Mensagem no Castelo de São Jorge em Lisboa, Portugal.

E esse foi um clique certeiro de Keyboy, o viandante.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Mensagem no Castelo de São Jorge em Lisboa, Portugal.

E esse foi um clique certeiro de Keyboy, o viandante.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Pronunciamento de Saramago sobre a sapatada do jornalista iraquiano em George W. Bush, o incompreendido.
O Golpe Final
O riso é imediato. Ver o presidente dos Estados Unidos a encolher-se atrás do microfone enquanto um sapato voa sobre a sua cabeça é um excelente exercício para os músculos da cara que comandam a gargalhada. Este homem, famoso pela sua abissal ignorância e pelos seus contínuos dislates linguísticos, fez-nos rir muitas vezes durante os últimos oito anos. Este homem, também famoso por outras razões menos atractivas, paranoico contumaz, deu-nos mil motivos para que o detestássemos, a ele e aos seus acólitos, cúmplices na falsidade e na intriga, mentes pervertidas que fizeram da política internacional uma farsa trágica e da simples dignidade o melhor alvo da irrisão absoluta. Em verdade, o mundo, apesar do desolador espectáculo que nos oferece todos os dias, não merecia um Bush. Tivemo-lo, sofrêmo-lo, a um ponto tal que a vitória de Barack Obama terá sido considerada por muita gente como uma espécie de justiça divina. Tardia como em geral a justiça o é, mas definitiva. Afinal, não era assim, faltava-nos o golpe final, faltavam-nos ainda aqueles sapatos que um jornalista da televisão iraquiana lançou à mentirosa e descarada fachada que tinha na sua frente e que podem ser entendidos de duas formas: ou que esses sapatos deveriam ter uns pés dentro e o alvo do golpe ser aquela parte arredondada do corpo onde as costas mudam de nome, ou então que Mutazem al Kaidi (fique o seu nome para a posteridade) terá encontrado a maneira mais contundente e eficaz de expressar o seu desprezo. Pelo ridículo. Um par de pontapés também não estaria mal, mas o ridículo é para sempre. Voto no ridículo.
16/12/08, José Saramago.
Texto extraído do Caderno de Saramago.
Abraço Fraterno,
Márcio N.
Heath Ledger vem correndo por fora e com larga vantagem pelo Oscar. Foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante (aqui), escolhido como tal pela Associação de Críticos de Los Angeles (aqui), Coadjuvante do Ano pela Associação de Críticos de Whashington (aqui) e melhor ator pela Associação Internacional de Cinema da Austrália, terra natal. Mas o ponto é que a coisa não tem soado como um certo reconhecimento ao trabalho de um ator, mas como pequenos tributos a um ator morto – o que, ao menos ao principal envolvido, não tem sensibilizado. Tirando o aspecto vaidade, premiações do gênero são uma maneira de assegurar salários a críticos, movimentar o mercado, aumentar a vendagem de um filme e engordar cachês na indústria: ora, pois, benefícios completamente sem sentido para alguém que já deu seu último suspiro. Caso Heath Ledger não tivesse se atrapalhado com remédios e permanecesse vivo, estaríamos agora arrastando nossos narizes sobre outro assunto. Melhor fazer isso, então. Vamos nos distrair, pegar um cinema ou alugar um filme – Batman, talvez.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Leia aqui um artigo anterior, palpite escrito aqui meses atrás. Agora, uma correção: não será o primeiro Oscar concedido a um defunto – esse foi para Peter Finch, em 1976, pelo filme “Rede de Intrigas” . Outro indicado foi Massimo Troisi, de “O Carteiro e o Poeta”, em 1996.
Resumo das principais manchetes da última semana, destacadas de um jornal de bairro que apareceu por aqui:
• Água da praia de Ponta Negra é considerada imprópria para menores.
• Turista engravida após banho de mar: nível de sêmen na água é alarmante.
• Baobá é cortado em homenagem a Saint-Exupery.
• Família é encontrada vivendo dentro do Baobá.
• Família que morava em Baobá já estaria na 4º geração.
• Homem é flagrado no centro da cidade ao meio-dia.
• Ponte de Todos é a Golden Gate brasileira.
• Vista de Natal do alto da Ponte de Todos motivaria suicídios.
• Casa de Djalma Maranhão é totalmente restaurada e vira clínica.
• Sem-tetos que teriam tomado Farol de Mãe Luíza sofrem de insônia.
• Para INCRA, Câmara dos Vereadores é terra improdutiva. MST festeja.
• Encontrada alta concentração de fósseis na Afundação José Augusto.
• Em trote, calouro da UFRN é confundido com mendigo e é queimado vivo.
• Pedintes protestam contra tomada das ruas por calouros da UFRN.
• Aluna da UnP sofre ataque de histeria ao ver um proletário pardo.
• Prostitutas natalenses podem virar uma das 7 maravilhas do RN.
• Prefeita de Natal é flagrada em skibunda totalmente nua.
• Skibunda da prefeita desaparece misteriosamente.
• Turistas consideram ato da prefeita um gesto de ufanismo.
• Turista é preso por tentativa de ufanismo.
• Plano descoberto: Dunas móveis planejavam fuga.
• Língua do “P” pode virar idioma oficial de Natal.
• Italiano, espanhol e inglês podem virar idiomas oficiais de Natal.
• Natalenses desconhecem a existência de um idioma oficial.
• Câmara dos Vereadores propõe fim do idioma.
• Corpo de turista é encontrado cozido em piscinas térmicas de Mossoró.
• Mossoroeses incluem “gringo cozido” na culinária local.
• Construtora investe em megaempreendimento com vista para a África.
• Câmara dos Vereadores propõe fim do salário.
• Erosão conhecida por Morro do Careca decepciona turistas.
• Criança encontra burro enterrado sob Morro do Careca.
• Burro enterrado sob Morro do Careca seria macumba.
• Dromedários de Genipabu recebem auxílio psicológico.
