Fevereiro 11, 2009

Monty Python Sings _mp3 a rodo

Agora, um minuto da atenção e do respeito de vocês para a execução do hino.

↑ Música: “Aways look on the bright side of life” / Autor: Eric Idle / Filme: Life of Brian, no vídeo com imagens de Monty Python Flying Circus / Disco: Monty Python Sings – 1991

Essa e outras músicas estão em Monty Python Sings; disco antigo que pude baixar gratuitamente aqui, por total responsabilidade do Rapidshare – portal de downloads financiado por um multimilionário que, sem cobrar nada a usuários comuns, paga do próprio bolso os direitos das músicas a artistas. Ou nada disso, o que é mais provável e o que me remete a uma frase brilhante de um velho amigo que não vejo há um bom tempo, hoje levando uma vida tranqüila na Penitenciária de Alcaçuz e de onde não pretende sair nos próximos 15 anos:  ”Tenho nada a ver com isso n, eu tava só passando”, dita na ocasião em que era acusado por comercializar tóxicos. Essas coisas acontecem o tempo todo. E não têm graça nenhuma.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Alguns links. Nesse, uma pesquisa detalhada com quase tudo que se pode encontrar de Monty Python na internet: vídeos, roteiros, áudios, imagens etc – em inglês. Nesse outro, uma página do wikipédia com um plano geral. É distração até dar uma dor.

Fevereiro 10, 2009

Spore _bancando senhor do universo

Comercial de um joguinho chamado Spore. Pelo que entendi, você começa como um microorganismo que segue evoluindo aos poucos, de uma monera até uma espécie avançada que vai colonizar outros planetas.

Achei curioso poder escolher quais truques evolutivos o seu personagem vai ter. Por exemplo, tentáculos, ventosas, asas, garras, dedos, carisma, um olhar sedutor etc. É como brincar de Deus. Os personagens passam a tomar atitudes instintivas respondendo a impulsos definidos por você, a força oculta por trás das coisas: o que comer, o que fazer, se vai ser bom ou mau, decisões de livre-arbítrio que não chegam realmente a existir. Quando o seu personagem se transforma em algo maior e vira uma civilização você perde o controle do indivíduo e cada um toma suas próprias decisões, mas a programação – ou algo parecido – possui os códigos definidos por você. Num futuro distante, depois de algumas madrugadas em claro, você descobre que tudo caminha para a grande questão fundamental: qual o segredo da vida, do universo etc – informação guardada num quase-bunker alojado no centro do espaço e protegida pelos detentores da verdade. Você pode vencê-los. Nessa parte, recebe instruções para chegar ao terceiro planeta do sistema solar, onde vai preparar o terreno para o surgimento de uma nova civilização que, quem sabe, pode um dia resolver as coisas. Achei a premissa parecida com a de Douglas Adams no Guia do Mochileiro, e talvez tenha sido inspirada nele, mesmo. E, pra aumentar a cota de referências aqui nesse artigo, atraindo via-google milhares de pessoas de faro ou somente fodidamente desorientadas, parece que Brian Eno está envolvido no jogo. Antes de instalar Spore, vou tentar no site o download de um programinha gratuito em que você pode construir uma espécie ao seu modo. Eu vou desenvolver uma chamada Grrrrroaah – será um animal mítico com cabeça de cágado e corpo de cágado (mas não do mesmo cágado), e muito, muito parecido com um cágado – exceto talvez por não ter um nome tão embaraçoso.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Fevereiro 5, 2009

Lobotomia

Interrompendo as sessões de lobotomia no Centro de Irresponsabilidade e Ineficiência do Bunker para a reprodução pública da fita VHS entregue ainda há pouco; um comunicado da máxima importância. Concentrem-se.

Cuidem-se, também, que é o mais prudente.

Abraço fraterno,
por um mundo com menos pressão,
Márcio N.

Janeiro 29, 2009

Homem de Firme Destino _Capítulo 14

Pedaço de um livro que eu vinha fazendo.
Nesta página coloquei outros capítulos.

Abraço fraterno,
Márcio N. 

HOMEM DE FIRME DESTILO – CAPÍTULO XIV
(Onde o herói copula com uma assombração que mais tarde se revela uma prolífica escritora livros de de auto-ajuda)

