Março 6, 2009

Chiquita Bacana, a bacana

Já reparou que, no Nordeste, o publicitário que se sente inseguro, querendo passar uma imagem de profissional amadurecido, ao invés de falar ”massa” ou “legal” quando vê alguma coisa que gosta, ele diz “bacana…” ou “bacana, bacana…” ou “cara, isso é bem bacana…”, e sempre o mesmo “bacana” modesto e sereno – quando queria, na verdade, rachar o furico numa pedra - só porque é um terminho utilizado por publicitários em São Paulo, a Terra do Nunca? Se não vê é por sorte sua. Eu vejo isso todos os dias e é bem desagradável, a palavra mais antipática que existe… Santo esfíncter, Robin.

Jingle em homenagem a todos os bacanas ↑ por Caetano & Os Trapalhões.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Março 3, 2009

Grandes Discursos da Humanidade

Discurso vencedor do concurso de melhor discurso de vencedor

“Gostaria de agradecer a todos os perdedores pela incapacidade de fazer um discurso tão bom quanto o meu. Inteligente, bem sacado, modesto. Obrigado, jurados, por serem pessoas de critério e escolherem a mim ao invés de um energúmeno qualquer. Obrigado também a vocês, pessoas anônimas e sem importância, que estão aí pensando ‘puxa, mas que discurso brilhante’. A sua inveja é meu maior estímulo e é para isso que vocês servem. Quero agradecer também aos meus pais por terem trazido ao mundo alguém tão genial quanto eu. E, por fim, a Deus, por ser justo. Estou feliz como vocês jamais serão em momento algum de suas existências sofríveis de classe-média. É a todos vocês, fracassados, que dedico este prêmio.” – O VENCEDOR.

Discurso padrão, com tecla sap.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Março 2, 2009

Arte & Letra _revista de literatura

Esperançoso amigo,

conheci uma excelente revista de literatura, a Arte & Letra, que em fevereiro completou um ano. É uma publicação trimestral com textos de escritores brasileiros, estrangeiros, vivos, mortos, conhecidos ou não – ao que parece, o material é quase sempre inédito ou ao menos bem raro, e situa a Selva mais um pouco no mundo [ou, quando não, ao menos situa os textos nela]. A seleção do material parece cuidadosa, também a dos colaboradores – os tradutores e os autores.

A revista tem no entanto um problema, a distribuição. São poucas as cidades em que ela é comercializada fisicamente, de modo que o melhor é comprar pela internet mesmo. Cada edição sai a R$ 16,50. Comprando em ruma, R$ 15.

• Informações da Arte & Letra no blogue da revista.
• Assinatura e vendas direto com a editora.

Acabo de fazer uma assinatura anual e encomendar um pacote com as 4 últimas edições. Coisas novas pra concorrer com as outras coisas que compro e não leio.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Alguns autores publicados: H. L. Mencken, Miguel Sanches Neto, David Foster Wallace, J. M. Coetzee, Luigi Pirandello, Machado de Assis, G. K. Chesterton, Adolfo Bioy Casares, Saul Bellow, Mark Twain, Judith Hermann, Paul Auster, Mario Benedetti, Jonathan Coe etc.

Março 1, 2009

Carl Orff _Carmina Burana

Trecho de Carmina Burana, de Carl Orff, num show a-po-te-ó-ti-co.

A história de Carmina Burana pode ser lida aqui, com a letra inteira traduzida. É interessante conhecer direito uma música que vira e mexe é tocada em algum canto, do erudito ao comercial de cerveja.  No youtube é possível assistir a uma apresentação completa da peça [1:11] - isso, se você tiver paciência e uma conexão de primeiro mundo.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Fevereiro 26, 2009

Cinema _festival pornô confirmado

Estranhos acontecimentos tiraram o sono dos hóspedes deste sombrio bunker na última noite, quando foi recebida a inesperada visita do espectro de uma stripper falecida desde os anos 20. Brilhando, flutuando e gemendo, ela anunciou a eminência da III Mostra Pornô Independente, e cujo tema será “O Horror Erótico”. Após deixar a mensagem, a fantasminha girou seus três seios no ar e desapareceu logo em seguida causando um forte arrepio na espinha dos presentes. Não, na espinha não.