• Psicóloga fica grávida de hexagêmeos, sendo que um é um dromedário.
• Quantidade de bocejos elevada faz o ar de Natal mais rarefeito.
• Cajueiro de Pirangi cai para 5º maior do mundo e Pitombeira em Caicó concorre ao título de maior árvore do Seridó.
• Posto de gasolina indicado pela VEJA como melhor lugar para beber.
• Adolescente confunde gasolina com cerveja e passa mal.
• Gasolina é a “nova caipirinha”, apontam especialistas.
• Pessoas se divertindo no Carnatal seria efeito de computação gráfica.
• Tsunami varre Natal, Semurb agradece.
Um espanto. E ainda dizem que nada acontece por aqui.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Com a prudente contribuição de Gabriel, sempre atento ao mundo.
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Essa foi uma cortesia de Play – Videogame Symphony, possivelmente a orquestra sinfônica mais simpática do mundo.
Abraço fraterno,
Márcio N.

Quando o vídeo acaba, aparecem no rodapé algumas janelas para mais. Indico.
Venho por meio desta informar que este bunker, abrigo afetuoso criado para protegê-los de intempéries diversas – sobretudo a chuva de merda que assola nossos dias – vem enfrentando sérios problemas de espaço. Algumas notas breves em um só artigo, portanto:
LENDAS I
Ontem de noite uma mãozinha cadavérica me acenou lá do fundo do juízo, era mais uma lenda natalense. Essa, ao invés de apelos do sobrenatural cedia espaço a um perigo pé-no-chão: quando no início dos anos 1990 o Playcenter esteve em Natal espalhou-se a notícia de que assaltos estavam sendo cometidos pelo “Homem da Cobra” no brinquedo conhecido como ”Casa do Terror” – era assim chamada aquela modalidade de trem-fantasma sem trem, onde você caminhava a pé num escuso labirinto habitado por monstros, caveiras, múmias, fantasmas, corpos esquartejados etc. Na ocasião em que lá estive, era criança, perguntei amedrontado a uma caveira sobre os assaltos – não tinha perigo, ela disse, que eu podia ficar tranqüilo. Depois, soltou um gemido e desapareceu na escuridão. Esta história incluirei no rol das lendas natalenses, dois artigos abaixo.
LENDAS II
Algumas informações foram questionadas no artigo das lendas. Por exemplo: o caso das balas sam’s pertencia na verdade às balas Vamelle; ou o Diabo da Lambada usaria um sobretudo e não um terno -uma incongruência que colocaria sua sabida elegância à prova. Não mudarei, portanto, uma virgula sequer. Que boato cada um faz o seu.
SHOWBUSINESS, CELEBRIDADES ETC
Conversava com Levino sobre o desgosto que senti em ver Mallu Magalhães, limpinha e saudável, emaranhada nas barbas de M. Camelo. Então, profetizou: disse a mim que o próximo casal seria Rodrigo Amarante e a apresentadora-mirim Maísa. Peraê, isso não é lá coisa que se comente, rapaz. Como não valia a pena abrir um artigo para falar da vida alheia, bastou só abrir um parênteses nesse.
AO INFINITO E ALÉM
Muito boa essa imagem lançada no blogue de Levino, que me pagou uma boa quantia para ter seu nome citado aqui duas vezes.
Até a próxima.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Tirem o bom-senso da sala: um clipe dos Bonnies, feito com desenhos do paintbrush e colagens, para a música Bufallo Bill.
Ontem os bonnies tocaram. Estão melhores ao vivo do que nunca. Tecnicamente e no timing, certeiros, com uma espontaneidade e um entrosamento raros de se ver numa banda. O repertório, que restringiu os covers a apenas uma música, parece ser todo formato por hits. Até mesmo aquelas mais desconhecidas, tocadas uma ou duas vezes ao vivo (“sopa de drogas”, por exemplo, já é uma das minhas preferidas) funcionaram bem, muito bem. Eles ainda mantém um quê de rockabilly, só que mais punk, moderno. Um estilo que só não chamo de próprio porque vão dizer que isso é exagero. Mas é o que acho, próprio. Os discos são muito bons, mas é ao vivo é que a banda funciona de verdade. Quem puder ir num show deles, vai lá.
Agora, alguns links com os bonnies para seu entretenimento gratuito:
• músicas dos bonnies (para download)
• resenha moral sobre a banda no Samba Punk, de Adilson Pereira
É isso aí, pessoal. Divirtam-se.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Artigos antigos, do bunker: Ontheground _10 coisas que você não precisa saber sobre com uma festa com os bonnies / Os Bonnies lançam hoje o cd novo _escute + 1 do disco / Escute a nova dos bonnies _baladinha

Tenho uma sugestão: na falta de acontecimentos reais interessantes que passemos então a tomar nota das nossas mentiras. E, como as melhores mentiras, elas podem ser registradas conforme o figurino, com o sensacionalismo dos jornais populares. Ou isso, ou os caderninhos de História do Rio Grande do Norte das gerações futuras continuarão tendo a mesma serventia de hoje, que é a de acumular baba e enrolar fumo no pátio – que passem a enrolar besta, ora, é melhor.
Abraço fraterno,
Márcio N.
LENDAS NATALENSES
- EXCERTOS DE UM CADERNO SENSACIONALISTA -
Departamento de História do Bunker; Professor Cascudinho; 2008.