por márcio nazianzeno

Naquela noite de lua cheia, nas redondezas do velho castelo do Conde de Langresgraais, um gato preto como a escuridão correu por baixo de uma escada. O episódio, por assim dizer, poderia deixar alguns supersticiosos realmente confusos: se um gato preto, cuja corcunda carrega a encomenda da má-sorte aos outros, acaba ao custo de rara coincidência ele também contraindo algum azar ao passar por baixo de uma escada (o efeito seria o mesmo de dois gatos pretos se entrecruzando em uma esquina) teria ele anulado a maldição? Ou somente potencializado seu efeito, ficando ele mesmo tão azarado quanto os desafortunados com quem encontra? Para o esfomeado Homem de Firme Destino, cujo estômago já começava a digerir o próprio vazio num doloroso processo de autofagia mais física que espiritual, era algo que definitivamente não lhe dizia qualquer respeito. Ocorreu-lhe, então, desistir do gato. Além de astuto, o bicho era tão mirrado que de tão magro não lhe renderia nem mesmo uma sopa. Haveria de prosseguir a caçada, o Homem, não tivesse ele a ambição comum somente aos grandes heróis e desafortunados. Eis o que os ventos supõem: a muralha do castelo do Conde de Langresgraais, iluminada pela luz azul da lua, era por si mesma um mistério: uma espécie de cortina a encobrir um todo um universo de possibilidades – dentre elas, a de encontrar um banquete dos mais ricos regado a vinho e carne de caça, gentilmente servido e compartilhado pelas damas da corte – aristocratas, nobres, serviçais, escravas, de origens étnicas as mais diversas – vestidas com seus espartilhos apertados tais máquinas de tortura, e, ainda, sorrindo docemente apesar da carne da cintura brutalmente transferida para partes mais nobres quais as nádegas e os seios. Ora, pois, com o apetite em que estava as devoraria mesmo na mesa, ainda com uma costela de faisão a assobiar entre os dentes, as mãos gordurosas, e assim varreria o vazio do estômago e saciaria ainda seu companheiro, o cavalheiro da retumbante figura: eis aqui a justiça e a igualdade entre irmãos. Mal havia se aproximado do fosso que cercava o castelo, onde anunciaria sua chegada a pedradas, e a ponte levadiça esticou como uma língua de ferro. Sem pestanejar, realizou a travessia como um inseto prestes a ser engolido. Chegando ao pátio, onde o mato era vasto, nada vivo encontrou exceto por alguns morcegos e ratos que logo fugiram. Talvez, disse às paredes, esse amontoado de rochas e insetos fosse de mais valia ao gato preto que, vá lá, também merecia um repasto. E assim, como uma fagulha de esperança, algo se pronunciara à sua frente. Estava ali um soldado medieval de traços marcantes: levemente transparente, de nariz grande e uma machadinha cravada no meio do crânio, que lhe dava, por assim dizer, certo reforço ao seu estilo medieval. Sem mencionar palavra e protegendo a retaguarda, o soldado escoltou o Homem de Firme Destino até o salão principal onde se encontravam os outros de sua estirpe, os fantasmas. O soldado, então, parou. E com o ar mais indiferente desse mundo se desfez em uma espécie de poeira, alcançando um efeito pirotécnico ainda mais interessante que a machadinha na cabeça. O Homem de Firme Destino compreendeu, naquele instante, que o antigo castelo do Lorde de Landergaais havia se rendido não às guerras e a guerreiros, mas à fúria dos tempos modernos, que lhe transformou em hotel que, embora medieval, era ainda assim somente um hotel, freqüentado por fantasmas de nobres, aristocratas e etc. dos mais longínquos séculos em busca de entretenimento vazio e barato. E, assim, quando estavam entediados demais, eles arrastavam pelo castelo suas grossas correntes, derrubavam objetos pela casa ou simplesmente percorriam os cômodos para abrir e fechar portas rangentes – porque assim se sentiam vivos, como quando não podiam simplesmente atravessar as paredes. Pois bem: portas rangiam, correntes eram arrastadas e objetos flutuavam no ambiente quando avançou pelo salão o Homem de Firme Destino, o obstinado, que logo cravou os dentes na massa de ectoplasma de uma entidade que ali na sua frente estava a se materializar: possuído pela fome, terminou por devorar a perna esquerda da antiga Condessa de Langresgraais. Foi então que, tentando contornar a situação em que acabara de condenar uma alma penada a vagar pela eternidade sem uma das pernas, uma falta de modos descomunal, diga-se, tratou de recompensar a assombração com o mais intenso prazer carnal. Sussurros sensuais & sombrios, gemidos lamuriosos ensandecidos, arrepios em cada pêlo de seu magro corpo; com o da retumbante figura a deferir violentas estocadas na massa translúcida como se flutuasse nas nuvens – estava a currar a assombração com invejável empenho. Os mais supersticiosos, deixando um pouco de lado a problemática do gato preto e a escada, passariam então a discutir as questões éticas do sexo entre corpo e espírito. Mais tarde o caso ganharia maior atenção e popularidade com os best-sellers de autoria da própria Condessa, que se revelou uma prolífica escritora dos maiores livros de auto-ajuda jamais psicografados. Dentre seus sucessos, podemos destacar os inconfundíveis “Porque humanos fazem sexo e fantasmas fazem amor”, “Sexo após a morte: uma questão de espírito”, “Morri. E daí?”, “A vida começa aos 670” e o polêmico “Na cama com Deus – As revelações da Condessa de Langresgaais”. A autora, que jamais obteve sucesso em vida, nega os boatos sobre a existência de um ghost writer.

Acreditem ou não, foi assim que, naquela noite de lua cheia nas redondezas do castelo do Conde de Langresgraais, o Homem de Firme Destino provou que não existe obstáculo suficientemente grande para o amor. Em todo caso peço para que não deixem para encontrar o amor verdadeiro somente após a morte, quando serão vocês mais respeitados e queridos, que nunca se sabe…

Outros capítulos, aqui.

Janeiro 18, 2009

Spam a serviço do bem _Nós Fazemos

Conto com a perspicácia de vocês para ajudar a espalhar este vídeo.

Se obter ao menos 1/5 da popularidade de hitmachines como “Evolution of Dance” ou “Sanduíche-íche” é porque o youtube serve de alguma coisa boa.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Essa campanha tem o objetivo de arrecadar doações para uma instituição filantrópica do RN, que é uma das mais sérias do país e referência nacional no tratamento do câncer. Acesse a página de doações e ajude. A mecânica é bastante simples, não precisa de cartão de crédito, e até com 10 reais já é possível contribuir.

Janeiro 17, 2009

Sangramento Nasal + Robocop

Comecei a ouvir uma banda, Nose Bleed Island.
Gostei, muito. Tem uma espontaneidade que fazia tempo.