↑ Imagem de Meu Amante é um Horror, 1977 – uma das promessas da mostra.

O festival, que tem como objetivo popularizar a cultura pornô, chega a terceira edição consolidado como um dos mais expressivos da indústria.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Edições anteriores: ver a I MOSTRA • ver a II MOSTRA

Fevereiro 26, 2009

Sziasztok _bem-vindos à hungria

Bem-vindos. A primeira coisa a saber é que o idioma húngaro é um padrão complexo envolvendo muitos S’s e Z’s. Da mesma forma, penso eu, que o português é um padrão complexo envolvendo todas as outras letras do alfabeto. Eis mais uma língua que nunca vou aprender direito – o português e seu acordo novo, digo, porque quanto ao magiar (húngaro, para os entendidos) acho eu que não vai ser mais um problema. Chega-me a infomação de que Chico - que se fosse húngaro de verdade se chamaria Moreira, ou Guedes, porque teria seu sobrenome vindo antes do nome, fundou um bunker nos cafundós da Hungria, o Hungaromania, cujo valor e empenho é dos mais glorificáveis. Se tudo correr estranhamente bem, em pouco tempo estarei arranhando os ésses e os zês que é uma beleza. E isso, cidadão-médio, é para poucos – ou pelo menos somente para as seletas 14 milhões de pessoas que utilizam o código magyar pelo mundo.

A hungaromania de Chico, além de suas traduções de textos de escritores desconhecidos na Selva (relembre aquiaqui), tem um pouco de sua incursão nas reentrâncias dessa anasalada cultura. Um bom exemplo é a taoada hipnótica de três beibes magyares: Herczku Ágnes, Bognár Szilvia e Szalóki Ági – em tradução livre: a galeguinha, a moreninha e a ruivinha. Abaixo:

Abraço fraterno,
N. Márcio

SOBRE O GRANDE NARIZ: “Temos o hábito de lhe chamar penca, batata, corneta e tromba. Todos eles se referem ao nariz, ‘aquela coisa que tens a meio da cara e que te permite cheirar o ar limpo e quente e que produz montes de ranho’. Ali, somos convidados a entrar num nariz gigante para ver de forma ampliada os vasos sanguíneos, os pêlos e a sua própria forma. E até o espirro quis marcar presença neste módulo. Espirramos quando algo nos provoca comichão no interior do nariz e, naquele caso, os visitantes parecem fazer muita comichão, uma vez que é simulado um espirro mesmo quando estamos lá dentro e, com o vento, somos convidados a partir para outro módulo. O espirro sai disparado do nariz a uma velocidade de 160 km/h e esta é a razão pela qual não conseguimos manter os olhos abertos quando espirramos.” (informação desnecessária do jornal O Amador, que meteu o nariz aqui sem ser chamado)

Fevereiro 20, 2009

Diversão & Laser _bichano

Devo comprar uma lanterna dessas nos próximos dias. É a diversão.

[preik]

Abraço fraterno,
Márcio N.

Fevereiro 19, 2009

Lolita e a influência de Nabokov na putarística de opiniões na internet

Cena da versão anos 90 de ”Lolita”, história de Nabokov.

Como opinião é uma coisa que hoje circula mais descontroladamente que herpes em tempos de carnaval, aí vão alguns comentários publicados no youtube (tradução livre) para a cena acima. No lugar de dar a sua, o melhor é escolher a que você gosta mais. Vejamos:

COMENTÁRIOS SAGAZES NO YOUTUBE – EXCERTO

(  ) Reiou-se!

(  ) Na Arábia Saudita uma menina vira mulher aos 12 anos. Mas se alguém for pego com uma de 8, aí é preso.

(  ) Não existem leis que proibam um homem de beijar uma criança no rosto…

(  ) Ela é tão meiga…

(  ) Acho que sou velho demais pra ver esse filme :(

(  ) O mais bonito beijo da história do cinema. Viram a reação dele quando ela corria pela escada? Perdido, excitado, atônito, impaciente, ardendo em desejo, apaixonado. Um beijo adorável!

(  ) Não simpatizo com pedofilia.