DIABO DA LAMBADA (1992 ~)
Noites quentes no Mandacaru Casa Show
De óculos escuros, terno, chapéu e exímio dançarino. O “Diabo da Lambada” era freqüentemente visto no Mandacaru Casa Show, geralmente sendo disputado nas pistas de dança. “A gente sentia aquele fogo subindo e quando via já estava dançando” – explica V. (32 anos, casada). “Era uma tentação, Deus me livre cruzar com ele de novo” – completou. Um acontecimento incomum, no entanto, provocou espanto entre os freqüentadores da casa. O Diabo estava no banheiro lavando as mãos, parecia uma pessoa normal, quando de repente se apresentou como o tinhoso em carne e osso. Naquela ocasião o Diabo da Lambada foi visto sem o seu usual chapéu, paletó e óculos escuros, revelando um par de chifres, cauda e olhos em brasa. “Já vi muitos chifres por aí, mas nunca tão assustadores… e pontudos” – revelou P., o zelador. Depois do episódio muitas mulheres recorreram a auxílio espiritual nas paróquias. Já outras, admitem sentir saudades do pé-de-valsa e afirmam que iriam até o inferno atrás dele – um dia, quem sabe…
BALAS SAM’S (1990’s ~)
O uso da cocaína para viciar crianças
Ministério Público investiga a SIMAS INDUSTRIAL, das balas Sam’s, que está sendo acusada de injetadar doses de cocaína em seu produto. A suspeita partiu de pais de estudantes do nível primário, que acreditam ser do interesse da empresa induzir em seus filhos a dependência pelas balinhas. “Primeiro eu notei um comportamento estranho, uma certa agitação, até que o flagrei pegando dinheiro escondido para sustentar o vício.” – desabafa um pai que luta para salvar o filho dos doces. Quando vistas de perto, as balas Sam’s apresentam uma micro perfuração da espessura de uma agulha, com uma aréola esbranquiçada ao redor. As autoridades ainda não emitiram um laudo oficial sobre o caso, mas adiantam que tudo está sendo feito para esclarecer a questão o mais breve possível. “Por via das dúvidas, pais e crianças devem optar por produtos de outras marcas” – aconselha um gerente regional de uma concorrente. A Sima’s Industrial tentou se manifestar sobre o assunto, mas ninguém lhe deu ouvidos.
COBRAS NO MOTEL (2001 ~)
Casal sofre ataque e uma jovem morre
Contam de um caso ocorrido em um motel em Parnamirim, cidade satélite de Natal. O que parecia um encontro amoroso teve um fim trágico quando uma jovem moça foi fatalmente picada por uma dúzia de cobras cascavéis que tinham como ninho o colchão do seu quarto. “Ela não queria ir, mas eu insisti, disse que aquele seria o nosso ninho de amor… a culpa foi toda minha” – desabafou o namorado desolado. “Ela sorriu quando viu as cobras, pensava se tratar de um brinquedo.” – completou. Embora ainda não se tenha uma conclusão sobre o caso, o fenômeno de serpentes habitando o interior de colchões pode ser um reflexo do avanço imobiliário nos últimos anos, que vem provocando o desmatamento da vegetação nativa na região. “Sem seu habitat natural, esses animais buscam abrigo em outros locais.” – explica P., bióloga. Os proprietários do Motel se dizem profundamente chocados com o episódio, e afirmam que desconheciam a existência de cobras daquela espécie no estabelecimento.
COBRA NO PARQUINHO DO MCDONALD’S (2001 ~)
Menino é atacado enquanto brincava
Um exemplar de cobra foi encontrado no parquinho do McDonalds. A presença do estranho visitante foi descoberta quando ele picou um menino de 12 anos que infelizmente morreu no local. “Quando chegamos sentimos algo estranho, mais tranqüilo, e então notamos que ele não tinha voltado com a gente.” – contou a mãe por telefone, que aproveitou o luto para viajar a Fernando de Noronha. Após o incidente, vários pais levaram crianças ao parquinho para que eles conheçam a cobra, o que obrigou o IBAMA a interditar o McDonald’s para proteger o espécime. “É uma experiência empolgante: sabemos que a cobra continua lá, em algum lugar na piscina das bolhas de plástico.” – comenta P., bióloga. Acredita-se que seja a mesma cobra que atacou o casal em um motel, dias atrás. Aproveitando a publicidade em volta do caso, o McDonald’s anunciou que dará o nome de Cascavel a um dos seus sanduíches.
BEBÊ-DIABO PREVÊ DESABAMENTO DO MIDWAY MALL (2005~)
Tragédia tem data marcada e pode acontecer com as chuvas
O inverno chegou trazendo fortes chuvas e com elas sérias preocupações aos freqüentadores e funcionários do Midway Mall, o maior shopping da cidade, amaldiçoado pela profecia do Bebê-Diabo. Durante um parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios, correria e pânico por parte de enfermeiros e médicos, uma senhora deu a luz, no Hospital Santa Catarina, a uma estranha criatura, com aparência sobrenatural, com todas as características do Diabo encarnado. O bebêzinho, que já nasceu falando e ameaçou sua mãe de morte, que de fato morreu de hemorragia, tinha o corpo totalmente cheio de pêlos, dois chifres pontiagudos saltando do crânio e um rabo de aproximadamente cinco centímetros, além do olhar feroz, em brasa, que causou medo e arrepios. A enfermeira, ao segurá-lo, comentou assustada: “Que bebê feio!”, no que ele respondeu: “Feio? Feio é o temporal que vai derrubar o Midway Mall no dia 26”, depois soltou um grito macabro e morreu logo em seguida. Desde que o caso ganhou popularidade, empresários se queixam da queda nas vendas do shopping, que perdeu parte do movimento. Mas, quando questionados se acreditam ou não na história, um deles admite, irredutível: só volta ao shopping quando as chuvas cessarem. “Negócios são negócios. Mas a vida… essa é só uma.” – finaliza.
Danou-se ↑ Vejam este vídeo indicado por Igor (comentários) sobre o caso.
