozinho, o item “trabalho” ocupa a maior parte do meu dia. Passo em média 10 horas no escritório e, dormindo, 6. Para todas as outras coisas, sobram apenas 8 horas – e eu preciso me virar bem com elas.
***
O trabalho danifica o homem.
***
Quando eu era criança e ficava de férias os meus dias eram simplesmente lotados. Sem agendas, listas, nem responsabilidades; eram dias inteiros pela frente, um atrás do outro, num ciclo-viciante de irresponsabilidade e descompromisso, e a vida era assim. Agora, uma pergunta: o que acontece hoje para alguém se ver com nada para fazer quando chega o fim-de-semana?
***
Continho com final triste
Era uma vez um homem que perdeu a memória. Ele então viajou, viveu aventuras, encontrou o amor da sua vida; casou, teve filhos, e foi uma pessoa relativamente feliz. Um dia, em algum lugar, ele encontrou sua agenda de compromissos antiga. Recobrou a memória, esquartejou a esposa, queimou os filhos e voltou para o escritório.
~ FIM ~
***
***
Alguém uma vez me disse que em Buenos Aires as pessoas têm o costume de, no reveillon, rasgar suas agendas de compromissos. Assim, último dia do ano, todos os anos, as ruas são tomadas por folhas soltas de papel, e as pessoas andam contentes entre elas, felizes que estão com a sensação de liberdade e de dever cumprido. Então, no dia seguinte, o primeiro do ano, elas acordam preocupadas, compram agendas novas e começam a escrever seus compromissos novamente.
***
Agora, uma verdade: não se vive o bastante para se dar ao luxo de desperdiçar o tempo com merda. No lugar de uma lista de compromissos, as pessoas deviam fazer uma lista de possibilidades; e nela escreveriam todas as coisas que realmente gostam, para não esquecer. Uma hora podem precisar.

É isso.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Nas imediações do Bunker circulava a seguinte manchete num jornalzinho de bairro que precisava melhorar as vendas:
“Fotos de Deus fumando crack vazam na internet.”
Acredite se quiser, irmão ou irmã.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Da 0h até as 23h59 de hoje, a Cosac Naify está vendendo todos os títulos do seu site com 50% de desconto.
É uma das editoras mais finas do Brasil se vendendo a preço de LPM – então, vai lá.
Abraço fraterno,
Márcio N.
“O Africano”, Le Clézio, Nobel de 2008: de R$42 por R$21.
Vídeo de 1996 para apresentar o americano Elliott Smith (1969-2003), que fez algumas das músicas mais bonitas que já ouvi, e continuo ouvindo, ao longo dos anos.
↑ Músicas: 1. Instrumental version based on what became “Baby Britain”, at the beginning and between the last two songs + 2. “Beetween the Bars” (take 3), live on film version here, LP version available on Either/Or (1997) + 3. “Thirteen” (live Big Star cover), also available on the Thumbsucker soundtrack (2005) + 4. “Angeles” (take 1), live on film version here, LP version available on Either/Or (1997) .
Há uma diferença crucial entre o que existe no vídeo acima e tudo o mais que tem sido feito na música pop - cada vez mais artificial, fria, baseada em virtuosismo de estúdio; ao contrário disso, as músicas de Elliott Smith realmente colam, são verdadeiras e você acredita nelas, porque são feitas por alguém de verdade.
Ia escrever mais sobre ele, aqui, mas você pode ler sobre quase tudo nesse texto que saiu no Dying Days. Neste outro site, o sweet adeline, você tem acesso a mais músicas e vídeos. Algo que a matéria do D.D. não cita, por ser antiga, é o segundo álbum póstumo, ”new moon”, lançado recentemente, em 2007.
As músicas para mim parecem mais melancólicas quando vinculadas a figura de Elliot Smith, que sem dar satisfações foi embora do mundo, aos 34 anos, na hora mais animada da festa.
abraço fraterno,
Márcio N.