( ) Peraí… a história não trata de pedofilia, mas sobre como duas pessoas podem se amar independente da idade.

(  ) Que porra é essa?

(  ) Sexy, fresca e inesperado pra ele, Lolita!

(  ) Na verdade há um ponto bem interessante na história. Na verdade o cara tem um puta passado fodido que faz com que ele goste de menininhas de 7 a 14 anos (as ninfas). De início você pensa, “Mas que doente!”, e depois de um tempo realmente passa a simpatizar com o sujeito. É um filme sobre a tênue linha que separa o certo do errado.

( ) Mas que cagado!

(  ) Hôme… se fosse comigo ela num saía por aquela porta.

(  ) Então isso trata de um pedófilo gostando de uma criança? Desculpa, não quero parecer burra, falaram bem do filme aqui e vou assistir… Mas é sobre um homem gostando de uma criança? Que doente!

(  ) Simplesmente lindo!

( ) A atriz tinha só quinze anos quando fez o filme, então… que filho da puta. Queria dizer que não sou mulher, mas sou pai!

( ) Pernas legais.

Ficamos por aqui, pessoal. E lembrem-se: opinião – dê a sua, mas use camisinha.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Os comentários foram extraídos daqui.

Fevereiro 19, 2009

Super Mario _teatrinho

Algo que vocês precisam ver, do outro lado do bucho-terra.

A impressão que tive assistindo isso foi parecida com a de quando vi “Play – Videogame Symphony” tocando o tema de Super Mario World (aqui). Do mesmo modo que antes impressionavam os efeitos especiais realistas, com raios e explosões, agora é o processo contrário – o de abolir truques sintéticos, mais humano - que tem atraído a quem cresceu em um mundo fantástico gerado por computador. Outra coisa que tem me chamado atenção é a popularidade de Mario. No mundo dos videogames ele é o novo Pac-Man, acho, só que com muito mais personalidade: no futuro ele ocupará o cargo que hoje pertence a Che Guevara nas camisetas. Imagine: Mario de olhar compenetrado e sonhador, os dedos enrolando os bigodes, montado em um cogumelo. Se a C&A existir, essa camiseta custará apenas R$ 3.000,00 – isso, claro, se economia continuar indo tão bem.

Essa conversa toda me lembrou um causo que em nada tem a ver com videogames e efeitos especiais, envolvendo os Flintstones e uma cigarreira em Natal. Ela se chama cigarreira do Barney. O dono algum dia contratou alguém e disse: “pinta Barney aí pra mim”. E, até hoje, anos depois, Fred Flintstone está lá denunciando o engano do pintor.

Certo…

Abraço fraterno,
Márcio N.

Fevereiro 13, 2009

Avião _modos de usar

AVIÃO – s.m. [do fr. avion] – 1. Veículo altamente pressurizado, mais pesado que o ar, voando a três quilômetros de altura num ambiente gelado e sem oxigênio, contendo dois ou mais motores a explosão, cheio de gasolina de alta octanagem, projetada para queimar mais forte e mais quente, nas asas, feito de alumínio e parafusos e que só se mantem no ar por estar se movendo incrivelmente rápido. 2. Mulher com seios e nádegas grandes.

Explicação de Igor, nos comentários de American Aircrashes.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Fevereiro 11, 2009

Monty Python Sings _mp3 a rodo

Agora, um minuto da atenção e do respeito de vocês para a execução do hino.

↑ Música: “Aways look on the bright side of life” / Autor: Eric Idle / Filme: Life of Brian, no vídeo com imagens de Monty Python Flying Circus / Disco: Monty Python Sings – 1991

Essa e outras músicas estão em Monty Python Sings; disco antigo que pude baixar gratuitamente aqui, por total responsabilidade do Rapidshare – portal de downloads financiado por um multimilionário que, sem cobrar nada a usuários comuns, paga do próprio bolso os direitos das músicas a artistas. Ou nada disso, o que é mais provável e o que me remete a uma frase brilhante de um velho amigo que não vejo há um bom tempo, hoje levando uma vida tranqüila na Penitenciária de Alcaçuz e de onde não pretende sair nos próximos 15 anos:  ”Tenho nada a ver com isso n, eu tava só passando”, dita na ocasião em que era acusado por comercializar tóxicos. Essas coisas acontecem o tempo todo. E não têm graça nenhuma.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Alguns links. Nesse, uma pesquisa detalhada com quase tudo que se pode encontrar de Monty Python na internet: vídeos, roteiros, áudios, imagens etc – em inglês. Nesse outro, uma página do wikipédia com um plano geral. É distração até dar uma dor.