RATINHO (80’s – 90’s ~)
Famigerado trombadinha aterroriza estudantes
Os alunos de escolas particulares de Natal têm sido alvo de freqüentes assaltos praticados por um marginal de vulgo “Ratinho”. Apesar do corpo raquítico, o respeito de Ratinho somente cresce na medida em que os assaltos ganham popularidade. A abordagem mais freqüente de Ratinho seria inicialmente pedir um ticket-estudantil em paradas de ônibus para só então concretizar o assalto. “É uma estratégia inteligente, aos poucos ele faz uma avaliação do perfil psicológico da vítima” – avalia o diretor de uma escola, que preferiu não se identificar. Alguns acessórios atraem a atenção do malfeitor, como relógios Casio Shock, Tênis M-2000 e bonés da NBA. As ocorrências têm mostrado um desempenho fora do comum do assaltante. Além do Alecrim e Cidade Alta, ele atua nos bairros de Lagoa Nova, Tirol e Petrópolis – onde se concentra a maioria dos colégios particulares. “Talvez outros trombadinhas têm se apresentado como ‘Ratinho’ para impor respeito” – afirma o policial – “Só assim para explicar sua presença em lugares tão diferentes num intervalo de tempo tão curto”. Alguns estudantes atribuem poderes sobrenaturais ao assaltante, e se negam a assistir aula, admitindo ser mais seguro permanecer em casa jogando videogame.
CABEÇAS DE GATO NO THIN-SAN (1980’s ~)
Restaurante chinês teria incluído gatos no cardápio
Cerca de 30 cabeças de gato foram encontradas em um lixeiro em frente ao restaurante Thin San, no bairro de Petrópolis. “O lixo estava meio aberto quando peguei, então vi os olhos de um bicho olhando pra mim!” – contou um gari. Para as autoridades da Covisa este é um caso delicado que merece uma apuração cuidadosa. “Precisamos saber se os gatos estão sendo preparados com os devidos cuidados de higiene.” – esclarece. Clientes e moradores do bairro estão chocados com a descoberta. “É terrível. Eu adoro gatos, eles são uma delícia, mas sei que é errado comê-los.” Uma entidade de Proteção aos Animais abrirá denúncia formal contra o restaurante, que, por sua vez, pensa em patentear a idéia.
CASAL ENGATA E VAI PARAR NO HOSPITAL (1999 ~)
Casal permanece preso após tentativa mau-sucedida de sexo
Dia agitado no setor de emergências do Hospital Walfredo Gurgel, onde um casal chegou trazido na mesma maca após terem ficado presos durante o sexo. Os dois, segundo relatos, haviam tentado sexo anal quando o pênis do homem foi pressionado pelo esfíncter da moça, que ganhou dos enfermeitos o apelido de Alicate. Ainda não se sabe como a situação vai terminar. A teoria que mais anima os médicos é a de que jamais sejam desgrudados, o que faria com que eles entrassem nos anais da medicina moderna como o primeiro caso de gêmeos siameses tardios e, ainda mais, de pais diferentes.

Este artigo foi escrito sob a gentil supervisão do Professor Cascudinho, cujos piperotes marcantes na infância lhe renderam a frouxura do juízo.
Sugestões, correções e incrementos? Diga nos comentários e incluo aqui.

Caros conterrâneos, desse ou de outro buraco: o departamento de história hipotética do bunker tem se dedicado numa obstinada busca pela identidade capenga dos natalenses. Carentes de uma história séria, acabamos fantasiando uma epopéia rasteira; mentiras moldadas à maneira das bocas frouxas, que seguem evoluindo a cada versão que recebem e a cada invento que ganham, as deslavadas. O Diabo da Lambada, o famigerado Ratinho, o Bebê-Demônio do Midway Mall, as Cobras do Motel (e, depois, do parquinho do McDonald’s), as 30 cabeças de gato no restaurante Thin-San, cocaína nas balas Sams; ou passagens dramáticas, como a do casal que se viu em apuros quando num coito por vias incomuns jamais se separou outra vez; esses, e outros desacontecimentos, em breve reunidos aqui para efeito de registro.
Piperotes na testa,
Professor Cascudinho.
Com a devida autorização, e não sem o abraço fraterno, de Márcio N.
Agora, um minuto da atenção de vocês para um comunicado importante:
With a Little Bit O`Luck / Frederick Loewe (music) & Alan Jay Lerner (lyric) / Alfred P. Doolittle = Stanley Holloway / My Fair Lady, 1964
Abraço fraterno,
Márcio N.
Na época em que Plutão foi rebaixado da categoria de planeta, pensei em um conto infantil sobre isso; mas, trataria do contrário, de alguém virando planeta. O resultado ficou meio estranho, exageradamente bobo, mas gosto do texto…
Aí vai ele.
Abraço fraterno,
Márcio N.
COMO ME TORNEI UM PLANETA
Márcio Nazianzeno, 2006.
Nos últimos milhões de anos não tenho feito muita coisa além de girar. E, além de girar, não existe nada de muito mais interessante para se fazer aqui no espaço. Giro em torno do meu eixo, o que chamam de movimento de rotação. E giro também em movimento de translação, que lembra a tradição indígena de dançar em volta da fogueira para gravar documentários. Mas isso é pouco comparado à louca dança de ser um planeta. No caso de um planeta, a fogueira é uma grande bola de fogo que chamam de Sol – particularmente, prefiro chamá-la de “boneca”, “gata”, ou então, “Grande Bola de Fogo”.
Saber que movimentos você deve realizar quando está em órbita é muito importante. Primeiro, por ser uma questão educacional básica, e, depois, por medidas de precauções que visam sua segurança. Portanto, muita atenção. Ficar a par dos seus movimentos é de suma importância para o caso de você de repente se ver perdido em pleno espaço, que é um lugar grande, realmente grande, do tamanho do próprio universo. Sabe-se do caso de um planeta que, ainda jovem, foi seduzido pela possibilidade de encontrar novas galáxias mais atrativas e acabou se perdendo. Ninguém sabe exatamente onde ele foi parar e a sua história termina aqui, o que é uma pena, ou eu poderia fornecer mais detalhes.