• Ouvir no myspace
• Ouvir e baixar disco 1
• Ouvir e comprar disco 2 <<<
• Baixar o disco 2
• Página da banda
• Assistir a um clipe

Como notícia boa nunca vem só, Robocop: the movie.
Do mesmo selo da banda anterior. Meio Pixies, essa.

• Ouvir no myspace
• Baixar os discos
• Assistir a um clipe <<<

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 15, 2009

American Aircrashes

Vocês viram isso? Absurdo demais.

Ainda não tinha entendido porque assentos de avião são flutuantes, servem como bóias e não como para-quedas. Na verdade, eu nunca entendi muita coisa sobre aviação. Como, por exemplo, aviões conseguem pousar em um rio, sem vítimas, ao mesmo tempo em que podem muito bem pousar em um aeroporto sem sobreviventes, como aconteceu em São Paulo? Ver a American Airways (American Aircrashes?) novamente envolvida em um acidente aéreo, desta vez pedindo para que não especulem as causas, é algo que soa também suspeito. Um medo infantil: e se por uma coincidência qualquer todos os passageiros excedessem a bagagem, pagando a devida multa, o avião decolaria assim mesmo? E, se assim fosse, faria um vôo seguro? Ou o que aconteceria se alguém esquecesse o celular ou algum outro aparelho ligado quando o avião decolasse? Eles sempre dizem que essas coisas não podem ficar ligadas. Acontece que a matéria-prima de placas e circuitos de eletrônicos muitas vezes vêm de sucata de avião. Seria isso? Vai saber. Outra coisa intrigante sobre aviões é o tratamento das aeromoças, elas sempre atendem você com toda a formalidade do mundo e expressões mecânicas, Obrigado Senhor, Claro Senhor, Foi um Prazer, Senhor… – aviões são ônibus que voam, não precisam dessa impessoalidade – mas tenho um amigo que formulou uma teoria: eles agem como máquinas porque humanos cometem erros, e a última coisa que você quer que eles cometam em um avião é um erro. Ainda assim, é só você sentar em sua poltrona, relaxar um pouco, apertar os cintos (os cintos são indicados não para acidentes comuns, os fatais, mas para turbulências como a que arremessou uma velhinha três fileiras à frente) para que então você escute aquele mesmo discurso: “Em caso dessa aeronave sofrer um acidente, usem nossas máscaras, não entrem em pânico…” – só para você não esquecer que, sim, aviões caem – e continuam: “E, lembrem-se, nossos assentos flutuam”.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Saiba o que Tyler Durden tem a dizer sobre isso.

Janeiro 12, 2009

Muito Além do Jardim

Peter Sellers em “Muito Além do Jardim”, um filme realmente bonito:

Filme: Muito Além do Jardim (Being There)
Ano: 1979
Diretor: Hal Ashby
Avaliação IMDB: 8.0

Quem puder assistir, alugue. Na maioria das locadoras ainda tem a vantagem de ser a metade do preço de um lançamento.   : )

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 11, 2009

Mãe Dinah _Previsões 2009

A imagem tem 400k, leva cerca de 1 minuto para carregar.

Quero agradecer a Ygor, por não ter reclamado o uso de sua imagem. E também à Mãe Dinah, por compartilhar conosco as visões dela sobre o futuro.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 9, 2009

Sr. Jetson vai à forra

Pesquisa da USP com 8.200 entrevistados  maiores de 18 concluiu que sexo é  apenas a oitava prioridade na vida das brasileiras, ficando atrás de carreira profissional, atenção à família, cuidados com a saúde etc. Para o homem, é a terceira prioridade. Única fonte até agora: G1.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 9, 2009

Homem-Aranha, Política & Sexo

Para ver a foto maior e colorida, clique aqui.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 7, 2009

Ouagadougou _continho atmosférico

Segue um texto recente. Gosto dele mais pelo “clima” do que pela história em si. Na verdade, acho que nem chega realmente a existir uma história…

Abraço fraterno,
Márcio N.

OUAGADOUGOU
Márcio Nazianzeno, 07/01/2009

Jonas, 54, 98 kg, 1,74 m, heterossexual, divorciado, 1 filho (este, homossexual), graduado em administração, especialização em marketing, ex-goleiro de futebol de salão amador pela equipe da Saldanha & Associados, adepto do implante capilar, considera-se feliz. Eis que particularmente feliz ficou quando num 19/10, aniversário de Alfredo, o filho homossexual, Jonas, sentado numa praça, preencheu a última coluna do Almanaque de Palavras Cruzadas, edição ouro, ao descobrir ser Ouagadougou a capital de Burkina Faso, na província do Kadiogo. Foi o que lhe disse um conhecido, Seu Astolfo, professor de Geografia que nutria muita simpatia pelo jovem Alfredo, um bom rapaz, dizia, lembrando de como tivera seu pênis apalpado por ele quando solicitado: Ouagadougou. Mais tarde, distante o suficiente para que esquecesse o tal dia, Ouagadougou foi uma das palavras que saltaram da boca de Jonas quando surpreendido por um bicho no quintal de casa, uma lagartixa entre os dentes do animal: Ouagadougou, porra de gato fodido. Deste modo, de repente, com um nome vindo de um compartimento escuro e úmido da memória de Jonas, o bichano foi batizado. Ouagadougou era, então, não mais uma cidade africana dos seus 997 mil habitantes. Era um bicho magro, preto, de cabeça desproporcional e rabo quebrado, cascas de ferida na orelha e um par de olhos amarelos que pareciam duas tigelas vazias –  então, Jonas servia Ouagadougou de leite e enchia as tigelas vazias de alegria. Ouagadougou aparecia de quando em vez, chegava com fome e saía de barriga redonda. E assim, dia após dia, uma rotina foi se estabelecendo. Quando não vinha, Jonas lembrava de todos os gatos atropelados do mundo, ou daquele dia em que sentiu um trepidar brusco na estrada, um montinho miúdo na escuridão sem fim do retrovisor. E assim era Jonas: mergulhado em pensamentos sombrios quando dava pela falta do gato. Então, ouvia um miado esgarniçado, as duas tigelas vazias pedindo leite, e lá estava ele, Ouagadougou. Assim seguiam, Jonas, Ouagadougou, os dias e as noites, os intervalos entre as visitas diminuindo. De tal modo, que não custou para que passasse mais tempo em casa do que na rua e, consensualmente, passasse a ser tratado por “Gudu”, uma pronúncia mais amigável para Ouagadougou. Não tão consensualmente, talvez, porque aqui nos referimos a ele pelo nome inteiro, leitor, com alguma reserva.