Fevereiro 10, 2009

Spore _bancando senhor do universo

Comercial de um joguinho chamado Spore. Pelo que entendi, você começa como um microorganismo que segue evoluindo aos poucos, de uma monera até uma espécie avançada que vai colonizar outros planetas.

Achei curioso poder escolher quais truques evolutivos o seu personagem vai ter. Por exemplo, tentáculos, ventosas, asas, garras, dedos, carisma, um olhar sedutor etc. É como brincar de Deus. Os personagens passam a tomar atitudes instintivas respondendo a impulsos definidos por você, a força oculta por trás das coisas: o que comer, o que fazer, se vai ser bom ou mau, decisões de livre-arbítrio que não chegam realmente a existir. Quando o seu personagem se transforma em algo maior e vira uma civilização você perde o controle do indivíduo e cada um toma suas próprias decisões, mas a programação – ou algo parecido – possui os códigos definidos por você. Num futuro distante, depois de algumas madrugadas em claro, você descobre que tudo caminha para a grande questão fundamental: qual o segredo da vida, do universo etc – informação guardada num quase-bunker alojado no centro do espaço e protegida pelos detentores da verdade. Você pode vencê-los. Nessa parte, recebe instruções para chegar ao terceiro planeta do sistema solar, onde vai preparar o terreno para o surgimento de uma nova civilização que, quem sabe, pode um dia resolver as coisas. Achei a premissa parecida com a de Douglas Adams no Guia do Mochileiro, e talvez tenha sido inspirada nele, mesmo. E, pra aumentar a cota de referências aqui nesse artigo, atraindo via-google milhares de pessoas de faro ou somente fodidamente desorientadas, parece que Brian Eno está envolvido no jogo. Antes de instalar Spore, vou tentar no site o download de um programinha gratuito em que você pode construir uma espécie ao seu modo. Eu vou desenvolver uma chamada Grrrrroaah – será um animal mítico com cabeça de cágado e corpo de cágado (mas não do mesmo cágado), e muito, muito parecido com um cágado – exceto talvez por não ter um nome tão embaraçoso.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Fevereiro 5, 2009

Lobotomia

Interrompendo as sessões de lobotomia no Centro de Irresponsabilidade e Ineficiência do Bunker para a reprodução pública da fita VHS entregue ainda há pouco; um comunicado da máxima importância. Concentrem-se.

Cuidem-se, também, que é o mais prudente.

Abraço fraterno,
por um mundo com menos pressão,
Márcio N.

Janeiro 29, 2009

Homem de Firme Destino _Capítulo 14

Pedaço de um livro que eu vinha fazendo.
Nesta página coloquei outros capítulos.

Abraço fraterno,
Márcio N. 

HOMEM DE FIRME DESTILO – CAPÍTULO XIV
(Onde o herói copula com uma assombração que mais tarde se revela uma prolífica escritora livros de de auto-ajuda)