Ficar zanzando no espaço pode ser perigoso para um planeta. Você pode acabar se chocando contra um meteoro, pode dar de frente em outro planeta, ir de encontro à Grande Bola de Fogo ou até mesmo ser tragado por um buraco negro e se perder para sempre no Vácuo Eterno do Mau e da Escuridão, um lugar muito, muito, muito assustador mesmo. Quando criança, todo planeta já ouviu ao menos uma vez a seguinte cantiga de roda, a canção do vácuo:
Não fique vagando por aí
O buraco negro é quem diz:‘Abro minha boca
mesmo que você corra
e sugo você pelo nariz’Não há no espaço um só lugar
Onde o buraco-negro não possa estar
Seja um bom menino, viva de mansinho,
Eras e eras a girar.A parte do “sugo você pelo nariz” nunca cheguei a entender direito. São muitos os idiomas falados no espaço e a tradução pode ter sido comprometida (sem contar que em algumas civilização intergaláticas as palavras não são faladas, mas transmitidas por telepatia, e-mail ou MSN). O que ocorre é que, na verdade, a letra de Canção do Vácuo pode ser completamente diferente. Na verdade, uma verdade talvez até mais crível, essa canção possivelmente nunca existiu e talvez eu tenha mentido para você. Portanto, anote isto, que é outra regra básica para quando você está sozinho no Espaço: nunca confie em estranhos, nunca fale com estranhos e, o mais importante: nunca seja você mesmo um estranho.
Uma outra coisa importante a saber sobre um planeta é que eles duram muito e, tirando um planeta que girava tão rápido que teve toda sua história lançada em um livro de bolso, eles podem durar o infinito. E o infinito, caros pontos insignificantes, demora um bocado de tempo para passar se você não tem com o que se distrair. Por isso, se existe uma coisa realmente boa em estar perdido no espaço sideral, é o tempo para se pensar em questões primordiais, como: de onde viemos, para onde vamos, por que giramos tanto, etc. Por milhões de anos, uma das mais intrigantes das questões primordiais seria: por que cargas d`água Saturno insiste em usar aqueles anéis tão fora de moda? Dizem as más línguas que Saturno nunca se adaptou muito bem à rotação, e por isso sofreu por muito tempo com problemas de tontura e acabou ficando meio tantã. Uma pena. Outros planetas, ainda mais maldosos, espalham por aí que ele tem sofrido de sérios problemas com excesso de gases, sendo transferido para uma área mais isolada do Sistema Solar.
A minha segunda grande questão foi tentar compreender por qual motivo me tornei um planeta. Não pensem que foi fácil. Para chegar a uma resposta satisfatória refleti por alguns milhões de anos, atravessei eras geológicas, cataclismos, guerras e meus ácaros (pequenas formas de vida que estão em todos os lugares, incluindo você quando não toma banho) se tornaram espécies tão evoluídas que já dominam inclusive outros planetas. E, a resposta fundamental ao real motivo pelo qual me tornei um planeta, é: eu jamais poderia saber. Passei tanto tempo focado na questão que acabei me esquecendo inclusive como eu me tornara um planeta. Por sorte, os meus ácaros conseguiram reproduzir em laboratório todo o meu processo evolutivo, de modo que pude acompanhar de perto minha humilde origem.
Eis como tudo sucedeu.
Antes de virar uma enorme massa disforme em mutação eu fui um humano como qualquer outro. Na linha evolutiva, entre todas as espécies que habitavam o até então conhecido planeta de onde vim, os humanos estavam em um nível intermediário entre as amebas e os chimpanzés, o mais evoluído dos primatas. Cada espécie tinha seu diferencial, alguma coisa que desse um tchans. Os chimpanzés saltavam de árvore em árvore e catavam piolhos uns dos outros enquanto pensavam em quão idiota era o homem e porque eles sempre estavam lhes apontando armas. Os peixes nadavam muito bem e eram coloridos, mas de vez em quando cometiam a burrada de morder alguma isca de plástico pensando que era comida e, coitadinhos, morriam sufocados foram d`água apunhalados por um anzol – esse vacilo os deixava atrás dos chipanzés, mas não dos humanos. Os humanos sabiam no máximo escrever livros e operar máquinas, mas tão mal que às vezes acabavam colocando os pés pelas mãos e matavam uns aos outros. Deste modo, ser o terceiro lugar na linha evolutiva não tão ruim para quem fazia tanta besteira. Em situação pior estavam as amebas, que nem sei bem o que fazem, talvez seus professores de ciência possam explicar isso melhor.
Então, eu levava minha vida humana quando as coisas aconteceram.
Primeiro veio uma guerra envolvendo várias das máquinas que os humanos não sabiam utilizar bem. Depois, para completar, veio a destruição completa e com ela o fim do mundo. Com o mundo completamente destruído ninguém tinha onde ficar, de modo que todas as formas de vida como peixes, chipanzés, amebas e humanos foram lançadas ao infinito do espaço. Todos passaram a vagar sozinhos, flutuando na imensidão, e aos poucos foram se adaptando a uma nova realidade: girando, girando e girando até se tornarem algo completamente diferente das formas de vida que conhecíamos. Transformaram-se em planetas independentes, cada qual em seu lugar, como várias pedrinhas insignificantes arremessadas ao alto sem qualquer habilidade especial – exceto, talvez, girar.
E continuamos girando.
∞ ∞ ∞
As imagens curiosas que ilustram o texto são fotos de uma explosão nuclear, retiradas daqui.

Gostaria de agradecer ao autor, Renan Rêgo, por tão comovente homenagem.
Abraço fraterno,
Márcio N.

Pelos comentários que li por aí os fãs do Los Hermanos estão em fervorosa com o álbum do Little Joy, banda de Rodrigo Amarante. Além dele, o grupo tem o baterista dos Strokes, o que abre as portas e as orelhinhas de um público mais amplo. O disco é o que se esperava, tem um pouco de uma banda aqui, um pouco de outra ali, trazendo arranjos com uma atmosfera retrô que, tem horas, lembram algumas coisas do Pet Sounds - soa bem moderninho, até, tanto que beira o abuso. Uma surpresa, eu acho, são as músicas mais puxadas pra um reggae esculhambado e também as sessentistas com a menina cantando, Binki Shapiro, ela tem aquele jeitinho jovem na voz que é uma coisa, ui.