Mas saiba que agora mesmo Ouagadougou rorona sobre a coxa esquerda de Jonas, que balança na cadeira de balanço – o mundo balançando, balançando feito a maré: o céu azul, subindo, os fios dos postes, a rua morta. O silêncio é quebrado quase nunca. O sino do caminhão do gás, um carro ou outro que cruza a rua, o chiado no paralelepípedo parecido com o da chuva caindo. Tudo devagar, devagar, devagar… O sol desce assim, devagar, e por trás da cigarreira o céu vai se pintando laranja. Jonas puxa assunto com o gato. Vamos fugir para o interior, Gudu, só eu, você e a estrada. Ouagadougou estica as patinhas com preguiça mostrando as unhas, e volta a dormir. Jonas se balança na cadeira de balanço, que balança o mundo com ela. O céu laranja, subindo, os fios dos postes, a rua morta. O vai e vem da cadeira é como o vai e vem do mar. A maré está calma, hoje. Jonas não consegue lembrar qual foi a última vez que teve uma conversa decente com o filho Alfredo. O menino bem ali, não tão bem, deitado no sofá com o nariz antipático enfiado em Dorian Gray, o ar mais indiferente desse mundo. Virou tão estranho quanto íntimo. Ele poderia estar na casa da mãe, mas não. O rapaz gostava mais dela, isso era nítido, porque ele dizia: gosto mais dela. Acontece que, num dia qualquer, decidiu morar só – assim, do nada – sem emprego, sem dinheiro. Foi morar sozinho, sozinho com o pai. Ouagadougou, de início, fez o mesmo: apareceu para morar sozinho com eles. Mas, agora, o único naquela casa ainda a viver só era Alfredo. Cai a noite. A cigarreira fecha, as cigarras cantam, o cigarro acende. Ouagadougou, que podia facilmente dormir 20 horas por dia, bate o próprio recorde e não interrompe o sono nem quando solta um espasmo de contrair os bigodes. Sonhava correndo de um cachorro, atrás de um rato, ou com qualquer coisa. Está escuro. Completamente, não fosse pelo claro dos postes. Jonas pensa em levantar da cadeira e acender a luz. Se mexer a perna, acorda o gato. Pensa melhor, deixa como está. Alfredo dorme. Está coberto, o menino. Tudo está calmo, calmo como uma maré calma. Jonas olha para a lua, subindo, os fios dos postes, a rua morta.

Δ * Δ * Δ

:)

Janeiro 6, 2009

Guerra nas Estrelas _3 anos

Well, well… Ok.

Esse vídeo ensina algumas coisas sobre a vida. Vejamos:

1. O valor da boa educação, estimulada por filmes de ficção científica e doces.
2. Crianças prodígio, orgulho dos pais, um dia acabam virando um hitmachine no youtube.
3. Ao falar em público, tenha sempre à disposição um copo d´água e um quadrinho.
4. Como seria Maísa, a menina barraco, se não fosse uma versão miniaturizada da velha Hebe.
5. Nunca fale de Darth Vader pelas costas, senão ele pega você.

É isso aí, pessoal.
Espero ter ajudado, sinceramente.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Nesse link você vê a explicação da menina ilustrada por trechos do filme. A satisfação do cliente em primeiro lugar.

Dezembro 29, 2008

Neil Innes _Boring

Mais alguma coisa de Neil Innes, que tem um clipe melhor que o outro.

And if it all sounds boring
If it all sounds boring
If it all sounds boring
Then there`s something wrong with the song
(Or you. Or me. Or something)

Neil Innes.org – Words os Innespiration

Abraço fraterno,
Márcio N.

Dezembro 19, 2008

Neil Innes _Shangri-La

Agora, algo totalmente diferente e positivo, da sec. de turismo de Shangri-La:

“Shangri-La” (ler letra ), de Neil Innes, em ”Innes Book of Records” (1979).

Abraço fraterno,
Márcio N.

Dezembro 18, 2008

Olha-me bem e não me faças mal

Mensagem no Castelo de São Jorge em Lisboa, Portugal.

E esse foi um clique certeiro de Keyboy, o viandante.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Dezembro 16, 2008

“Sapatada”, por José Saramago

Pronunciamento de Saramago sobre a sapatada do jornalista iraquiano em George W. Bush, o incompreendido.