por márcio nazianzeno

Naquela noite de lua cheia, nas redondezas do velho castelo do Conde de Langresgraais, um gato preto como a escuridão correu por baixo de uma escada. O episódio, por assim dizer, poderia deixar alguns supersticiosos realmente confusos: se um gato preto, cuja corcunda carrega a encomenda da má-sorte aos outros, acaba ao custo de rara coincidência ele também contraindo algum azar ao passar por baixo de uma escada (o efeito seria o mesmo de dois gatos pretos se entrecruzando em uma esquina) teria ele anulado a maldição? Ou somente potencializado seu efeito, ficando ele mesmo tão azarado quanto os desafortunados com quem encontra? Para o esfomeado Homem de Firme Destino, cujo estômago já começava a digerir o próprio vazio num doloroso processo de autofagia mais física que espiritual, era algo que definitivamente não lhe dizia qualquer respeito. Ocorreu-lhe, então, desistir do gato. Além de astuto, o bicho era tão mirrado que de tão magro não lhe renderia nem mesmo uma sopa. Haveria de prosseguir a caçada, o Homem, não tivesse ele a ambição comum somente aos grandes heróis e desafortunados. Eis o que os ventos supõem: a muralha do castelo do Conde de Langresgraais, iluminada pela luz azul da lua, era por si mesma um mistério: uma espécie de cortina a encobrir um todo um universo de possibilidades – dentre elas, a de encontrar um banquete dos mais ricos regado a vinho e carne de caça, gentilmente servido e compartilhado pelas damas da corte – aristocratas, nobres, serviçais, escravas, de origens étnicas as mais diversas – vestidas com seus espartilhos apertados tais máquinas de tortura, e, ainda, sorrindo docemente apesar da carne da cintura brutalmente transferida para partes mais nobres quais as nádegas e os seios. Ora, pois, com o apetite em que estava as devoraria mesmo na mesa, ainda com uma costela de faisão a assobiar entre os dentes, as mãos gordurosas, e assim varreria o vazio do estômago e saciaria ainda seu companheiro, o cavalheiro da retumbante figura: eis aqui a justiça e a igualdade entre irmãos. Mal havia se aproximado do fosso que cercava o castelo, onde anunciaria sua chegada a pedradas, e a ponte levadiça esticou como uma língua de ferro. Sem pestanejar, realizou a travessia como um inseto prestes a ser engolido. Chegando ao pátio, onde o mato era vasto, nada vivo encontrou exceto por alguns morcegos e ratos que logo fugiram. Talvez, disse às paredes, esse amontoado de rochas e insetos fosse de mais valia ao gato preto que, vá lá, também merecia um repasto. E assim, como uma fagulha de esperança, algo se pronunciara à sua frente. Estava ali um soldado medieval de traços marcantes: levemente transparente, de nariz grande e uma machadinha cravada no meio do crânio, que lhe dava, por assim dizer, certo reforço ao seu estilo medieval. Sem mencionar palavra e protegendo a retaguarda, o soldado escoltou o Homem de Firme Destino até o salão principal onde se encontravam os outros de sua estirpe, os fantasmas. O soldado, então, parou. E com o ar mais indiferente desse mundo se desfez em uma espécie de poeira, alcançando um efeito pirotécnico ainda mais interessante que a machadinha na cabeça. O Homem de Firme Destino compreendeu, naquele instante, que o antigo castelo do Lorde de Landergaais havia se rendido não às guerras e a guerreiros, mas à fúria dos tempos modernos, que lhe transformou em hotel que, embora medieval, era ainda assim somente um hotel, freqüentado por fantasmas de nobres, aristocratas e etc. dos mais longínquos séculos em busca de entretenimento vazio e barato. E, assim, quando estavam entediados demais, eles arrastavam pelo castelo suas grossas correntes, derrubavam objetos pela casa ou simplesmente percorriam os cômodos para abrir e fechar portas rangentes – porque assim se sentiam vivos, como quando não podiam simplesmente atravessar as paredes. Pois bem: portas rangiam, correntes eram arrastadas e objetos flutuavam no ambiente quando avançou pelo salão o Homem de Firme Destino, o obstinado, que logo cravou os dentes na massa de ectoplasma de uma entidade que ali na sua frente estava a se materializar: possuído pela fome, terminou por devorar a perna esquerda da antiga Condessa de Langresgraais. Foi então que, tentando contornar a situação em que acabara de condenar uma alma penada a vagar pela eternidade sem uma das pernas, uma falta de modos descomunal, diga-se, tratou de recompensar a assombração com o mais intenso prazer carnal. Sussurros sensuais & sombrios, gemidos lamuriosos ensandecidos, arrepios em cada pêlo de seu magro corpo; com o da retumbante figura a deferir violentas estocadas na massa translúcida como se flutuasse nas nuvens – estava a currar a assombração com invejável empenho. Os mais supersticiosos, deixando um pouco de lado a problemática do gato preto e a escada, passariam então a discutir as questões éticas do sexo entre corpo e espírito. Mais tarde o caso ganharia maior atenção e popularidade com os best-sellers de autoria da própria Condessa, que se revelou uma prolífica escritora dos maiores livros de auto-ajuda jamais psicografados. Dentre seus sucessos, podemos destacar os inconfundíveis “Porque humanos fazem sexo e fantasmas fazem amor”, “Sexo após a morte: uma questão de espírito”, “Morri. E daí?”, “A vida começa aos 670” e o polêmico “Na cama com Deus – As revelações da Condessa de Langresgaais”. A autora, que jamais obteve sucesso em vida, nega os boatos sobre a existência de um ghost writer.