Vocês tem 3 opções para ouvir o disco inteiro do Little Joy:
· A maneira legal, on-line pelo myspace, clicando aqui;
· A maneira ilegal, fazendo um download do disco, clicando aqui;
· A meneira antiga, sendo uma pessoa decente e comprando o disco.
O vídeo acima acabou de ser jogado no youtube. É tão novo, mas tão novo, que o contador hoje acusa menos acessos que esse blogue tão exclusivo.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Leia dança do esfíncter, outro artigo sobre Little Joy.
“She-Ha e eu queremos falar com vocês sobre uma coisa muito pessoal: o seu corpo. Lembrem-se, o corpo é seu e ninguém deve tocar em você de modo que sinta que está errado.”
“Se você for tocado deste modo não se acanhe: conte para alguém de sua confiança, como: os seus pais, o seu médico, a sua professora ou algum parente mais velho. Certo, Gorpo?”
Esse é um assunto realmente pesado, he-man, mas é preciso reconhecer a importância da tua campanha. E, também, com o que se via na TV, né, Meneguel?
Abraço fraterno,
Márcio N.
Quando vi essa campanha de anúncios impressos lembrei de uma série de tiras que gosto muito, Mismatches, premiada em 2006 no 33º Salão de Humor de Piracicaba. A seguir:

O autor é Acácio Geraldo de Lima, que fez apenas duas pranchas com a série.
Da mesma forma que lembrei das tiras quando vi os anúncios linkados lá em cima, pensei em anúncios quando vi a série pela primeira vez – esse é um hábito desagradável que adquiri trabalhando com publicidade; tentar sempre enxergar uma finalidade comercial em entretenimento. O que não é ruim, em todo caso.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Caros e sofríveis detentores da 5ª pior banda larga do mundo: a custo de muita espera, e quando sua conexão terceiromundista carregar, vocês poderão assistir a estes três clipes muito doidos de uma banda massa:
As músicas, na ordem: “For Reverend Green”, clipe não-oficial feito por alguém que gosta da banda; ”Peacebone”, o deles mais popular no youtube; e, o último, “Who could win a rabbit”, uma fábula violenta e loucona.
Animal Collective é talvez a banda que me parece agora mais nova e “atual”, se esse é o termo… ainda assim, tem umas coisas que lembram Syd Barrett, da primeira fase do Pink Floyd - é a impressão que tenho.
Se gostou da banda leia sobre no wikipédia e escute outras músicas no myspace.
Abraço fraterno,
Márcio N.

A vida é cheia de responsabilidades, alguém pode dizer. Mas falar isso é meio sem sentido, porque viver é basicamente tudo aquilo que você faz quando deveria estar sendo responsável – uma coisa, ou outra…
***
Você pode tentar colocar as coisas em ordem com uma agenda de compromissos. Eu tenho um pedaço de papel, que serve para anotar minhas pendências. Sempre que quero me sentir mal eu olho para essa lista de coisas que não fiz. Da mesma forma, quando eu quero me sentir bem, ou útil, tento resolver algum item da lista. Interferir no meu estado de humor foi a única função dela até aqui.
***
Algumas coisas não fazem muito sentido, por exemplo: no escritório eu sigo uma pauta, e essa é uma lista de obrigações dentro do item “trabalho” de uma outra lista, uma lista maior. Sozinho, o item “trabalho” ocupa a maior parte do meu dia. Passo em média 10 horas no escritório e, dormindo, 6. Para todas as outras coisas, sobram apenas 8 horas – e eu preciso me virar bem com elas.
***
O trabalho danifica o homem.
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Quando eu era criança e ficava de férias os meus dias eram simplesmente lotados. Sem agendas, listas, nem responsabilidades; eram dias inteiros pela frente, um atrás do outro, num ciclo-viciante de irresponsabilidade e descompromisso, e a vida era assim. Agora, uma pergunta: o que acontece hoje para alguém se ver com nada para fazer quando chega o fim-de-semana?
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Continho com final triste
Era uma vez um homem que perdeu a memória. Ele então viajou, viveu aventuras, encontrou o amor da sua vida; casou, teve filhos, e foi uma pessoa relativamente feliz. Um dia, em algum lugar, ele encontrou sua agenda de compromissos antiga. Recobrou a memória, esquartejou a esposa, queimou os filhos e voltou para o escritório.
~ FIM ~
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Alguém uma vez me disse que em Buenos Aires as pessoas têm o costume de, no reveillon, rasgar suas agendas de compromissos. Assim, último dia do ano, todos os anos, as ruas são tomadas por folhas soltas de papel, e as pessoas andam contentes entre elas, felizes que estão com a sensação de liberdade e de dever cumprido. Então, no dia seguinte, o primeiro do ano, elas acordam preocupadas, compram agendas novas e começam a escrever seus compromissos novamente.
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Agora, uma verdade: não se vive o bastante para se dar ao luxo de desperdiçar o tempo com merda. No lugar de uma lista de compromissos, as pessoas deviam fazer uma lista de possibilidades; e nela escreveriam todas as coisas que realmente gostam, para não esquecer. Uma hora podem precisar.

É isso.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Nas imediações do Bunker circulava a seguinte manchete num jornalzinho de bairro que precisava melhorar as vendas:
“Fotos de Deus fumando crack vazam na internet.”
Acredite se quiser, irmão ou irmã.
Abraço fraterno,
Márcio N.
Da 0h até as 23h59 de hoje, a Cosac Naify está vendendo todos os títulos do seu site com 50% de desconto.
É uma das editoras mais finas do Brasil se vendendo a preço de LPM – então, vai lá.
Abraço fraterno,
Márcio N.
