Ernest Hemingway _122 assassinatos nas costas [pelo que deu para contar]

agosto 1, 2008 § 5 Comentários

LEIA OU ATIRAMOS EM VOCÊ >> Neste artigo: caçada de humanos; cinema clássico; crimes de guerra de Ernest Hemingway (1899 – 1961); e dos perigos do cultivo de ídolos.

Fay Wray em cena de "The Most Dangerous Game" - mais tarde, o cenário seria usado em King Kong, dos mesmos diretores.

A caçada de humanos era um esporte muito popular para o Conde Zaroff, que em sua ilhota saía armado na procura por vítimas de naufrágios, no filme The Most Dangerous Game, de 1932. Foi talvez influenciado por esse roteiro, que Ernest Hemingway escreveu na revista Esquire, em 1936, um artigo com a seguinte frase: “Certamente nenhuma caça se pode comparar à caça ao homem, e quem caçou homens armado, por um longo período de tempo e com prazer, nunca mais se interessou por outra coisa depois dessa experiência“. Talvez não mentisse e quanto a isso, fazendo de sua afirmação um plot virtual de sua vida progressa em que executou dezenas de prisioneiros [122, pelo que contabilizou] durante a II Guerra. Mas existe uma diferença básica entre o Conde Zaroff e Ernest Heminway: enquanto o Conde, embora fortemente armado, ainda oferecia às suas vítimas arco e flecha para a defesa, o escritor e jornalista americano só lhes oferecia mesmo as balas na carne. Se ainda estivessem vivas, serviriam de prova da sua covardia as 122 pessoas assassinadas por ele à altura da Invasão da Normandia, na II Guerra Mundial, quando era Hemingway um jornalista integrante do exército americano na retomada de Paris pelas forças aliadas.

A revelação veio ao mundo por volta de 2006, a partir de cartas encontradas pelo jornalista alemão da Focus, Rainer Schmitz, quando realizava uma pesquisa sobre curiosidades, anedotas e histórias pouco conhecidas de escritores famosos. Foram encontradas 2 cartas, certamente comprometedoras, onde revelava o escritor os detalhes sobre suas atrocidades cometidas na guerra. Em uma delas, datada em 1950, foi enviada a Arthur Mizener, amigo e professor de literatura da universidade de Columbia, há a descrição de Ernest Hemingway sobre como alvejou por trás um “jovem soldado alemão que tentava fugir numa bicicleta e que devia ter a idade do meu filho Patrick”.

Ernest Hemingway posa ao lado de animal abatido. Seu esporte preferido era a caça.

Sabe-se que Hemingway sempre foi cuidadoso em cultivar uma imagem de homem bruto, rude e macho. Como, quando em uma das cartas, ele se gaba por executar um Kraut [chucrute], soldado alemão prisioneiro que haveria desafiado o seu poder citando a Convenção de Genebra: “Você não vai me matar, porque tem medo e pertence a uma raça de degenerados”, teria dito o alemão; Hemingway descreve como foi sua reação – “Você está errado, disse, e atirei três vezes, primeiro no estômago e depois na cabeça, fazendo cuspir seus miolos pela boca”. Além de executar prisioneiros, Hemingway poderia ter sido incriminado pelo simples fato de armazenar armas e granadas no seu quarto de hotel parisiense.

Na carta datada em 27 de agosto de 1947 ao seu editor Charles Scribner (1890-1952), o nosso amigo Ernesto do Rifle [como passou a ser conhecido em Cuba, onde morreu na ocasião de um suicídio com um tiro em 2 de julho de 1961] conta também como se sentia excitado pelos crimes: “sim, tive prazer em matar”. Prazer não, vício. Porque na carta de 1950 ele vai além: “Fiz alguns cálculos e posso afirmar com exatidão que matei 122 alemães”.

Antes da II Guerra, Ernest Hemingway adquiriu experiência em conflitos cobrindo, em Madrid, a Guerra Civil Espanhola. No fim da vida, teria em seu exílio voluntário em Cuba se prostituído à CIA por 500 dólares ao mês vendendo informações ao Governo Americano. O caso dos assassinatos é a mais recente descoberta sobre ele.

Essa não foi a primeira vez que um vencedor do prêmio Nobel de literatura teve sua imagem manchada por falhas cometidas em sua vida pessoal. Recentemente, na autobiografia “Descascando a Cebola”, Günter Grass revela ter feito parte da Juventude Hitlerista e integrado a tropa de elite da Waffen-SS, embora insista jamais ter dado um disparo sequer.

Agora, um minuto para uma mensagem pessoal.

Concurso de sósias de Ernest Hemingway, nos EUA

Deve-se anular qualquer possibilidade de ídolos, seja quem for, porque além de uma idiotice impessoal é também um negócio arriscado. Os rostos que estampam a maioria das camisetas não pertencem a canalhas menores que os anônimos que se encontra em qualquer penitenciária. John Lennon deserdou um filho e acumulou capital enquanto falava em um mundo sem possessões; Ernesto Che Guevara [Clichê Guevara] executou pessoas com a mesma indiferença com que coçava a perna; o maior difusor da maconha, Bob Marley, é suspeito de assassinatos e de envolvimento com o narcotráfico, e por aí vai, sempre descendo, até chegarmos a Ernesto do Rifle. Neste caso, seria prudente distinguir onde termina o escritor e onde começa o homem. O escritor poderia ter assumido sua culpa e de alguma forma se redimido, pois inteligência e sensibilidade não lhe faltavam. Mas o homem, esse não – optou por explodir os miolos, que é mais simples, e mais humano.

Veja, acima, a primeira parte da animação inspirada em “O Velho e o Mar”, de Hemingway.

Abraço fraterno,
Márcio N.

Leia sobre o tema no Estado de São Paulo. Além desse link não se pode encontrar muito em outros jornais do Brasil. O assunto ainda hoje soa como boato, já que pouca importância foi dada à revelação na imprensa brasileira – reconhecidamente, uma das piores do mundo.

§ 5 Respostas para Ernest Hemingway _122 assassinatos nas costas [pelo que deu para contar]

  • Tatiana disse:

    Puxa, me sinto menos culpada por nunca ter conseguido terminar de ler “O Velho e o Mar”. Sempre foi um sonífero infalível pra mim.
    Depois de dar uma lida no seu texto e no de Gonçalves Filho, fica difícil separar o escritor do homem, né?

  • mnazian disse:

    eu só tinha lido o livro do sol… na verdade fiquei mais curioso pra ler as coisas do bicho, sabendo disso agora… o que eu achava estranho, nos livros dele, era que nunca tinha humor. era um esquema mais jornalístico, mesmo.

  • hernest Cabron disse:

    caralho marcio, quanta boxta… a galera q esse bixo executou eram nazistas, como vc… (marcio NAZIazeno).. por isso n vejo nada demais nisso… inclusive vc n citou um livro massa dele q a historia se passa na guerra civil espanhola “por quem os sinos dobram”, muito massa…

    PS: dexe de ficar reporduzindo esse discursinho da grande midia pseudocritica…

    bjos

  • mnazian disse:

    Cabral, depois tu chupa

  • hernest Cabron disse:

    tranquilo…

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