O Golpe Final

O riso é imediato. Ver o presidente dos Estados Unidos a encolher-se atrás do microfone enquanto um sapato voa sobre a sua cabeça é um excelente exercício para os músculos da cara que comandam a gargalhada. Este homem, famoso pela sua abissal ignorância e pelos seus contínuos dislates linguísticos, fez-nos rir muitas vezes durante os últimos oito anos. Este homem, também famoso por outras razões menos atractivas, paranoico contumaz, deu-nos mil motivos para que o detestássemos, a ele e aos seus acólitos, cúmplices na falsidade e na intriga, mentes pervertidas que fizeram da política internacional uma farsa trágica e da simples dignidade o melhor alvo da irrisão absoluta. Em verdade, o mundo, apesar do desolador espectáculo que nos oferece todos os dias, não merecia um Bush. Tivemo-lo, sofrêmo-lo, a um ponto tal que a vitória de Barack Obama terá sido considerada por muita gente como uma espécie de justiça divina. Tardia como em geral a justiça o é, mas definitiva. Afinal, não era assim, faltava-nos o golpe final, faltavam-nos ainda aqueles sapatos que um jornalista da televisão iraquiana lançou à mentirosa e descarada fachada que tinha na sua frente e que podem ser entendidos de duas formas: ou que esses sapatos deveriam ter uns pés dentro e o alvo do golpe ser aquela parte arredondada do corpo onde as costas mudam de nome, ou então que Mutazem al Kaidi (fique o seu nome para a posteridade) terá encontrado a maneira mais contundente e eficaz de expressar o seu desprezo. Pelo ridículo. Um par de pontapés também não estaria mal, mas o ridículo é para sempre. Voto no ridículo.

16/12/08,  José Saramago.

Texto extraído do Caderno de Saramago.

Abraço Fraterno,
Márcio N.

Dezembro 16, 2008

Vira-Latas _partindo seu coração

Muito bonitos, os três vídeos abaixo: o primeiro são imagens da câmera de vigilância de uma rodovia dias atrás em Santigo, Chile, onde um cão resgata outro cachorro de rua, atropelado. Ele se enfia por entre os carros e arrasta o amigo para um lugar seguro. O vídeo seguinte é sobre um cão que salva filhotes de gatos em um incêndio na Austrália – o cachorro foi encontrado pelos bombeiros inconsciente, esfumaçado e vivo. No último, absurdamente triste, uma sequência de fotos de um cachorro que se despede e protege um amigo ferido na estrada.

Regastando cão em auto-estrada

Salvando gatos

Despedida

Não são três cães e três histórias. Eles são o mesmo vira-lata, que é todos os vira-latas, e são a mesma história, que é todas as histórias dar um nó na garganta. Se achar mais, ponho aqui.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Dezembro 11, 2008

“Por um pequeno contratempo, o vencedor não pôde comparecer à cerimônia”

Heath Ledger vem correndo por fora e com larga vantagem pelo Oscar. Foi indicado ao Globo de Ouro de melhor ator coadjuvante (aqui), escolhido como tal pela Associação de Críticos de Los Angeles (aqui), Coadjuvante do Ano pela Associação de Críticos de Whashington (aqui) e melhor ator pela Associação Internacional de Cinema da Austrália, terra natal. Mas o ponto é que  a coisa não tem soado como um certo reconhecimento ao trabalho de um ator, mas como pequenos tributos a um ator morto – o que, ao menos ao principal envolvido, não tem sensibilizado. Tirando o aspecto vaidade, premiações do gênero são uma maneira de assegurar salários a críticos, movimentar o mercado, aumentar a vendagem de um filme e engordar cachês na indústria: ora, pois, benefícios completamente sem sentido para alguém que já deu seu último suspiro. Caso Heath Ledger não tivesse se atrapalhado com remédios e permanecesse vivo, estaríamos agora arrastando nossos narizes sobre outro assunto. Melhor fazer isso, então. Vamos nos distrair, pegar um cinema ou alugar um filme – Batman, talvez.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Leia aqui um artigo anterior, palpite escrito aqui meses atrás. Agora, uma correção: não será o primeiro Oscar concedido a um defunto – esse foi para Peter Finch, em 1976, pelo filme “Rede de Intrigas” . Outro indicado foi Massimo Troisi, de “O Carteiro e o Poeta”, em 1996. 

Dezembro 8, 2008

Direto do Bunker _nadopólis

Resumo das principais manchetes da última semana, destacadas de um jornal de bairro que apareceu por aqui:

• Água da praia de Ponta Negra é considerada imprópria para menores.
• Turista engravida após banho de mar: nível de sêmen na água é alarmante.
• Baobá é cortado em homenagem a Saint-Exupery.
• Família é encontrada vivendo dentro do Baobá.
• Família que morava em Baobá já estaria na 4º geração.
• Homem é flagrado no centro da cidade ao meio-dia.
• Ponte de Todos é a Golden Gate brasileira.
• Vista de Natal do alto da Ponte de Todos motivaria suicídios.
• Casa de Djalma Maranhão é totalmente restaurada e vira clínica.
• Sem-tetos que teriam tomado Farol de Mãe Luíza sofrem de insônia.
• Para INCRA, Câmara dos Vereadores é terra improdutiva. MST festeja.
• Encontrada alta concentração de fósseis na Afundação José Augusto.
• Em trote, calouro da UFRN é confundido com mendigo e é queimado vivo.
• Pedintes protestam contra tomada das ruas por calouros da UFRN.
• Aluna da UnP sofre ataque de histeria ao ver um proletário pardo.
• Prostitutas natalenses podem virar uma das 7 maravilhas do RN.
• Prefeita de Natal é flagrada em skibunda totalmente nua.
• Skibunda da prefeita desaparece misteriosamente.
• Turistas  consideram ato da prefeita um gesto de ufanismo.
• Turista é preso por tentativa de ufanismo.
• Plano descoberto: Dunas móveis planejavam fuga.
• Língua do “P” pode virar idioma oficial de Natal.
• Italiano, espanhol e inglês podem virar idiomas oficiais de Natal.
• Natalenses desconhecem a existência de um idioma oficial.
• Câmara dos Vereadores propõe fim do idioma.
• Corpo de turista é encontrado cozido em piscinas térmicas de Mossoró.
• Mossoroeses incluem “gringo cozido” na culinária local.
• Construtora investe em megaempreendimento com vista para a África.
• Câmara dos Vereadores propõe fim do salário.
• Erosão conhecida por Morro do Careca decepciona turistas.
• Criança encontra burro enterrado sob Morro do Careca.
• Burro enterrado sob Morro do Careca seria macumba.
• Dromedários de Genipabu recebem auxílio psicológico.
• Psicóloga fica grávida de hexagêmeos, sendo que um é um dromedário.
• Quantidade de bocejos elevada faz o ar de Natal mais rarefeito.
• Cajueiro de Pirangi cai para 5º maior do mundo e Pitombeira em Caicó concorre ao título de maior árvore do Seridó.
• Posto de gasolina indicado pela VEJA como melhor lugar para beber.
• Adolescente confunde gasolina com cerveja e passa mal.
• Gasolina é a “nova caipirinha”, apontam especialistas.
• Pessoas se divertindo no Carnatal seria efeito de computação gráfica.
• Tsunami varre Natal, Semurb agradece.