Acreditem ou não, foi assim que, naquela noite de lua cheia nas redondezas do castelo do Conde de Langresgraais, o Homem de Firme Destino provou que não existe obstáculo suficientemente grande para o amor. Em todo caso peço para que não deixem para encontrar o amor verdadeiro somente após a morte, quando serão vocês mais respeitados e queridos, que nunca se sabe…

Outros capítulos, aqui.

Janeiro 18, 2009

Spam a serviço do bem _Nós Fazemos

Conto com a perspicácia de vocês para ajudar a espalhar este vídeo.

Se obter ao menos 1/5 da popularidade de hitmachines como “Evolution of Dance” ou “Sanduíche-íche” é porque o youtube serve de alguma coisa boa.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Essa campanha tem o objetivo de arrecadar doações para uma instituição filantrópica do RN, que é uma das mais sérias do país e referência nacional no tratamento do câncer. Acesse a página de doações e ajude. A mecânica é bastante simples, não precisa de cartão de crédito, e até com 10 reais já é possível contribuir.

Janeiro 17, 2009

Sangramento Nasal + Robocop

Comecei a ouvir uma banda, Nose Bleed Island.
Gostei, muito. Tem uma espontaneidade que fazia tempo.

• Ouvir no myspace
• Ouvir e baixar disco 1
• Ouvir e comprar disco 2 <<<
• Baixar o disco 2
• Página da banda
• Assistir a um clipe

Como notícia boa nunca vem só, Robocop: the movie.
Do mesmo selo da banda anterior. Meio Pixies, essa.

• Ouvir no myspace
• Baixar os discos
• Assistir a um clipe <<<

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 15, 2009

American Aircrashes

Vocês viram isso? Absurdo demais.

Ainda não tinha entendido porque assentos de avião são flutuantes, servem como bóias e não como para-quedas. Na verdade, eu nunca entendi muita coisa sobre aviação. Como, por exemplo, aviões conseguem pousar em um rio, sem vítimas, ao mesmo tempo em que podem muito bem pousar em um aeroporto sem sobreviventes, como aconteceu em São Paulo? Ver a American Airways (American Aircrashes?) novamente envolvida em um acidente aéreo, desta vez pedindo para que não especulem as causas, é algo que soa também suspeito. Um medo infantil: e se por uma coincidência qualquer todos os passageiros excedessem a bagagem, pagando a devida multa, o avião decolaria assim mesmo? E, se assim fosse, faria um vôo seguro? Ou o que aconteceria se alguém esquecesse o celular ou algum outro aparelho ligado quando o avião decolasse? Eles sempre dizem que essas coisas não podem ficar ligadas. Acontece que a matéria-prima de placas e circuitos de eletrônicos muitas vezes vêm de sucata de avião. Seria isso? Vai saber. Outra coisa intrigante sobre aviões é o tratamento das aeromoças, elas sempre atendem você com toda a formalidade do mundo e expressões mecânicas, Obrigado Senhor, Claro Senhor, Foi um Prazer, Senhor… – aviões são ônibus que voam, não precisam dessa impessoalidade – mas tenho um amigo que formulou uma teoria: eles agem como máquinas porque humanos cometem erros, e a última coisa que você quer que eles cometam em um avião é um erro. Ainda assim, é só você sentar em sua poltrona, relaxar um pouco, apertar os cintos (os cintos são indicados não para acidentes comuns, os fatais, mas para turbulências como a que arremessou uma velhinha três fileiras à frente) para que então você escute aquele mesmo discurso: “Em caso dessa aeronave sofrer um acidente, usem nossas máscaras, não entrem em pânico…” – só para você não esquecer que, sim, aviões caem – e continuam: “E, lembrem-se, nossos assentos flutuam”.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Saiba o que Tyler Durden tem a dizer sobre isso.