Enquanto o Governo Federal prevê cortes no orçamento, em Natal a Câmara dos Vereadores corre para assinar uma reforma ao seu modo: aumentando em muito o salário de secretários, vereadores e até o da prefeita eleita. Leia aqui.
$$$
Aumento de 105,11% para a prefeita eleita.
De R$ 10.780,00 para R$ 22.111,25.
Aumento de 136% para secretários
De R$ 7.000,00 para R$ 16.583,43.
Aumento de 185% para procuradores
De 7.000 para R$ 19.955,40.
Aumento do teto salarial de vereadores para R$ 18.000,00
Assim, ninguém duvida que eles vão votar pelo aumento.
Subsídio diferenciado para Presidente da Câmara para R$ 20.000,00
A proposta é do próprio presidente da Câmara, Dickson Nasser, candidato à reeleição.
$$$
Se me permitem.
Encontrem um abrigo seguro, decente e limpo, que é sempre prudente.
Uma chuva de merda tende a desabar sobre Natal.
Abraço fraterno,
Márcio N.
O vídeo abaixo é aparentemente simples, mas tem algo nele que cativa as pessoas. Eu achei no mínimo leve, divertido, bonito… e filosófico, também.
Quem quiser se aventurar, tem outros no Portable Film Festival.
Abraço fraterno,
Márcio N.

Ventosas em Fúria, uma das revelações da Mostra.
É com muito prazer e as mãos em carne que incluo aqui somente o crème de la crème da II Mostra Pornô Independente, que reuniu neste respeitoso recinto os melhores filmes da Pornografia Geek.
1. Anais de Saturno
Este filme na verdade não se passa em Saturno, mas em Marte. Ao que parece, a tradução brasileira desprezou totalmente a coerência científica em detrimento de exigências comerciais; e, apesar do título desastroso, é um filme dos melhores: cientistas da NASA descobrem que rochas vulcânicas são estimuladas sexualmente quando observadas por satélites espaciais. O voyeurismo, imagino, é a idéia chave desta estória que retrata a rotina de cientistas habituados ao exercício solitário da masturbação para pedaços de pedra, via esverdeados monitores da agência espacial americana. Numa tentativa de driblar a rigidez da censura e ampliar a classificação indicada, em momento algum do filme há penetração, não configurando o ato sexual clássico. Os bastidores revelam ainda outras curiosidades: para interpretar as rochas vulcânicas foram utilizadas atrizes com problemas de frigidez, e o tempo inteiro elas se comportam como pedras, imóveis e inexpressivas. Razoável, mas meio morno.
2. O Buraco Negro de Samanta
Samanta é uma advogada bem sucedida que descobre ter um buraco negro alojado na vagina. Apesar de não muito bonita, Samanta exerce uma forte atração por onde quer que passe, isso porque a estranha força gravitacional atrai para suas regiões genitais toda e qualquer massa encontrada ao seu redor: homens, mulheres, jovens, velhos, objetos cônicos (quais hidrantes e postes), cavalos etc. Samanta, aflita com a maldição lançada sobre seu senso de decência, parte numa empolgante jornada em busca do único homem que poderia solucionar seu problema: um cientista marroquino cujos dotes lhe serviriam para vedar o buraco negro à maneira das rolhas. Por fim, o marroquino e Samanta copulam animadamente, o planeta é salvo e tudo termina bem.