Um espanto. E ainda dizem que nada acontece por aqui.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Com a prudente contribuição de Gabriel, sempre atento ao mundo.

Dezembro 4, 2008

Shhhh ;)

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Essa foi uma cortesia de Play – Videogame Symphony, possivelmente a orquestra sinfônica mais simpática do mundo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Quando o vídeo acaba, aparecem no rodapé algumas janelas para mais. Indico.

Dezembro 2, 2008

Lenda reavivada + notas

Venho por meio desta informar que este bunker, abrigo afetuoso criado para protegê-los de intempéries diversas – sobretudo a chuva de merda que assola nossos dias – vem enfrentando sérios problemas de espaço. Algumas notas breves em um só artigo, portanto:

LENDAS I

Ontem de noite uma mãozinha cadavérica me acenou lá do fundo do juízo, era mais uma lenda natalense.  Essa, ao invés de apelos do sobrenatural cedia espaço a um perigo pé-no-chão: quando no início dos anos 1990 o Playcenter esteve em Natal espalhou-se a notícia de que assaltos estavam sendo cometidos pelo “Homem da Cobra” no brinquedo conhecido como ”Casa do Terror” – era assim chamada aquela modalidade de trem-fantasma sem trem, onde você caminhava a pé num escuso labirinto habitado por monstros, caveiras, múmias, fantasmas, corpos esquartejados etc. Na ocasião em que lá estive, era criança, perguntei amedrontado a uma caveira sobre os assaltos – não tinha perigo, ela disse, que eu podia ficar tranqüilo. Depois, soltou um gemido e desapareceu na escuridão. Esta história incluirei no rol das lendas natalenses, dois artigos abaixo.

LENDAS II

Algumas informações foram questionadas no artigo das lendas. Por exemplo: o caso das balas sam’s pertencia na verdade às balas Vamelle; ou o Diabo da Lambada usaria um sobretudo e não um terno -uma incongruência que colocaria sua sabida elegância à prova. Não mudarei, portanto, uma virgula sequer. Que boato cada um faz o seu.

SHOWBUSINESS, CELEBRIDADES ETC

Conversava com Levino sobre o desgosto que senti em ver Mallu Magalhães, limpinha e saudável, emaranhada nas barbas de M. Camelo. Então, profetizou: disse a mim que o próximo casal seria Rodrigo Amarante e a apresentadora-mirim Maísa. Peraê, isso não é lá coisa que se comente, rapaz. Como não valia a pena abrir um artigo para falar da vida alheia, bastou só abrir um parênteses nesse.

AO INFINITO E ALÉM

Muito boa essa imagem lançada no blogue de Levino, que me pagou uma boa quantia para ter seu nome citado aqui duas vezes.

Até a próxima.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Novembro 29, 2008

Fantasma de Bufallo Bill _os bonnies

Tirem o bom-senso da sala: um clipe dos Bonnies, feito com desenhos do paintbrush e colagens, para a música Bufallo Bill.

Ontem os bonnies tocaram. Estão melhores ao vivo do que nunca. Tecnicamente e no timing, certeiros, com uma espontaneidade e um entrosamento raros de se ver numa banda. O repertório, que restringiu os covers a apenas uma música, parece ser todo formato por hits. Até mesmo aquelas mais desconhecidas, tocadas uma ou duas vezes ao vivo (“sopa de drogas”, por exemplo, já é uma das minhas preferidas) funcionaram bem, muito bem. Eles ainda mantém um quê de rockabilly, só que mais punk, moderno. Um estilo que só não chamo de próprio porque vão dizer que isso é exagero. Mas é o que acho, próprio. Os discos são muito bons, mas é ao vivo é que a banda funciona de verdade. Quem puder ir num show deles, vai lá.