Janeiro 12, 2009

Muito Além do Jardim

Peter Sellers em “Muito Além do Jardim”, um filme realmente bonito:

Filme: Muito Além do Jardim (Being There)
Ano: 1979
Diretor: Hal Ashby
Avaliação IMDB: 8.0

Quem puder assistir, alugue. Na maioria das locadoras ainda tem a vantagem de ser a metade do preço de um lançamento.   : )

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 11, 2009

Mãe Dinah _Previsões 2009

A imagem tem 400k, leva cerca de 1 minuto para carregar.

Quero agradecer a Ygor, por não ter reclamado o uso de sua imagem. E também à Mãe Dinah, por compartilhar conosco as visões dela sobre o futuro.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 9, 2009

Sr. Jetson vai à forra

Pesquisa da USP com 8.200 entrevistados  maiores de 18 concluiu que sexo é  apenas a oitava prioridade na vida das brasileiras, ficando atrás de carreira profissional, atenção à família, cuidados com a saúde etc. Para o homem, é a terceira prioridade. Única fonte até agora: G1.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 9, 2009

Homem-Aranha, Política & Sexo

Para ver a foto maior e colorida, clique aqui.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Janeiro 7, 2009

Ouagadougou _continho atmosférico

Segue um texto recente. Gosto dele mais pelo “clima” do que pela história em si. Na verdade, acho que nem chega realmente a existir uma história…

Abraço fraterno,
Márcio N.

OUAGADOUGOU
Márcio Nazianzeno, 07/01/2009

Jonas, 54, 98 kg, 1,74 m, heterossexual, divorciado, 1 filho (este, homossexual), graduado em administração, especialização em marketing, ex-goleiro de futebol de salão amador pela equipe da Saldanha & Associados, adepto do implante capilar, considera-se feliz. Eis que particularmente feliz ficou quando num 19/10, aniversário de Alfredo, o filho homossexual, Jonas, sentado numa praça, preencheu a última coluna do Almanaque de Palavras Cruzadas, edição ouro, ao descobrir ser Ouagadougou a capital de Burkina Faso, na província do Kadiogo. Foi o que lhe disse um conhecido, Seu Astolfo, professor de Geografia que nutria muita simpatia pelo jovem Alfredo, um bom rapaz, dizia, lembrando de como tivera seu pênis apalpado por ele quando solicitado: Ouagadougou. Mais tarde, distante o suficiente para que esquecesse o tal dia, Ouagadougou foi uma das palavras que saltaram da boca de Jonas quando surpreendido por um bicho no quintal de casa, uma lagartixa entre os dentes do animal: Ouagadougou, porra de gato fodido. Deste modo, de repente, com um nome vindo de um compartimento escuro e úmido da memória de Jonas, o bichano foi batizado. Ouagadougou era, então, não mais uma cidade africana dos seus 997 mil habitantes. Era um bicho magro, preto, de cabeça desproporcional e rabo quebrado, cascas de ferida na orelha e um par de olhos amarelos que pareciam duas tigelas vazias –  então, Jonas servia Ouagadougou de leite e enchia as tigelas vazias de alegria. Ouagadougou aparecia de quando em vez, chegava com fome e saía de barriga redonda. E assim, dia após dia, uma rotina foi se estabelecendo. Quando não vinha, Jonas lembrava de todos os gatos atropelados do mundo, ou daquele dia em que sentiu um trepidar brusco na estrada, um montinho miúdo na escuridão sem fim do retrovisor. E assim era Jonas: mergulhado em pensamentos sombrios quando dava pela falta do gato. Então, ouvia um miado esgarniçado, as duas tigelas vazias pedindo leite, e lá estava ele, Ouagadougou. Assim seguiam, Jonas, Ouagadougou, os dias e as noites, os intervalos entre as visitas diminuindo. De tal modo, que não custou para que passasse mais tempo em casa do que na rua e, consensualmente, passasse a ser tratado por “Gudu”, uma pronúncia mais amigável para Ouagadougou. Não tão consensualmente, talvez, porque aqui nos referimos a ele pelo nome inteiro, leitor, com alguma reserva.