“O Africano”, Le Clézio, Nobel de 2008: de R$42 por R$21.
Vídeo de 1996 para apresentar o americano Elliott Smith (1969-2003), que fez algumas das músicas mais bonitas que já ouvi, e continuo ouvindo, ao longo dos anos.
↑ Músicas: 1. Instrumental version based on what became “Baby Britain”, at the beginning and between the last two songs + 2. “Beetween the Bars” (take 3), live on film version here, LP version available on Either/Or (1997) + 3. “Thirteen” (live Big Star cover), also available on the Thumbsucker soundtrack (2005) + 4. “Angeles” (take 1), live on film version here, LP version available on Either/Or (1997) .
Há uma diferença crucial entre o que existe no vídeo acima e tudo o mais que tem sido feito na música pop - cada vez mais artificial, fria, baseada em virtuosismo de estúdio; ao contrário disso, as músicas de Elliott Smith realmente colam, são verdadeiras e você acredita nelas, porque são feitas por alguém de verdade.
Ia escrever mais sobre ele, aqui, mas você pode ler sobre quase tudo nesse texto que saiu no Dying Days. Neste outro site, o sweet adeline, você tem acesso a mais músicas e vídeos. Algo que a matéria do D.D. não cita, por ser antiga, é o segundo álbum póstumo, ”new moon”, lançado recentemente, em 2007.
As músicas para mim parecem mais melancólicas quando vinculadas a figura de Elliot Smith, que sem dar satisfações foi embora do mundo, aos 34 anos, na hora mais animada da festa.
abraço fraterno,
Márcio N.
Enquanto o Governo Federal prevê cortes no orçamento, em Natal a Câmara dos Vereadores corre para assinar uma reforma ao seu modo: aumentando em muito o salário de secretários, vereadores e até o da prefeita eleita. Leia aqui.
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Aumento de 105,11% para a prefeita eleita.
De R$ 10.780,00 para R$ 22.111,25.
Aumento de 136% para secretários
De R$ 7.000,00 para R$ 16.583,43.
Aumento de 185% para procuradores
De 7.000 para R$ 19.955,40.
Aumento do teto salarial de vereadores para R$ 18.000,00
Assim, ninguém duvida que eles vão votar pelo aumento.
Subsídio diferenciado para Presidente da Câmara para R$ 20.000,00
A proposta é do próprio presidente da Câmara, Dickson Nasser, candidato à reeleição.
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Se me permitem.
Encontrem um abrigo seguro, decente e limpo, que é sempre prudente.
Uma chuva de merda tende a desabar sobre Natal.
Abraço fraterno,
Márcio N.
O vídeo abaixo é aparentemente simples, mas tem algo nele que cativa as pessoas. Eu achei no mínimo leve, divertido, bonito… e filosófico, também.
Quem quiser se aventurar, tem outros no Portable Film Festival.
Abraço fraterno,
Márcio N.

Ventosas em Fúria, uma das revelações da Mostra.
É com muito prazer e as mãos em carne que incluo aqui somente o crème de la crème da II Mostra Pornô Independente, que reuniu neste respeitoso recinto os melhores filmes da Pornografia Geek.
1. Anais de Saturno
Este filme na verdade não se passa em Saturno, mas em Marte. Ao que parece, a tradução brasileira desprezou totalmente a coerência científica em detrimento de exigências comerciais; e, apesar do título desastroso, é um filme dos melhores: cientistas da NASA descobrem que rochas vulcânicas são estimuladas sexualmente quando observadas por satélites espaciais. O voyeurismo, imagino, é a idéia chave desta estória que retrata a rotina de cientistas habituados ao exercício solitário da masturbação para pedaços de pedra, via esverdeados monitores da agência espacial americana. Numa tentativa de driblar a rigidez da censura e ampliar a classificação indicada, em momento algum do filme há penetração, não configurando o ato sexual clássico. Os bastidores revelam ainda outras curiosidades: para interpretar as rochas vulcânicas foram utilizadas atrizes com problemas de frigidez, e o tempo inteiro elas se comportam como pedras, imóveis e inexpressivas. Razoável, mas meio morno.
2. O Buraco Negro de Samanta
Samanta é uma advogada bem sucedida que descobre ter um buraco negro alojado na vagina. Apesar de não muito bonita, Samanta exerce uma forte atração por onde quer que passe, isso porque a estranha força gravitacional atrai para suas regiões genitais toda e qualquer massa encontrada ao seu redor: homens, mulheres, jovens, velhos, objetos cônicos (quais hidrantes e postes), cavalos etc. Samanta, aflita com a maldição lançada sobre seu senso de decência, parte numa empolgante jornada em busca do único homem que poderia solucionar seu problema: um cientista marroquino cujos dotes lhe serviriam para vedar o buraco negro à maneira das rolhas. Por fim, o marroquino e Samanta copulam animadamente, o planeta é salvo e tudo termina bem.
3. Ventosas em Fúria
Em expedição ao Planeta Clitorium tripulação de astronautas enfrenta sérios problemas ao se deparar com uma civilização de ventosas que se alimentam de sêmen. Como se percebe, este é um filme repleto de ação, com muitos efeitos especiais e cenas de combates espaciais com tiros de jatos a laser. A trama, revelada entre cenas de sexo entre ventosas e humanos (o que provavelmente muito choca as pessoas sensíveis, acometidos pela ejaculação precoce), mostra uma população dividida em três grupos: orais, anais e vaginais – a raça dominante e que vem perdendo sua hegemonia nos novos tempos. Tortuosas batalhas são travadas entre os povos, sugando até a última gota de energia das vítimas, pobres homens aflitos. Após muita peleja, o enredo toma novo rumo, agora mais panfletário, com um tratado de paz estabelecendo o convívio harmônico entre orais, anais e vaginais. O que sucede: Astronautas integram a população de Clitorium, ventosas vivem tempos de bonança e o filme encerra com um inspirado discurso pacifista proferido por uma genitália. Esta é, a meu ver, uma mensagem educativa para as crianças que por ventura venham a assistir ao filme escondidas dos pais.
