Agosto 7, 2009...12:19 am

matar por dinheiro

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Quase todo mundo que conheço já teve um desses porquinhos de guardar moedas. O último que eu tive, quebrei ainda ontem com um martelo. O melhor que extraí dele não foram os cento e poucos reais, mas um aprendizado para a vida toda, que é o dilema de se destruir alguma coisa da qual você está afeiçoado em nome de outra pela qual sente ainda mais afeição, que é o dinheiro. 

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Um cofre-porco tem aspecto de mamífero para que o investidor, numa sensibilidade infantil, tenha dó de esmagar o pobre animal. Essa foi uma sacada inteligente do inventor do porquinho: poupando a integridade do animal, você finda poupando cada vez mais dinheiro. Não seria inteligente um cofrinho com a forma de algo detestável, que você sentisse vontade de quebrar o tempo inteiro. Um que tivesse o rosto de Luiz Almir impresso nele, sorrindo com seu sorriso pervertido, por exemplo. Este, não lhe servindo nem mesmo para depositar confiança, de serventia nenhuma teria para você depositar seus trocados. Entenda melhor clicando na iluminação azul do link linhas acima.

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Homenagem a Ary Toledo

Um homem perguntou a uma nota de cinco reais:

— quanto você vale?
— cinquenta reais.
— mas você é uma nota de 5.
— droga. acho que virei troco.

Outro homem perguntou a outro dinheiro:

— quanto você vale?
— muito mais do que você precisa.
— é pouco :(

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porcobunker02Um porquinho transmite mais confiança do que um político, em parte pelo semblante humilde e abnegado, e, de outra, por ser mais limpo. Quando algo é essencialmente puro, você destrói apenas quando existe uma premissa monetária. É a motivação do criador de gado que abate um bezerro para fazer babybeef, da prostituta que cede seu corpo, do empresário que encomenda a morte do irmão, do governante sem compromisso autêntico. Todos têm um preço é um clichê que nunca saiu de moda.

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São por essas razões que eu gosto muito desse desenho que arthur fez.

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Qualquer um, em algum momento, acaba por trair a si em nome do dinheiro. Pisando em alguém, cometendo um crime, trabalhando em excesso ou qualquer coisa. Preocupante saber que a grana circula por aí, e que tem muita gente correndo atrás dela feito galinhas atrás de milho. Ou como porcos atrás de milho. Em um mundo onde o dinheiro governa as pessoas, somos todos galinhas e porcos ao mesmo tempo.

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É isso aí, pessoal. Essa foi mais uma iniciativa do Bunker contra o sistema.
Um oferecimento: |_| (-_-) |_| ← Badass-Motherfucker Smiley.

Se cuidem.

Abraço fraterno,
Márcio N.

E por falar em porco, não deixem de ler o excelente “Leitão Assado”, conto de humor traduzido por Chico. O conto foi postado aqui uma vez, só que agora está todo comentado no HungaroMania, o blog de Chico. O blog é tão rico de informações que virou uma referência da cultura magyar, até indicação no site da embaixada húngara no Brasil recebeu. Conto comentado, aqui.

5 Comentários

  • Chico Moreira Guedes

    Sábias palavras, nobre Márcio! Falar nisso continuo, mais do que nunca, precisando vender mu meu precioso tempo em troca da grana de alunos de inglês. Não há alternativa, já que pelo meu corpinho ninguém dá mais nada…
    e vamos sim comer moela, o fois gras dessa gente inculta e pobre: nós!

  • Dei valor ao quadro de Arthur. Lembra aquela música do Racionais MC’s que diz: “Mas em São Paulo, Deus é uma nota de cem.”

    Nunca tinha pensado no cofre em formato de porco sob esse aspecto,Nazianzeno, é realmente uma idéia nova. Bom post, enfim.

  • show de bola seu blog. Parabéns veio. A internet precisa de vida inteligente. Passa lá no meu. Abraço

  • ótima atualização, meu jovem Nazianzeno!
    Estou de olho. Sempre.
    Abraço.

  • Como disse Douglas Adams, “o dinheiro é a coisa mais abstrata e sem sentido que há, dependendo completamente da vontade dos homens para existir; acabam-se os homens, acaba-se o dinheiro. Substituindo “dinheiro” por “Deus” a frase mantém o sentido.”


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