Mas saiba que agora mesmo Ouagadougou rorona sobre a coxa esquerda de Jonas, que balança na cadeira de balanço – o mundo balançando, balançando feito a maré: o céu azul, subindo, os fios dos postes, a rua morta. O silêncio é quebrado quase nunca. O sino do caminhão do gás, um carro ou outro que cruza a rua, o chiado no paralelepípedo parecido com o da chuva caindo. Tudo devagar, devagar, devagar… O sol desce assim, devagar, e por trás da cigarreira o céu vai se pintando laranja. Jonas puxa assunto com o gato. Vamos fugir para o interior, Gudu, só eu, você e a estrada. Ouagadougou estica as patinhas com preguiça mostrando as unhas, e volta a dormir. Jonas se balança na cadeira de balanço, que balança o mundo com ela. O céu laranja, subindo, os fios dos postes, a rua morta. O vai e vem da cadeira é como o vai e vem do mar. A maré está calma, hoje. Jonas não consegue lembrar qual foi a última vez que teve uma conversa decente com o filho Alfredo. O menino bem ali, não tão bem, deitado no sofá com o nariz antipático enfiado em Dorian Gray, o ar mais indiferente desse mundo. Virou tão estranho quanto íntimo. Ele poderia estar na casa da mãe, mas não. O rapaz gostava mais dela, isso era nítido, porque ele dizia: gosto mais dela. Acontece que, num dia qualquer, decidiu morar só – assim, do nada – sem emprego, sem dinheiro. Foi morar sozinho, sozinho com o pai. Ouagadougou, de início, fez o mesmo: apareceu para morar sozinho com eles. Mas, agora, o único naquela casa ainda a viver só era Alfredo. Cai a noite. A cigarreira fecha, as cigarras cantam, o cigarro acende. Ouagadougou, que podia facilmente dormir 20 horas por dia, bate o próprio recorde e não interrompe o sono nem quando solta um espasmo de contrair os bigodes. Sonhava correndo de um cachorro, atrás de um rato, ou com qualquer coisa. Está escuro. Completamente, não fosse pelo claro dos postes. Jonas pensa em levantar da cadeira e acender a luz. Se mexer a perna, acorda o gato. Pensa melhor, deixa como está. Alfredo dorme. Está coberto, o menino. Tudo está calmo, calmo como uma maré calma. Jonas olha para a lua, subindo, os fios dos postes, a rua morta.

Δ * Δ * Δ

:)

Janeiro 6, 2009

Guerra nas Estrelas _3 anos

Well, well… Ok.

Esse vídeo ensina algumas coisas sobre a vida. Vejamos:

1. O valor da boa educação, estimulada por filmes de ficção científica e doces.
2. Crianças prodígio, orgulho dos pais, um dia acabam virando um hitmachine no youtube.
3. Ao falar em público, tenha sempre à disposição um copo d´água e um quadrinho.
4. Como seria Maísa, a menina barraco, se não fosse uma versão miniaturizada da velha Hebe.
5. Nunca fale de Darth Vader pelas costas, senão ele pega você.

É isso aí, pessoal.
Espero ter ajudado, sinceramente.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Nesse link você vê a explicação da menina ilustrada por trechos do filme. A satisfação do cliente em primeiro lugar.

Dezembro 29, 2008

Neil Innes _Boring

Mais alguma coisa de Neil Innes, que tem um clipe melhor que o outro.

And if it all sounds boring
If it all sounds boring
If it all sounds boring
Then there`s something wrong with the song
(Or you. Or me. Or something)

Neil Innes.org – Words os Innespiration

Abraço fraterno,
Márcio N.

Dezembro 19, 2008

Neil Innes _Shangri-La

Agora, algo totalmente diferente e positivo, da sec. de turismo de Shangri-La:

“Shangri-La” (ler letra ), de Neil Innes, em ”Innes Book of Records” (1979).

Abraço fraterno,
Márcio N.