3. Ventosas em Fúria
Em expedição ao Planeta Clitorium tripulação de astronautas enfrenta sérios problemas ao se deparar com uma civilização de ventosas que se alimentam de sêmen. Como se percebe, este é um filme repleto de ação, com muitos efeitos especiais e cenas de combates espaciais com tiros de jatos a laser. A trama, revelada entre cenas de sexo entre ventosas e humanos (o que provavelmente muito choca as pessoas sensíveis, acometidos pela ejaculação precoce), mostra uma população dividida em três grupos: orais, anais e vaginais – a raça dominante e que vem perdendo sua hegemonia nos novos tempos. Tortuosas batalhas são travadas entre os povos, sugando até a última gota de energia das vítimas, pobres homens aflitos. Após muita peleja, o enredo toma novo rumo, agora mais panfletário, com um tratado de paz estabelecendo o convívio harmônico entre orais, anais e vaginais. O que sucede: Astronautas integram a população de Clitorium, ventosas vivem tempos de bonança e o filme encerra com um inspirado discurso pacifista proferido por uma genitália. Esta é, a meu ver, uma mensagem educativa para as crianças que por ventura venham a assistir ao filme escondidas dos pais.
4. A Mulher Elástica
Como não poderia deixar ser este filme começa com uma incrível seqüência de abertura (e este é um início e tanto) colocando à prova os limites da resistência humana e sobretudo os limites da própria razão: o filme dispensa efeitos especiais mesmo nas cenas em que a mulher elástica explora toda a sua flexibilidade, em momentos de pura tensão. Uma crítica: a utilização de enquadramentos que não dão a menor chance para a imaginação comprometeram a sensualidade do filme, que erra a mão na medida entre pornografia e ciência – esta sim, bastante explorada no campo da anatomia humana. Por sorte, e para alívio dos pagantes da mostra, o filme conta com um bom argumento: um acidente nuclear na cidade de Chenabill confere habilidades especiais a Chuparova, uma camponesa russa de 18 anos de idade, seios convincentes e um intenso furor uterino. Se você ainda não viu, provavelmente não verá jamais: ele tornou-se uma raridade quando a atriz que interpreta Chuparova admitiu ter 70 anos quando as filmagens foram realizadas, o que levou ao recolhimento das cópias.
5. A vida íntima dos robôs
Atendendo aos fetiches mais obscuros dos mais perversos geeks, este filme de mecânica pesada mostra sem qualquer constrangimento as mais explícitas cenas de parafusos sendo inseridos em roscas, placas encaixadas em plots, luzes e leds frenéticos, algoritmos complexos, bips sensuais etc. Na cena de maior apelo, e que produziu um urro conjunto nas gordurosas salas do Bunker, um antigo PC 486 era totalmente formatado ali mesmo, em frente às câmeras. Obrservação: Desaconselhável para pessoas com vida sexual ativa.
6. Time Machine – Travessuras através do tempo
Em um colégio interno japonês estranhos incidentes ocorrem quando é encontrado um misterioso vibrador capaz de fazer as pessoas viajarem no tempo. A meu ver este foi apenas um recurso dos roteiristas para explorar fantasias inéditas ao longo da História; porque as seqüências seguem um padrão: numa hora uma colegial brinca em sua cama e, no instante seguinte, está em um contexto totalmente novo em algum lugar sujo perdido na História. Na idade média, no período colonial, na civilização maia, e, na cena da caverna, temos uma colegial japonesa mandando ver com o primeiro Homo-Erectus. Mais adiante, em um mundo futurista dominado pelas máquinas, temos pistas substanciais sobre a origem do estranho brinquedo.
7. Abduza-me, por favor
De longe, o mais divertido filme da mostra: num sábado à noite, grupo de alienígenas adolescentes decide perder a virgindade no Planeta Terra e logo se tornam uma grande novidade para as garotas. Conhevenhamos: se carros importados impressionam algumas mulheres, espaçonaves com luzes multicoloridas e design arrojado são sucesso garantido – sem contar que, mesmo quando a fêmea não é atraída à espaçonave por livre-vontade, ela pode ser abduzida facilmente ao mínimo toque de um botão. Agora, uma curiosidade do filme, talvez a que mais tenha rendido bons momentos, são os desencontros ocorridos entre as duas espécies durante o sexo. Cuidado, portanto: embora o filme mostre o contrário, ouvidos e narinas não estão aptos para a penetração.