Agora, alguns links com os bonnies para seu entretenimento gratuito:

• músicas e clipes no myspace

• músicas dos bonnies (para download)

• resenha moral sobre a banda no Samba Punk, de Adilson Pereira

É isso aí, pessoal. Divirtam-se.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Artigos antigos, do bunker: Ontheground _10 coisas que você não precisa saber sobre com uma festa com os bonnies / Os Bonnies lançam hoje o cd novo _escute + 1 do disco / Escute a nova dos bonnies _baladinha

Novembro 26, 2008

Lendas Natalenses _boatos & cocorotes

Homem-Fóssil

Tenho uma sugestão: na falta de acontecimentos reais interessantes que passemos então a tomar nota das nossas mentiras. E, como as melhores mentiras, elas podem ser registradas conforme o figurino, com o sensacionalismo dos jornais populares. Ou isso, ou os caderninhos de História do Rio Grande do Norte das gerações futuras continuarão tendo a mesma serventia de hoje, que é a de acumular baba e enrolar fumo no pátio – que passem a enrolar besta, ora, é melhor.

Abraço fraterno,
Márcio N.

 LENDAS NATALENSES
- EXCERTOS DE UM CADERNO SENSACIONALISTA -
Departamento de História do Bunker; Professor Cascudinho; 2008.

DIABO DA LAMBADA (1992 ~)
Noites quentes no Mandacaru Casa Show

De óculos escuros, terno, chapéu e exímio dançarino. O “Diabo da Lambada” era freqüentemente visto no Mandacaru Casa Show, geralmente sendo disputado nas pistas de dança. “A gente sentia aquele fogo subindo e quando via já estava dançando” – explica V. (32 anos, casada). “Era uma tentação, Deus me livre cruzar com ele de novo” – completou. Um acontecimento incomum, no entanto, provocou espanto entre os freqüentadores da casa. O Diabo estava no banheiro lavando as mãos, parecia uma pessoa normal, quando de repente se apresentou como o tinhoso em carne e osso. Naquela ocasião o Diabo da Lambada foi visto sem o seu usual chapéu, paletó e óculos escuros, revelando um par de chifres, cauda e olhos em brasa. “Já vi muitos chifres por aí, mas nunca tão assustadores… e pontudos” – revelou P., o zelador. Depois do episódio muitas mulheres recorreram a auxílio espiritual nas paróquias. Já outras, admitem sentir saudades do pé-de-valsa e afirmam que iriam até o inferno atrás dele – um dia, quem sabe…

BALAS SAM’S (1990’s ~)
O uso da cocaína para viciar crianças

Ministério Público investiga a SIMAS INDUSTRIAL, das balas Sam’s, que está sendo acusada de injetadar doses de cocaína em seu produto. A suspeita partiu de pais de estudantes do nível primário, que acreditam ser do interesse da empresa induzir em seus filhos a dependência pelas balinhas. “Primeiro eu notei um comportamento estranho, uma certa agitação, até que o flagrei pegando dinheiro escondido para sustentar o vício.” – desabafa um pai que luta para salvar o filho dos doces. Quando vistas de perto, as balas Sam’s apresentam uma micro perfuração da espessura de uma agulha, com uma aréola esbranquiçada ao redor. As autoridades ainda não emitiram um laudo oficial sobre o caso, mas adiantam que tudo está sendo feito para esclarecer a questão o mais breve possível. “Por via das dúvidas, pais e crianças devem optar por produtos de outras marcas” – aconselha um gerente regional de uma concorrente. A Sima’s Industrial tentou se manifestar sobre o assunto, mas ninguém lhe deu ouvidos.

COBRAS NO MOTEL (2001 ~)
Casal sofre ataque e uma jovem morre

Contam de um caso ocorrido em um motel em Parnamirim, cidade satélite de Natal. O que parecia um encontro amoroso teve um fim trágico quando uma jovem moça foi fatalmente picada por uma dúzia de cobras cascavéis que tinham como ninho o colchão do seu quarto. “Ela não queria ir, mas eu insisti, disse que aquele seria o nosso ninho de amor… a culpa foi toda minha” – desabafou o namorado desolado. “Ela sorriu quando viu as cobras, pensava se tratar de um brinquedo.” – completou. Embora ainda não se tenha uma conclusão sobre o caso, o fenômeno de serpentes habitando o interior de colchões pode ser um reflexo do avanço imobiliário nos últimos anos, que vem provocando o desmatamento da vegetação nativa na região. “Sem seu habitat natural, esses animais buscam abrigo em outros locais.” – explica P., bióloga. Os proprietários do Motel se dizem profundamente chocados com o episódio, e afirmam que desconheciam a existência de cobras daquela espécie no estabelecimento.

COBRA NO PARQUINHO DO MCDONALD’S (2001 ~)
Menino é atacado enquanto brincava

Um exemplar de cobra foi encontrado no parquinho do McDonalds. A presença do estranho visitante foi descoberta quando ele picou um menino de 12 anos que infelizmente morreu no local. “Quando chegamos sentimos algo estranho, mais tranqüilo, e então notamos que ele não tinha voltado com a gente.” – contou a mãe por telefone, que aproveitou o luto para viajar a Fernando de Noronha. Após o incidente, vários pais levaram crianças ao parquinho para que eles conheçam a cobra, o que obrigou o IBAMA a interditar o McDonald’s para proteger o espécime. “É uma experiência empolgante: sabemos que a cobra continua lá, em algum lugar na piscina das bolhas de plástico.” – comenta P.,  bióloga. Acredita-se que seja a mesma cobra que atacou o casal em um motel, dias atrás. Aproveitando a publicidade em volta do caso, o McDonald’s anunciou que dará o nome de Cascavel a um dos seus sanduíches.