4. A Mulher Elástica
Como não poderia deixar ser este filme começa com uma incrível seqüência de abertura (e este é um início e tanto) colocando à prova os limites da resistência humana e sobretudo os limites da própria razão: o filme dispensa efeitos especiais mesmo nas cenas em que a mulher elástica explora toda a sua flexibilidade, em momentos de pura tensão. Uma crítica: a utilização de enquadramentos que não dão a menor chance para a imaginação comprometeram a sensualidade do filme, que erra a mão na medida entre pornografia e ciência – esta sim, bastante explorada no campo da anatomia humana. Por sorte, e para alívio dos pagantes da mostra, o filme conta com um bom argumento: um acidente nuclear na cidade de Chenabill confere habilidades especiais a Chuparova, uma camponesa russa de 18 anos de idade, seios convincentes e um intenso furor uterino. Se você ainda não viu, provavelmente não verá jamais: ele tornou-se uma raridade quando a atriz que interpreta Chuparova admitiu ter 70 anos quando as filmagens foram realizadas, o que levou ao recolhimento das cópias.
5. A vida íntima dos robôs
Atendendo aos fetiches mais obscuros dos mais perversos geeks, este filme de mecânica pesada mostra sem qualquer constrangimento as mais explícitas cenas de parafusos sendo inseridos em roscas, placas encaixadas em plots, luzes e leds frenéticos, algoritmos complexos, bips sensuais etc. Na cena de maior apelo, e que produziu um urro conjunto nas gordurosas salas do Bunker, um antigo PC 486 era totalmente formatado ali mesmo, em frente às câmeras. Obrservação: Desaconselhável para pessoas com vida sexual ativa.
6. Time Machine – Travessuras através do tempo
Em um colégio interno japonês estranhos incidentes ocorrem quando é encontrado um misterioso vibrador capaz de fazer as pessoas viajarem no tempo. A meu ver este foi apenas um recurso dos roteiristas para explorar fantasias inéditas ao longo da História; porque as seqüências seguem um padrão: numa hora uma colegial brinca em sua cama e, no instante seguinte, está em um contexto totalmente novo em algum lugar sujo perdido na História. Na idade média, no período colonial, na civilização maia, e, na cena da caverna, temos uma colegial japonesa mandando ver com o primeiro Homo-Erectus. Mais adiante, em um mundo futurista dominado pelas máquinas, temos pistas substanciais sobre a origem do estranho brinquedo.
7. Abduza-me, por favor
De longe, o mais divertido filme da mostra: num sábado à noite, grupo de alienígenas adolescentes decide perder a virgindade no Planeta Terra e logo se tornam uma grande novidade para as garotas. Conhevenhamos: se carros importados impressionam algumas mulheres, espaçonaves com luzes multicoloridas e design arrojado são sucesso garantido – sem contar que, mesmo quando a fêmea não é atraída à espaçonave por livre-vontade, ela pode ser abduzida facilmente ao mínimo toque de um botão. Agora, uma curiosidade do filme, talvez a que mais tenha rendido bons momentos, são os desencontros ocorridos entre as duas espécies durante o sexo. Cuidado, portanto: embora o filme mostre o contrário, ouvidos e narinas não estão aptos para a penetração.
8. Tentáculos & Tentações
Neste clássico do pornô moderno uma bióloga se apaixona por um polvo modificado geneticamente e que se chama Valtenor. Com claras referências a “20.000 Léguas Submarinas” e “Garganta Profunda”, o filme rende cenas de tirar o fôlego nesta comédia romântica para maiores. Efeitos especiais primorosos dão um tom único ao filme, sendo o Polvo interpretado por um molusco de verdade e a mulher feita totalmente por computação gráfica. Alguma cenas do filme você pode conferir aqui, salvo, claro, se você não estiver usando o computador em um cantinho todo seu.
9. O Homem Elefante
Original dos anos 1940, este longa-metragem provocou uma onda de constrangimento nas videolocadoras nos últimos anos. Não foram poucas as pessoas que, ao procurar pelo filme de David Lynch, acabaram por esbarrar com este clássico do Pornô–B. Acontece que o filme de D.L. é um plágio descomunal, diga-se, tão descarado que copia sem o menor pudor os mínimos (perdão pela injustiça do termo) detalhes do original: o filme do surrealista também tratava de uma aberração cuja tromba grotesta se acentuava no rosto, como se por estar alguns metros deslocada ninguém perceberia a semelhança. Sim, o plágio está na cara.
10. O homem invisível, a mulher invisível e o cavalo invisível
No País das Pessoas Invisíveis todos fazem sexo o tempo inteiro e, por mais que neste lugar seja impossível se enxergar qualquer pessoa, o filme tenta mostrar as mais obscenas perversões sexuais praticadas por qualquer homem, mulher ou equino. Sem utilizar qualquer ator ou atriz durante as duas horas de filme, onde tudo o que podemos ver são paisagens desérticas (onde teoricamente pessoas invisíveis estão trepando) ambientadas com o áudio extraído de filmes pornô antigos. Mas o filme dá conta do recado ao cativar a imaginação dos espectadores. Por exemplo: na cena do sexo na cachoeira tudo o que vemos é uma cachoeira, e o áudio de alguém se divertindo; na suruba da universidade tudo o que vemos são carteiras universidade vazias, e o áudio de duzentas pessoas se divertindo; na cena da aberração em um celeiro tudo o que vemos é o celeiro, e o áudio de um filme do Zorro. Para mim, ver este filme foi como assistir a uma daquelas telas um videokê – mas ao invés de uma música fodida, eu ouvia o som de pessoas fodendo.

Abraço fraterno,
e com o devido respeito,
Márcio N.
Confira a I Mostra Pornô Independente, aqui.