8. Tentáculos & Tentações
Neste clássico do pornô moderno uma bióloga se apaixona por um polvo modificado geneticamente e que se chama Valtenor. Com claras referências a “20.000 Léguas Submarinas” e “Garganta Profunda”, o filme rende cenas de tirar o fôlego nesta comédia romântica para maiores. Efeitos especiais primorosos dão um tom único ao filme, sendo o Polvo interpretado por um molusco de verdade e a mulher feita totalmente por computação gráfica. Alguma cenas do filme você pode conferir aqui, salvo, claro, se você não estiver usando o computador em um cantinho todo seu.
9. O Homem Elefante
Original dos anos 1940, este longa-metragem provocou uma onda de constrangimento nas videolocadoras nos últimos anos. Não foram poucas as pessoas que, ao procurar pelo filme de David Lynch, acabaram por esbarrar com este clássico do Pornô–B. Acontece que o filme de D.L. é um plágio descomunal, diga-se, tão descarado que copia sem o menor pudor os mínimos (perdão pela injustiça do termo) detalhes do original: o filme do surrealista também tratava de uma aberração cuja tromba grotesta se acentuava no rosto, como se por estar alguns metros deslocada ninguém perceberia a semelhança. Sim, o plágio está na cara.
10. O homem invisível, a mulher invisível e o cavalo invisível
No País das Pessoas Invisíveis todos fazem sexo o tempo inteiro e, por mais que neste lugar seja impossível se enxergar qualquer pessoa, o filme tenta mostrar as mais obscenas perversões sexuais praticadas por qualquer homem, mulher ou equino. Sem utilizar qualquer ator ou atriz durante as duas horas de filme, onde tudo o que podemos ver são paisagens desérticas (onde teoricamente pessoas invisíveis estão trepando) ambientadas com o áudio extraído de filmes pornô antigos. Mas o filme dá conta do recado ao cativar a imaginação dos espectadores. Por exemplo: na cena do sexo na cachoeira tudo o que vemos é uma cachoeira, e o áudio de alguém se divertindo; na suruba da universidade tudo o que vemos são carteiras universidade vazias, e o áudio de duzentas pessoas se divertindo; na cena da aberração em um celeiro tudo o que vemos é o celeiro, e o áudio de um filme do Zorro. Para mim, ver este filme foi como assistir a uma daquelas telas um videokê – mas ao invés de uma música fodida, eu ouvia o som de pessoas fodendo.

Abraço fraterno,
e com o devido respeito,
Márcio N.
Confira a I Mostra Pornô Independente, aqui.
Cinéfilos, zoófilos, amantes das artes em geral: a custo de muito esforço, e não sem a compreensão das autoridades, resgatamos os rolos perdidos com o melhor da pornografia alternativa. Contamos com a presença de vocês.

↑ Imagem extraída de Tentáculos & Tentações, 1984.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Confira as resenhas da primeira edição do evento, aqui.
Uma correspondência de Chico Moreira Guedes acaba de chegar do leste trazendo mais uma de suas traduções. O texto, ainda sem versão oficial em língua portuguesa, e portanto inédito, integra uma coletânea de contos húngaros a ser lançada em meados de 2009 pelo próprio.
† “Leiam sem pressa de chegar ao fim, que é como se deve levar a vida antes de tudo ser aplainado sobre nós.” - O Coveiro.
Abraço fraterno,
Márcio N.