BEBÊ-DIABO PREVÊ DESABAMENTO DO MIDWAY MALL (2005~)
Tragédia tem data marcada e pode acontecer com as chuvas

O inverno chegou trazendo fortes chuvas e com elas sérias preocupações aos freqüentadores e funcionários do Midway Mall, o maior shopping da cidade, amaldiçoado pela profecia do Bebê-Diabo. Durante um parto incrivelmente fantástico e cheio de mistérios, correria e pânico por parte de enfermeiros e médicos, uma senhora deu a luz, no Hospital Santa Catarina, a uma estranha criatura, com aparência sobrenatural, com todas as características do Diabo encarnado. O bebêzinho, que já nasceu falando e ameaçou sua mãe de morte, que de fato morreu de hemorragia, tinha o corpo totalmente cheio de pêlos, dois chifres pontiagudos saltando do crânio e um rabo de aproximadamente cinco centímetros, além do olhar feroz, em brasa, que causou medo e arrepios. A enfermeira, ao segurá-lo, comentou assustada: “Que bebê feio!”, no que ele respondeu: “Feio? Feio é o temporal que vai derrubar o Midway Mall no dia 26”, depois soltou um grito macabro e morreu logo em seguida. Desde que o caso ganhou popularidade, empresários se queixam da queda nas vendas do shopping, que perdeu parte do movimento. Mas, quando questionados se acreditam ou não na história, um deles admite, irredutível: só volta ao shopping quando as chuvas cessarem. “Negócios são negócios. Mas a vida… essa é só uma.” – finaliza. 

Danou-se ↑ Vejam este vídeo indicado por Igor (comentários) sobre o caso.

RATINHO (80’s – 90’s ~)
Famigerado trombadinha aterroriza estudantes

Os alunos de escolas particulares de Natal têm sido alvo de freqüentes assaltos praticados por um marginal de vulgo “Ratinho”. Apesar do corpo raquítico, o respeito de Ratinho somente cresce na medida em que os assaltos ganham popularidade. A abordagem mais freqüente de Ratinho seria inicialmente pedir um ticket-estudantil em paradas de ônibus para só então concretizar o assalto. “É uma estratégia inteligente, aos poucos ele faz uma avaliação do perfil psicológico da vítima” – avalia o diretor de uma escola, que preferiu não se identificar. Alguns acessórios atraem a atenção do malfeitor, como relógios Casio Shock, Tênis M-2000 e bonés da NBA. As ocorrências têm mostrado um desempenho fora do comum do assaltante. Além do Alecrim e Cidade Alta, ele atua nos bairros de Lagoa Nova, Tirol e Petrópolis – onde se concentra a maioria dos colégios particulares. “Talvez outros trombadinhas têm se apresentado como ‘Ratinho’ para impor respeito” – afirma o policial – “Só assim para explicar sua presença em lugares tão diferentes num intervalo de tempo tão curto”. Alguns estudantes atribuem poderes sobrenaturais ao assaltante, e se negam a assistir aula, admitindo ser mais seguro permanecer em casa jogando videogame.

CABEÇAS DE GATO NO THIN-SAN (1980’s ~)
Restaurante chinês teria incluído gatos no cardápio

Cerca de 30 cabeças de gato foram encontradas em um lixeiro em frente ao restaurante Thin San, no bairro de Petrópolis. “O lixo estava meio aberto quando peguei, então vi os olhos de um bicho olhando pra mim!” – contou um gari. Para as autoridades da Covisa este é um caso delicado que merece uma apuração cuidadosa. “Precisamos saber se os gatos estão sendo preparados com os devidos cuidados de higiene.” – esclarece. Clientes e moradores do bairro estão chocados com a descoberta. “É terrível. Eu adoro gatos, eles são uma delícia, mas sei que é errado comê-los.” Uma entidade de Proteção aos Animais abrirá denúncia formal contra o restaurante, que, por sua vez, pensa em patentear a idéia.

CASAL ENGATA E VAI PARAR NO HOSPITAL (1999 ~)
Casal permanece preso após tentativa mau-sucedida de sexo 

Dia agitado no setor de emergências do Hospital Walfredo Gurgel, onde um casal chegou trazido na mesma maca após terem ficado presos durante o sexo. Os dois, segundo relatos, haviam tentado sexo anal quando o pênis do homem foi pressionado pelo esfíncter da moça, que ganhou dos enfermeitos o apelido de Alicate. Ainda não se sabe como a situação vai terminar. A teoria que mais anima os médicos é a de que jamais sejam desgrudados, o que faria com que eles entrassem nos anais da medicina moderna como o primeiro caso de gêmeos siameses tardios e, ainda mais, de pais diferentes.

Este artigo foi escrito sob a gentil supervisão do Professor Cascudinho, cujos piperotes marcantes na infância lhe renderam a frouxura do juízo.

Sugestões, correções e incrementos? Diga nos comentários e incluo aqui.

Novembro 24, 2008

Professor Cascudinho

Caros conterrâneos, desse ou de outro buraco: o departamento de história hipotética do bunker tem se dedicado numa obstinada busca pela identidade capenga dos natalenses. Carentes de uma história séria, acabamos fantasiando uma epopéia rasteira; mentiras moldadas à maneira das bocas frouxas, que seguem evoluindo a cada versão que recebem e a cada invento que ganham, as deslavadas. O Diabo da Lambada, o famigerado Ratinho, o Bebê-Demônio do Midway Mall, as Cobras do Motel (e, depois, do parquinho do McDonald’s), as 30 cabeças de gato no restaurante Thin-San, cocaína nas balas Sams; ou passagens dramáticas, como a do casal que se viu em apuros quando num coito por vias incomuns jamais se separou outra vez; esses, e outros desacontecimentos, em breve reunidos aqui para efeito de registro.

Piperotes na testa,
Professor Cascudinho.

Com a devida autorização, e não sem o abraço fraterno, de Márcio N.