AS PÉROLAS DO COVEIRO
Dudás Attila, 1968

Conheci um coveiro, disse-me uma vez o senhor Alcachofra, cuja altura era exatamente a mesma que a fundura de uma cova: um metro e oitenta e nove. Pois a lei estabelece que todas as covas devem ter exatamente essa profundidade. O nosso homem (cujo nome não revelarei, pois, por um motivo ancestral inescrutável, não nos é permitido saber o nome daquele que deixará tudo bem aplainado depois de nós) era, em resumo, o melhor coveiro que jamais vi. Destacava-se dos demais, e, santa verdade, não apenas por sua estatura. Em meio aos pranteadores encurvados pela dor, ele parecia positivamente enorme, quase um gigante. Seu trabalho (que não se ensina em lugar nenhum – é preciso nascer com o dom de coveiro), ele executava de maneira verdadeiramente especial, pois sempre media as covas pela sua própria altura. Podemos afirmar tranqüilamente, portanto, que, de certa forma, ele, em realidade, cavou sua própria cova a vida inteira.
E como amava a terra!
Sobretudo aquela argilosa e bem escura, pois tinha a santa convicção que foi com essa terra argilosa que o Senhor Deus modelou o primeiro homem-de-lama, e exultava em saber que da mesma matéria formadora do homem, podia fazer o leito para o seu honroso suspiro final. Esta terra negra, repetia sempre, é “divinal, é o que digo, divinal!”, e em meio ao trabalho gostava de provar da terra “divinal”, pois nenhuma outra tinha um gosto tão bom como o dessa pura terra negra. Estava firmemente convencido de que mesmo para além do túmulo era preciso buscar o melhor; ou seja, não é indiferente, em absoluto, o sabor da terra de que nossa boca estará cheia décadas depois da nossa morte. Exatamente por isso apreciava menos os solos pedregosos, pois esses, ele, fazendo uma careta, considerava “imprestáveis” para o paladar humano. O solo arenoso, por sua vez, ele francamente não podia suportar, porque em sua opinião, esse tipo de terra simplesmente “escorria como a vida entre os dedos do homem”, e no final, nosso próprio túmulo podia ruir sobre nós, “como uma espécie de pesado firmamento negro”.

Bem, mas ele não era o melhor dos coveiros apenas devido ao seu amor pela terra. Mas sim, por causa de suas pérolas! Porque todos os coveiros ganham o pão com o suor do seu corpo; e eu me admirava de como suas gotas de suor escorriam para a terra negra. No caso do nosso comprido coveiro, no entanto, escorriam-lhe pérolas não apenas da fronte, mas também dos olhos. À medida que envelhecia, pranteava continuamente os mortos, embora geralmente não os conhecesse. Em pé, no seu palco por cima da cova, segurando a pá como um barqueiro taciturno que remasse, o velho coveiro empurrava a terra sobre o caixão, enquanto as lágrimas vertiam silenciosamente dos seus olhos. Primeiro uma única lágrima deslizava pela sua face sulcada, imediatamente dissolvida num sorriso que a inundava; depois daquela, seguiam-se outras, desenhando caminhos caprichosos no rosto empoeirado, então se misturavam com suor e escorriam para o chão, e para a cova, como verdadeiras pérolas; assim suas lágrimas eram também enterradas com os defuntos. Os parentes, por sua vez, aliviavam-se gradualmente da dor, admirados com as trilhas brilhantes das lágrimas na velha face enrugada do altíssimo coveiro.
Pois fiquem sabendo: as lágrimas do coveiro são o sal da terra, disse o senhor Alcachofra, e uma lágrima solitária partiu-lhe do olho em direção à boca.
[Traduzido por Chico Moreira Guedes]
* † * † * † *
Fotos de Natalia Sahlit. Para ler outra tradução, clique aqui.
Aprenda a se vestir decentemente com este clipe do Broken Social Scene:
↑ Cause = Time / Broken Social Scene / 2001
BSS é uma banda canadense de formação flutuante com em média 12 integrantes que variam a cada disco, show e gravação. A exemplo de Feist, vez por outra algum membro do grupo destaca em carreira solo.
Se você gostou pode ler sobre no wikipedia, ouvir mais no myspace e assistir a outros vídeos no youtube.
Abraço fraterno,
Márcio N.

Esse desenho foi pintado por Gabriel, que também está dando uma diminuída no cigarro.
Outro dia estávamos no trabalho falando sobre o vício:
— Márcio, rapaz, ontem tentei ir dormir sem fumar.
— E aí?
— Quando deu 7 da manhã eu fui no posto, comprei uma carteira, fumei e dormi.
Acho que amanhã vou na Vidraçaria Yang, a mais barata do mundo, e colocar uma moldura nesse quadro.
Abraço fraterno,
Márcio N.

Machado de Assis (1839-1908)
Hoje, 29 de setembro de 2008, completam-se 100 anos da morte de Machado de Assis. Em virtude dessa data a Folha de São Paulo preparou um especial sobre ele, aqui.
É também hoje que presidente da República Federativa do Brasil, Luís Inácio Lula da Silva, que provavelmente nunca leu Machado de Assis, assina com sua impressão digital o decreto para a implantação do acordo ortográfico entre os países de língua portuguesa. Mas assina a contragosto: era sua vontade que o idioma oficial do Brasil fosse agora a língua do “P”.
aprabrapaçopo frapatepernopo,
Máparcipiopo N. (?)
(?) Dialeto falado no meu bairro antigamente, o “P” do gueto. Será que alguém ainda conhece a língua do “P” formal, nas normas clássicas?
!?
?!Sacos plásticos fixados em tubos de ventilação de metrô reproduzem formas que parecem ter vida própria. O efeito surpreende a pedestres, que acabam cruzando com minotauros, gigantes, ursos polares, dragões etc em plena calçada.
A idéia foi reaproveitada nessa campanha de conscientização contra o aquecimento global. Gostou? Tem mais aqui.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Caros conterráqueos,
habitando este luxuoso orifício incrustado na costa do Atlântico sinto-me agora finalmente integrado com o mundo: eis que Mossoró, cidade-irmã, certamente beneficiada por suas condições adequadas de calor veio a se tornar a primeira chocadeira natural de alienígenas que já se teve notícias. Ou pelo menos foi o que li no Jornal “O Mossoroense” da última quinta-feira, que noticiou o aparecimento de um Ovo de ET na casa de Seu Concriz, poeta e comerciante local. A seguir, um resumo do debate que houve entre diversas autoridades em volta do óvulo. Também estaremos lá, graças a este arrojo da tecnologia que é o seu córtex cerebral.
Abraço fraterno,
Márcio N.
OVULUM MOSSOROENSIS
(por Nazianovski-Szienov II)Hoje cedo em Mossoró não se falava de outra coisa senão do estranho incidente naquela fervilhante cidade do semi-árido: um ovo de ET, pesando aproximadamente 100 gramas, apareceu do nada na casa de um distinto comerciante, o Seu Concriz, que naturalmente perdeu o sossego com a multidão de curiosos que tomou conta do seu quintal. A saber, neste exato momento ocorre um animado debate entre os especialistas que se aglomeram em volta do ovo.
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Agora sim: o conto completo, com a ajuda de uma ferramenta do wordpress que eu desconhecia.
Pois bem, ‘Giros, Notas’ é a estória de um homem permanece consciente apesar de morto – tudo com um jeitão detetivesto e sobrenatural. Eu gostei do texto, e agora que vocês podem ler inteiro, aproveitem aí.
Abraço fraterno,
Márcio N.
GIROS, NOTAS
(Sobre como Ross Gitano percebeu que estava morto e tentou inutilmente se safar)
Ross Gitano ficou deitado no chão, sem saber o que fazer.
Ele estava morto. Havia pouca dúvida disso, havia um enorme e horrível buraco em seu peito, mas o sangue que antes se esvaia de dentro dele recedeu e agora apenas pingava. Além disso, nenhum outro movimento provinha de seu tórax. Ou de qualquer outra parte sua.
Ele olhou para cima e para os lados e tornou-se claro para ele que qualquer que fosse a aquela parte dele que estava se movendo, não era parte alguma do seu corpo. clique para continuar lendo